Brady Gilmore (NSN Cycling Team) prolongou o arranque de sonho no WorldTour, ao alcançar o pódio na sua primeira clássica ao mais alto nível. O australiano de 24 anos, que só se tornou profissional esta época e que em 2025 ganhou 2 etapas da Volta a Portugal ao serviço da Israel - Premier Tech Academy, sprintou para o terceiro lugar na
Cadel Evans Great Ocean Road Race, em Geelong, depois de um problema mecânico tardio ter afastado Corbin Strong, o líder designado da equipa.
A exibição de Gilmore fecha um notável bloco de verão na Austrália, depois de dois quartos lugares em etapas no Tour Down Under (nas etapas 4 e 5). Em início de janeiro, foi ainda sexto na prova de fundo dos nacionais australianos.
“Na verdade, nem acredito. Surpreendi-me a mim próprio na semana passada no Tour Down Under e trouxe, sem dúvida, essa confiança para hoje”, declarou Gilmore aos jornalistas na meta, em declarações recolhidas pelo
Cycling News. “Acabar no pódio… claro que quero sempre ganhar, mas sendo a minha primeira clássica WorldTour, não me posso queixar do terceiro lugar. Acho que é muito bom e um bom início de ano”.
Plano B em ação
Tobias Lund Andresen celebra a vitória na Cadel Evans Great Ocean Road Race 2026
Gilmore não era o “Plano A” da equipa para o dia. Esse papel cabia a Corbin Strong, especialista no circuito de Geelong e que fora top-6 nas últimas três edições. Porém, o guião desfez-se na subida final à Challambra Crescent.
“Foi um dia realmente bom. Os rapazes fizeram um trabalho incrível a colocar-nos para a subida final. Cheguei ao topo com o grupo da frente, mas, infelizmente, o Corbin teve um problema mecânico”, explicou Gilmore. “A partir daí, só ouvi que tinha de correr na dianteira, e foi isso que fiz. Posicionei-me e dei o meu melhor”.
O diretor desportivo Sam Bewley elogiou a capacidade do neo-profissional para se adaptar de imediato quando o azar atingiu o líder. “O problema mecânico mudou tudo, por isso tivemos de improvisar nos últimos sete a oito quilómetros”, observou Bewley.
Hábito de subir o nível
No sprint de um pelotão reduzido a menos de 20 corredores,
Gilmore terminou atrás do vencedor Tobias Lund Andresen e do segundo classificado Matthew Brennan, mas à frente do campeão em título Mauro Schmid. Não foi a primeira vez este mês que Gilmore prosperou no caos. No Tour Down Under, foi obrigado a lançar Ethan Vernon na 4ª etapa após uma queda, guiando o colega ao triunfo enquanto concluía em quarto.
“O Brady voltou mesmo a subir o nível. É ótimo ver que, quando tem estas oportunidades, mesmo que surjam tarde na corrida, ele consegue corresponder e capitalizar. Levar um pódio na sua primeira clássica WorldTour é um grande feito e muito promissor para o futuro”, acrescentou Bewley.
Com o verão australiano concluído, Gilmore ruma agora à Europa. O foco passará a ser o apoio ao colega Biniam Girmay na Clássica de Almería, seguindo-se um calendário que deverá incluir o Troféu Laigueglia, a Volta à Catalunha e as Clássicas das Ardenas. “Mal posso esperar para começar”, antecipou Gilmore.