“Nem consigo imaginar uma comparação” - Paul Seixas sobre Tadej Pogacar e a estreia na Volta a França

Ciclismo
sexta-feira, 08 maio 2026 a 12:00
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Paul Seixas vai ser o ciclista mais jovem na Volta a França de 2026 e um dos muitos debutantes. O francês falou longamente sobre a estreia dentro de dois meses, a mentalidade e a mudança de treino para a prova, bem como a comparação com Tadej Pogacar.
Era algo fortemente apontado há vários meses, mas só nesta segunda-feira foi oficialmente anunciado que o jovem de 19 anos apontaria à próxima Grand Boucle. Com os persistentes problemas de saúde de Olav Kooij, pode acabar por assumir a liderança única da equipa.
“Para o meu avô, é algo excecional. Ele vê o Tour há muito tempo, e eu também desde pequeno. É um sonho de infância tornado realidade, e estou muito feliz por poder partilhá-lo com a minha família”, expresou Seixas no Super Moscato Show.
A decisão, porém, foi tomada antes de segunda-feira, como confirmou: “Não havia muitas pessoas que soubessem. O meu avô e a minha avó não sabiam. Sabiam os meus pais, o meu irmão e a direção da equipa. Foi isso, seis ou sete pessoas, não mais”.

Uma viagem de descoberta para Paul Seixas

Em corridas de um dia, Seixas mostrou a sua valia, e nas provas de uma semana fez o mesmo esta primavera. Recentemente, em abril, venceu a Volta ao País Basco e a La Flèche Wallone, foi também segundo atrás de Pogacar na Liege-Bastogne-Liege - onde respondeu ao primeiro ataque de Pogacar na La Redoute.
O passo lógico seguinte é testar-se numa Grande Volta. “Acho que sempre quis fazer o Tour este ano. Houve muitas hipóteses em competição com o Giro e a Vuelta, mas rapidamente se recentrou no Tour. Era muito importante para mim fazer uma corrida de duas ou três semanas este ano”.
A nacionalidade francesa e a equipa francesa tornavam inevitável a presença no Tour, mesmo que as ambições passassem por caçar etapas e, eventualmente, a montanha. Mas quer perceber onde se situa entre os grandes candidatos à geral.
“Sim, claro, vou para a classificação geral, não quero perder tempo na primeira semana para ir às etapas. Quero mesmo correr para a geral”, assegura. “É aí que vou ganhar muita experiência”.
“A primeira semana será algo que conheço, ainda que no Tour seja diferente por tudo o que o rodeia. Os corredores estão extremamente motivados. Todos chegam no auge. Depois, as últimas duas semanas serão desconhecidas para mim. Haverá uma parte de descoberta, mas espero estar lá em cima”.

Seixas não se compara a Tadej Pogacar

As exigências de uma Volta a França superam as de qualquer corrida que fez este ano, a começar pelas subidas longas. O traçado deste ano tem a etapa rainha no 20º dia, com mais de 5000 metros de desnível até ao Alpe d’Huez. Isso exige uma preparação diferente da realizada na primavera.
“Quando olhas para os meus objetivos, trabalhei mais esforços curtos, de quatro ou cinco minutos. Agora será uma preparação diferente, mais em torno do limiar. Em esforços longos, espero ser ainda melhor. A durabilidade, repetir esforços e gerir os dias fará grande diferença”.
Tadej Pogacar, Paul Seixas e Remco Evenepoel no pódio final da Liège-Bastogne-Liège 2026
Tadej Pogacar, Paul Seixas e Remco Evenepoel no pódio final da Liège-Bastogne-Liège 2026
A durabilidade é onde Pogacar leva vantagem sobre Seixas, como ficou claro na Liège, onde Seixas respondeu ao primeiro ataque, mas cedeu por completo no segundo. É talvez o atributo que mais se tornou crucial no ciclismo profissional nos últimos anos.
“Os factos falam por ele. Ganhou quase tudo no início da época e venceu o Tour quatro vezes”, elencou Seixas sobre Pogacar. “Por agora, nem consigo imaginar uma comparação. Mas, claro, vou lutar para ser o melhor que posso e tentar provocá-lo um pouco, nem que seja no início do Tour”.
Mas, ao mesmo tempo, não quer limitar-se: “Nada é impossível, mas é preciso medir as ambições. No Tour, será diferente. Tens de gerir bem os esforços. Serei mais contido, vou calcular mais, sabendo que há três semanas pela frente e que nunca o fiz antes”.
No Tour Auvergne - Rhône Alpes, só Isaac del Toro está previsto competir. Seixas entra no Tour sem competição recente frente a outros rivais diretos ao pódio. Terminar no Top 3 já seria um grande sucesso para o luso descendente, confirma.
“Se tivesse de escolher, acabar no pódio dar-me-ia mais satisfação. Mas se houver um dos três, um pódio, uma grande vitória de etapa ou vestir de amarelo, acho que o Tour seria bem-sucedido. Em qualquer caso, não há fracasso. É uma descoberta”, concluiu.
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