A vitória a solo de
Tadej Pogacar na
Strade Bianche 2026 foi exatamente o que os adeptos esperavam, mas não deixou de ser incrível de ver. No mais recente episódio do
podcast The Move, Spencer Martin,
Johan Bruyneel e
George Hincapie dissecaram a corrida.
A preparação perfeita e um ataque de antologia
O momento-chave da corrida aconteceu no
setor de gravilha de Monte Sante Marie. Mesmo sabendo que Pogacar atacaria ali, ninguém o conseguiu travar. Johan Bruyneel, que assistia à beira da estrada, explicou que a velocidade era inacreditável.
“Estávamos em Sante Marie quando o Pogacar atacou. Quer dizer, ele foi-se embora. Já ia isolado”, explicou Bruyneel. “Aquelas secções são muito mais duras do que parecem na televisão, para começar, muito mais duras. E depois, sabem, a velocidade a que o Pogacar passou… é de ficar boquiaberto como ele tem este exercício sob controlo. Vai, ganha um minuto e depois gere esse minuto”.
Alguns consideram este estilo previsível e aborrecido, mas não é o caso para Bruyneel. “Ouço muita gente dizer, ‘Ah, é sempre a mesma coisa, é aborrecido.’ Eu adoro isto. É simplesmente bonito ver este tipo de domínio e ver esta arte. É como arte. O Pogacar dominou a arte de atacar e manter a fuga à distância em qualquer terreno, contra qualquer pelotão, e limita-se a fazê-lo”.
Tadej Pogacar e Isaac del Toro no pódio após a Strade Bianche 2026
George Hincapie acrescentou que chegar a esse ponto da corrida exige um esforço colossal de toda a equipa. “Como ex-ciclista profissional, sei bem como é difícil, primeiro, manter a equipa junta nestas estradas da Toscânia, onde não há retas, é tudo sobe e desce, vento, curvas e contracurvas, muito técnico com a gravilha. Mas ver a equipa toda na frente, o Kevin Vermaerke, por exemplo, um corredor americano, literalmente a conduzir o pelotão em algumas das estradas mais duras e técnicas da Europa, é simplesmente impressionante de ver”.
Uma grande questão que os adeptos colocam é por que motivo o grupo perseguidor não se organiza para apanhar Pogacar. Bruyneel explicou a realidade brutal do ritmo. “No momento em que o Pogacar arranca, descola, todos estão no limite e já isolados. Ninguém tem colegas, porque a UAE tornou a corrida tão dura que tudo rebenta. E demora muito a organizar-se”.
Hincapie sublinhou que a potência de Pogacar é apenas metade da história, já que a sua destreza técnica e colocação são inigualáveis.
“Para mim, o mais impressionante é a forma como ele se posiciona, sem medo, e se mantém na frente do pelotão. Estas corridas são sobre como ficas na frente poupando energia. Com ele isso já nem se coloca. Está onde quer, quando quer, e não só sozinho, com toda a equipa. Não há como travar este homem. E estamos a assistir à história todas as vezes que ele sobe para a bicicleta”.
Os teenagers a tomar conta do pódio
Enquanto Pogacar seguia sozinho, a luta atrás foi cativante. Paul Seixas, de 19 anos, e Isaac del Toro, de 21, discutiram os restantes lugares do pódio. Spencer Martin ficou impressionado com o esforço de Seixas para largar um corredor tão forte como Del Toro.
“O Paul Seixas ataca, ganha espaço. O Del Toro faz um grande trabalho, fica com ele. Rola cerca de 30 minutos até à meta a puxar sozinho… e depois larga o Del Toro na subida final, de forma impressionante. Fica em segundo. Fiquei pasmado, depois de ele o ter puxado talvez por mais de meia hora”.
Hincapie ficou igualmente surpreendido com o desempenho do jovem francês, sobretudo tendo em conta a força de Del Toro.
“Não nos enganemos, o Isaac del Toro é um killer, e estava na posição perfeita na roda do Paul Seixas. Se conseguisse ir com o Pogacar, teria ido… O Paul Seixas tem 19 anos, é ainda um teenager, praticamente júnior, a conseguir o segundo lugar, a largar o Isaac del Toro, que na semana passada deixou para trás os melhores do mundo nos Emirados. Coisa mesmo séria”.
Bruyneel destacou uma grande diferença entre estes teenagers modernos e o Pogacar quando tinha a mesma idade.
“Quando o Pogacar tinha 19, 20 anos, parecia um miúdo. Não estava de todo formado ou otimizado. Acho que essa é a diferença, especialmente com o Seixas e o Del Toro, que já são super profissionais de topo nessa idade”.