"O que estamos a ver, aos meus olhos, é o melhor ciclista de sempre" - Comentador britânico sobre o domínio de Tadej Pogacar e Mathieu Van der Poel

Ciclismo
quinta-feira, 01 janeiro 2026 a 10:00
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2025 foi o ano de Tadej Pogacar e Mathieu van der Poel. Os dois venceram os cinco monumentos do ciclismo, conquistaram os títulos mundiais de estrada e de ciclocrosse, e dominaram praticamente todas as corridas em que apontaram baterias, com triunfos autoritários. Isso gerou momentos monótonos em alguns dos eventos mais importantes da modalidade, alimentando opiniões polarizadas sobre as corridas.
“Há 36 eventos World Tour no ano, ele venceu oito. Cobri muitas dessas provas e percebo perfeitamente que ninguém gosta de domínio”, comentou Brian Smith à CyclingWeekly. Não só venceram os cinco monumentos, como praticamente nenhum outro corredor entrou verdadeiramente na discussão. Pogacar dominou a Liège–Bastogne–Liège e a Il Lombardia com um ataque solitário e premeditado; no Paris–Roubaix os dois estiveram muito à frente da concorrência; enquanto na Volta à Flandres e na Milan-Sanremo houve mais candidatos, mas ficou claro que, nas subidas, ambos estavam acima do restante pelotão.
Mas o domínio de Pogacar é diferente do da década de 2010, quando as Grandes Voltas e corridas por etapas eram controladas por uma Team Sky muito mais conservadora, que beneficiava da profundidade do plantel, de ritmos constantes em subida e de capacidades de contrarrelógio largamente superiores, usadas para fazer a diferença face à concorrência. “Ninguém gostou do que a Team Sky fez à Volta a França na geral, as pessoas não se entretinham. Mas acho que agora têm estado entretidas".
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Pogacar terminou no pódio em todas as grandes voltas que correu (5 vezes primeiro, 2 segundo e 1 terceiro)
É forte o argumento de que, enquanto corredores como Bradley Wiggins e Chris Froome tinham pouca margem para discutir clássicas fora das longas ascensões e dos contrarrelógios, Tadej Pogacar consegue fazê-lo e leva a sua capacidade de trepador para corridas tradicionalmente decididas por sprinters ou puncheurs. Trouxe novas dinâmicas às clássicas da primavera e motivou outros a tentar replicar o modelo.
E com dois monumentos ainda por conquistar, o esloveno tem bons motivos para continuar a elevar o nível. “O fogo que arde dentro do Pogacar é o facto de ainda não ter vencido a Milan-Sanremo. Ainda não venceu a Volta a Espanha. Digo ‘ainda’ porque acredito que pode. O que é que lhe falta provar? O que é que vai fazer mais?”
É plausível dizer que o Paris–Roubaix é a corrida que mais o motiva, e está certa no seu calendário na próxima primavera. Já testou material nos empedrados do norte de França no início de dezembro e, depois de uma estreia com segundo lugar este ano, há bons motivos para acreditar que pode vencer o “Inferno do Norte” – uma prova que se tornou mais previsível nos últimos anos, com van der Poel a somar três edições consecutivas.
Sobre Pogacar, Brian Smith coloca-o acima de Eddy Merckx e outras figuras históricas. “Temos de acreditar nisso. Ele é o atleta completa neste momento e, aos meus olhos, o que estamos a ver é o melhor ciclista de sempre”.

Van der Poel é o mesmo no ciclocrosse?

Entretanto, no ciclocrosse, pode dizer-se o mesmo de Mathieu van der Poel. Desde 22/01/2023, van der Poel só foi derrotado uma vez, na Taça do Mundo de Benidorm 2024, onde caiu de forma célebre. Venceu 30 das suas últimas 31 corridas de ciclocrosse, frente aos melhores do mundo, longe de uma concorrência modesta.
Mathieu van der Poel a celebrar uma vitória numa corrida de ciclocrosse
Mathieu van der Poel segue invicto na temporada de ciclocrosse 2025-2026, e a sua última derrota foi há quase dois anos. @ProShots
Está também à beira de fazer história, já que ninguém conseguiu sequer aproximar-se dele neste inverno, e um triunfo em Hulst, no espaço de um mês, torná-lo-ia oito vezes Campeão do Mundo na disciplina, acima de todos os que competiram em ciclocrosse.
Pode argumentar-se que o domínio de van der Poel no ciclocrosse masculino é ainda mais monótono, mas Smith defende que, neste caso, há muito pouca tensão e excitação envolvidas: “É um pouco como ver a Fórmula 1. Vês a partida e depois há gaps por todo o lado, não há realmente emoção”.
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