A despromoção da
Cofidis do WorldTour no final da última época obrigou a histórica formação francesa a repensar a sua abordagem desportiva. Agora a competir como ProTeam no próximo ciclo de três anos, a equipa depende de convites para entrar nas maiores provas, realidade que desencadeou uma mudança estratégica clara para
acumular pontos UCI de forma consistente.
Após um período difícil, a estrutura francesa adotou um modelo cada vez mais comum no pelotão, priorizando colocações regulares e consistência global em detrimento de vitórias isoladas. A lógica é simples, garantir convites para os principais eventos depende agora de uma soma constante de pontos ao longo da época.
Após a vitória na Volta à Turquia, o sprinter Stanisław Aniołkowski refletiu sobre o impacto da despromoção em declarações à
WielerFlits: “Perder a licença WorldTour foi um momento difícil para toda a equipa. Mas o nosso patrocinador continuou a acreditar em nós. Tivemos três anos menos bons e, no fim, descemos por apenas cerca de 300 pontos, creio. Lutámos até às últimas corridas na China e no Japão, mas infelizmente não chegou. Foi uma lição para nós”.
Apesar do revés, a Cofidis respondeu em força em 2026, afirmando-se como uma das equipas mais consistentes ao nível ProTeam. O sprinter polaco sublinhou a transformação interna: “Como se vê, começámos muito bem esta temporada, porque estamos agora algures no top-10 do ranking de equipas deste ano. Mudámos a nossa mentalidade. Temos um novo plano e estamos a segui-lo”.
Na prática, a formação francesa surge atualmente entre as melhores no Ranking UCI de Equipas de 2026, destacando-se como a ProTeam mais eficaz e superando inclusive várias estruturas WorldTour. Essa consistência assenta num calendário cuidadosamente estruturado e num fluxo constante de resultados em diferentes categorias.
As vitórias já chegaram no GP La Marseillaise, na Volta à Andaluzia, no GP Miguel Indurain e numa etapa da Volta ao País Basco. Colocações sólidas em corridas como a Clássica de Almería, a Figueira Champions Classic e a Volta aos Alpes Marítimos reforçaram ainda mais o pecúlio de pontos, a par de prestações consistentes em voltas como o Paris–Nice.
Sylvain Moniquet também deixou claro que o foco da equipa assenta fortemente nos pontos, mesmo que isso implique falhar as maiores grandes voltas: “Não creio que vá fazer a Volta a França. Mas tenho um bom programa para somar pontos, em corridas 1.Pro e 2.Pro. Estou muito motivado por esses pontos. Claro que gostaria de ir ao Tour, mas também tenho um bom calendário nesta equipa, onde por vezes tenho liberdade”.
Foi ainda mais longe ao sublinhar a importância desta abordagem: “Esses pontos podem ser até mais importantes do que uma vitória. Veja-se a Volta à Turquia: o Stan ganha, mas não sei quantos pontos isso dá, talvez 25? A Turquia não é a maior corrida do calendário, mas temos de apontar sempre a uma classificação geral forte pelos pontos, isso é mesmo importante. Também nas corridas da ProSeries”.
Esta filosofia explica igualmente várias decisões estratégicas no programa competitivo. Apesar de ter direito automático a wildcards para todas as provas WorldTour em 2026, graças ao ranking de 2025, a Cofidis optou por abdicar da Volta a Itália em favor de um calendário preenchido com corridas mais pequenas que oferecem maiores oportunidades para pontuar.
O trepador experiente Emanuel Buchmann compreende a decisão, como referiu: “Também temos de fazer todas as corridas francesas como equipa. No ano passado tivemos de correr todas as provas WorldTour e acho que isso foi um pouco demais para nós. É bom que este ano façamos apenas duas Grandes Voltas. Sente-se mesmo a diferença, porque todos têm menos dias de competição e começam mais frescos. Isso faz grande diferença. Claro que os pontos são importantes. Queremos voltar ao WorldTour, esse é o objetivo, por isso estamos mesmo a lutar por esses pontos UCI este ano”.
Com um calendário mais seletivo, corredores mais frescos e uma mentalidade centrada na consistência, a Cofidis mostra-se claramente determinada a regressar ao primeiro escalão do ciclismo. Nesta nova realidade, o sucesso já não se mede apenas por vitórias, mas pela acumulação incessante de pontos que pode garantir o regresso ao WorldTour.