“Melhor contrarrelogista do mundo, provavelmente até...” - Remco Evenepoel elogiado pelo responsável de rendimento da Red Bull, que promete mais ganhos

Ciclismo
terça-feira, 17 fevereiro 2026 a 9:30
Remco Evenepoel
Remco Evenepoel não parte para o contrarrelógio da 2ª etapa do UAE Tour 2026 com necessidade de provar que é rápido contra o tempo. Três títulos mundiais consecutivos, ouro olímpico e uma longa lista de exibições dominantes em CRI já encerraram esse debate.
Mais interessante antes da 2ª etapa, porém, é que dentro da Red Bull - BORA - Hansgrohe há a convicção de que o teto do contrarrelógio de Evenepoel ainda pode subir.
Essa certeza vem de Dan Bigham, diretor de engenharia de performance da Red Bull e uma das figuras menos visíveis, mas mais influentes, na nova estrutura da equipa. Em declarações ao Het Nieuwsblad, Bigham não hesitou quando questionado sobre o estatuto de Evenepoel na disciplina.
“Para mim, o Remco é o melhor contrarrelogista do mundo, provavelmente até de sempre”.

O domínio não é o ponto final

Remco Evenepoel celebra uma vitória pela Red Bull - BORA - hansgrohe
Evenepoel já começou forte na Red Bull, com 6 vitórias até à data
À superfície, essa avaliação pode soar como confirmação do óbvio. Mas a explicação de Bigham mostra porque é que, para a Red Bull, o nível atual de Evenepoel não é um destino, é uma base de trabalho.
“Se continuarmos sempre a fazer as mesmas coisas, vamos só pedalar no mesmo sítio”, resumiu Bigham, definindo a filosofia que sustenta a abordagem da Red Bull ao material, posição e gestão do esforço.
O foco não é a reinvenção radical, mas o afinar da eficiência. Bigham descreve o seu papel como tornar os corredores mais rápidos “sem terem de fazer mais esforço”, aplicando ciência à aerodinâmica, mudanças, escolha de pneus e execução em prova. Para um corredor já no topo do pelotão, essa nuance conta.

Porque é que Evenepoel encaixa no processo

Uma parte crucial da confiança da Red Bull reside no próprio Evenepoel. Segundo Bigham, a mentalidade do belga torna a busca por ganhos marginais viável, não apenas teórica.
“Ele é de mente aberta, tem pensamento progressista e está motivado”, assinalou Bigham. “Quando fazemos testes em túnel de vento com ele, está sempre disponível para experimentar coisas novas”.
Essa disponibilidade não é obediência cega. Bigham admitiu que Evenepoel foi inicialmente cauteloso com algumas mudanças, sobretudo ao nível das mudanças, mas sublinhou que a confiança nos dados, e não no instinto, tem sido decisiva. “As pessoas acham que é preciso confiança para rolar com um desenvolvimento tão pesado, mas isso é um disparate”, afirmou. “Temos é de confiar na ciência”.

Pequenas mudanças, ganhos significativos

Entre os ajustes já feitos estão afinações no vestuário e na transmissão, apoiadas por ferramentas de simulação da Red Bull originalmente desenvolvidas na Fórmula 1. O objetivo não é o espetáculo, é a eficiência: linhas de corrente mais retas, menores perdas na transmissão e gestão de esforço mais precisa em esforços curtos e rápidos.
Bigham também foi inequívoco sobre o perfil físico de Evenepoel.
“Não conheço ninguém no pelotão tão aerodinâmico como ele”, avaliou, salientando que a capacidade do belga para produzir potência mantendo uma posição extremamente eficiente continua a ser rara, mesmo ao nível WorldTour.

Porque isto importa agora

Evenepoel entra no contrarrelógio do UAE Tour com um pequeno atraso para Isaac del Toro após a 1ª etapa, mas o foco interno da Red Bull é mais amplo do que recuperar segundos em Abu Dhabi. A corrida serve de referência inicial numa época cuidadosamente estruturada em torno de objetivos de longo prazo.
Essa perspetiva explica porque a mensagem final de Bigham foi tão reveladora quanto o elogio. “Sempre. É esse o jogo”, respondeu quando lhe perguntaram se ainda eram possíveis novos ganhos.
Para um corredor que já domina a disciplina, essa crença é talvez a declaração mais significativa. Evenepoel pode já ser a bitola contra o cronómetro, mas no núcleo de performance da Red Bull a premissa é clara: ser o melhor não significa ficar parado.
E quando o cronómetro arrancar nos Emirados, essa mentalidade pode revelar-se tão importante quanto a velocidade pura.
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