A
E3 Saxo Classic ficou marcada pela vitória a solo de Mathieu van der Poel e, um degrau abaixo no pódio, surgiu Per Strand Hagenes, da
Team Visma | Lease a Bike, após uma exibição sólida. Nem todos os corredores da Visma estiveram, porém, nas luzes da ribalta pelas melhores razões, já que
Axel Zingle foi apanhado a ser rebocado por um carro da equipa e acabou justamente desclassificado. Ao volante estava ninguém menos do que o CEO da equipa,
Richard Plugge, levando a formação a apresentar um pedido de desculpas.
As “garrafas pegajosas”, o gesto em que o corredor e o diretor desportivo no carro seguram o bidon e aceleram de forma brusca e breve, não são raras no pelotão profissional. Contudo, vigora uma regra não escrita que admite o recurso apenas por instantes, e na sequência de um incidente, como uma queda ou problema mecânico.
Por vezes, porém, a prática é levada ao extremo.
Vincenzo Nibali fê-lo de forma célebre na Volta a Espanha de 2015, então um dos principais favoritos, e foi desclassificado por isso. Nesta sexta-feira, na E3 Saxo Classic, foi a vez de Axel Zingle, da Visma,
depois de um espectador captar a “garrafa pegajosa” em vídeo, registo que depressa se tornou viral nas redes sociais.
Antes mesmo do final da corrida, o francês foi desclassificado, apesar de, no momento, o vídeo mostrar que não era seguido por outros corredores ou viaturas de comissários que pudessem relatar o caso, tornando a gravação a principal prova da infração.
O diretor desportivo Marteen Wynants explicou à
Sporza o que aconteceu, do seu ponto de vista, a partir de outro carro da equipa: “Recebemos uma mensagem, a cerca de 10 quilómetros da meta, de que o Zingle tinha sido retirado da corrida. Primeiro não sabíamos o que se passara, mas depois soubemos que havia imagens dele agarrado ao carro.”
Pedido de desculpas pela conduta da Visma
A equipa não tinha base para defender Zingle e, como se veio a confirmar, as ações de Richard Plugge. O CEO da formação conduzia o carro que rebocou Zingle, e as imagens eram demasiado claras para permitir uma justificação plausível.
Wynants apresentou desculpas em nome da equipa por um momento controverso. “Lamentamos o incidente. Isto não contribui para a imagem do ciclismo. Aconteceu em segundo plano após um furo e não influenciou o resultado, mas não deveria ter acontecido.”
“Mais uma vez, lamentamos o incidente e assumimos a responsabilidade. O facto de algo acontecer com frequência no ciclismo não nos dá o direito de o fazer também”, concluiu.