Nairo Quintana aceita que o fim da carreira está mais perto do que longe. O corredor de 36 anos não fixa uma data concreta, mas reconhece que a conclusão do seu capítulo profissional se aproxima. Entretanto, vai cumprir em 2026 a sua 11.ª época na
Movistar Team, a equipa à qual esteve ligado na maior parte da carreira e com a qual alcançou os seus maiores sucessos.
“A verdade é que me tenho sentido bem, e primeiro é preciso desfrutar e aproveitar ao máximo enquanto se pode,”
disse o colombiano ao AS numa entrevista, satisfeito por as pernas continuarem a responder. Essa fibra competitiva ficou
bem visível recentemente na Volta a Omã, onde, na subida a Green Mountain, esteve muito perto da vitória e do recorde de Chris Froome.
“Acho que tive a oportunidade de cuidar realmente de mim, de manter a saúde, e quando a saúde aguenta, o corpo responde muito bem. É isso que me dá alegria e me motiva a continuar lá na frente,” afirma Nairo, convicto de que a consistência e o profissionalismo foram chave para se manter competitivo face às gerações mais jovens.
Quanto ao futuro, Quintana não prevê um corte total com o ciclismo: “Sou bastante inquieto e gostaria de continuar a formar-me academicamente. E mais tarde haverá coisas diferentes. Para já também temos projetos familiares, o nosso gran fondo que se realiza todos os anos, um festival desportivo muito completo. No dia em que decidir deixar a bicicleta, seguramente estarei ocupado e ligado ao desporto, sobretudo à sua promoção e educação.”
Embora admita que aceitar a passagem do tempo não é fácil, também não dramatiza. “Percebe-se que a minha retirada está mais perto porque já não tenho 20 ou 25 anos, tenho 36, e mesmo que custe à cabeça aceitar, o tempo passou e vi muitas gerações passarem, e eu continuo aqui a pedalar a bom nível e a desfrutar. Para já vou continuar a aproveitar, e depois verei o que acontece quando chegar o momento.”
Nairo Quintana ainda desfruta da bicicleta e não pondera a retirada
Sem assuntos pendentes para Nairo
Com um palmarés que inclui uma Volta a Itália e uma Volta a Espanha, além de vários pódios na Volta a França, Quintana insiste que não deixou assuntos por resolver: “Vencer, quero sempre ganhar tudo, mas não tenho uma espinha cravada nem qualquer remorso porque, quando se dá tudo, não há nada a censurar. Preparei-me bem e depois o resultado foi o que foi, dando o meu máximo. Nunca me deixei ir, nunca apareci com peso a mais, nunca fora de tempo, sempre com o máximo profissionalismo.”
Reflete até sobre a evolução física do pelotão atual: “Vi alguns jovens e são todos super altos, outro protótipo de ciclista, e comecei a pensar nesses corredores mais leves e até em mim próprio, o quanto temos de batalhar para os enfrentar porque, em termos de potência e tipo de corpo, têm uma grande vantagem, e o que alcançámos é realmente meritório. Estou muito feliz com o que fiz.”
Sem nostalgia nem queixas, Nairo cumpre as derradeiras épocas com a serenidade de quem sabe que marcou uma era e que, quando chegar a hora, continuará ligado ao desporto que lhe deu tudo.