Mattias Skjelmose chegou à
Volta à Catalunha 2026 à espera de mais de si próprio do que acabou por conseguir, e o seu veredito espelha essa frustração.
“Não estou especialmente impressionado comigo”,
disse à TV2, ao refletir sobre a sua primeira presença em provas por etapas nesta temporada. A expectativa era outra. “Achei que estava num nível diferente do que realmente estava”, acrescentou, sublinhando o fosso entre o que sentia à partida e o que conseguiu mostrar na estrada.
Um sétimo lugar final não é um resultado a descartar, sobretudo tendo em conta a profundidade do pelotão e a presença de corredores como Jonas Vingegaard na dianteira.
O próprio Skjelmose reconheceu isso, notando que “sétimo lugar não é mau neste tipo de pelotão”, mas o tom da sua avaliação deixou claro que o número, por si só, não refletia as suas ambições. “Simplesmente esperava mais”.
Uma corrida que nunca abriu
Jonas Vingegaard, Remco Evenepoel, Tom Pidcock e Mattias Skjelmose sobem juntos na Volta à Catalunha 2026
Parte da frustração resultou da forma como a prova se desenrolou, sobretudo na etapa final, onde Skjelmose tentou endurecer num final muito controlado. “Foi incrivelmente duro”, descreveu. “Foi mesmo difícil fazer diferenças”. Mesmo quando surgiam pequenas aberturas, eram quase impossíveis de manter. “Sempre que havia um pequeno espaço, fechava-se com facilidade, porque é difícil sustentar a fuga na frente, sobretudo quando voltamos a juntar-nos num grupo grande”.
Esse padrão refletiu o tema da semana. As oportunidades foram limitadas e, quando apareceram, exigiram uma afinação que Skjelmose sentiu ainda não ter.
A 6ª etapa foi particularmente penalizadora. Ficou descolado numa descida quando a corrida partiu, ficou do lado errado do movimento decisivo e perdeu tempo significativo. Uma queda no mesmo dia agravou os danos, transformando uma situação difícil noutra que praticamente encerrou qualquer hipótese de subir na classificação geral.
Sem alarme antes dos próximos objetivos
Apesar disso, não há sinais de preocupação em Skjelmose quanto ao que vem a seguir. A sua leitura da Catalunha encaixa num padrão que reconhece de épocas anteriores. “É a minha primeira prova por etapas em muito tempo e, às vezes, preciso de uma corrida por etapas para embalar”, explicou, encarando o resultado como parte de um processo e não como um aviso.
Esse processo prossegue agora na Volta ao País Basco, onde espera apresentar uma versão diferente de si. “Normalmente preciso de descer da altitude, fazer uma corrida por etapas, descansar um pouco e, depois, costumo voar”, observou. “Por isso, estou ansioso pelo País Basco”.
Para já, o foco imediato é a recuperação. “É bom ter isto feito e registado”, acrescentou. “Estou desejoso de relaxar um pouco e voltar a correr na próxima semana”.
No conjunto, os seus comentários apontam menos para um corredor à procura de respostas e mais para alguém a recalibrar expectativas após uma semana aquém do padrão interno. A frustração é evidente, mas também a convicção de que o nível esperado está lá, ainda que não totalmente alcançado.