“Pode sempre sonhar, mas a maioria dos sonhos é um pesadelo” Oscar Onley e INEOS debaixo de escrutínio

Ciclismo
terça-feira, 20 janeiro 2026 a 23:01
Oscar Onley
A INEOS Grenadiers fez uma das declarações mais arrojadas do mercado ao contratar Oscar Onley, acabado de sair de um quarto lugar na Volta a França. É um movimento assente em confiança, timing e ambição. Mas fora da equipa, nem todos acreditam que o próximo passo esteja assim tão perto.
No podcast Kop over Kop, analistas questionaram se a INEOS, mesmo com Onley e Kevin Vauquelin adicionados ao plantel, está realmente equipada para lutar pela Volta a França na era de Tadej Pogacar e Jonas Vingegaard. A mensagem não foi subtil. O sonho é grande, mas a realidade pode ser dura.
Dentro da INEOS, a narrativa é de reconstrução e renovação de ambição após cair ao oitavo lugar no ranking UCI por equipas em 2024. Em 2025 reagiram com corrida agressiva e vitórias de etapa nas três Grandes Voltas. Mas vitórias de etapa não definem esta equipa. A Volta a França, sim.
E é aí que nascem as dúvidas.

Pressão no topo

Bobbie Traksel disse que o clima à volta da INEOS é moldado tanto pelos patrocinadores como pelos resultados. “Estamos no topo e, se não estivermos no topo, não queremos fazer parte disto.”
Essa pressão passa diretamente para a ambição desportiva. “Se fosse convosco, mostrava muito rapidamente que podem ganhar a Volta a França, porque caso contrário vão desligar a ficha.”
Para uma equipa em reconstrução após um período difícil, é um lugar perigoso para viver. Significa que cada contratação é avaliada não pela evolução ou trajectória, mas por parecer um vencedor imediato da Volta.
É essa a lente através da qual Onley está agora a ser visto.
Onley terminou em 4.º lugar à geral na Volta a França 2025
Onley terminou em 4.º lugar à geral na Volta a França 2025

O que significa realmente o quarto lugar

O quarto lugar de Onley na Volta foi histórico para ele e enorme para a Picnic PostNL. Foi também o resultado que o colocou nos planos a longo prazo da INEOS. Mas essa prestação foi enquadrada menos como um começo e mais como um teto.
Jeroen Vanbelleghem foi direto: “Onley foi quarto na Volta o ano passado. Na minha opinião, não pode fazer melhor do que isso com aquela lista de partida.”
E foi mais longe: “Não o vejo em terceiro com um pelotão daqueles.”
O argumento não é que Onley seja fraco. É que o topo do desporto está distorcido por dois corredores que baralham o que significa “progredir”. O quarto vira fracasso quando os mesmos dois nomes continuam a ganhar.
Essa leitura aproxima-se do que o próprio Onley já disse sobre a sua posição. Falando no início do inverno, descreveu o fosso à sua frente como grande e admitiu: “Ainda me sinto muito longe.”
Não é resignação. É realismo. Mas o realismo nem sempre encaixa nas expectativas de ganhar a Volta.

Sonhos, desilusão e vias alternativas

A conclusão de Vanbelleghem foi servida numa frase que depressa se tornou a citação definidora do debate: “Podemos sempre sonhar, mas a maioria dos sonhos é desilusão.”
Isto não é apenas sobre Onley. É sobre o contexto em que entrou.
Na mesma discussão, questionou se a Volta deveria sequer ser o principal objetivo para um corredor como Onley nesta fase: “Então não seria mais interessante ir a um pódio noutra Grande Volta?”
A implicação é clara. Giro ou Vuelta primeiro. Construir confiança. Construir liderança. Depois regressar à Volta quando o panorama mudar.
É uma linha de pensamento que até espelha as palavras do próprio Onley no início do inverno, quando falou abertamente de outras Grandes Voltas como metas realistas nos próximos anos. A diferença está no tom. Onley enquadra como oportunidade. Os comentadores, como limitação.

INEOS entre a crença e a realidade

A INEOS não contratou Onley para lutar pelo quarto lugar. Contratou-o porque parece alguém que pode tornar-se mais. Mas esta análise mostra como a definição de “mais” ficou estreita.
Vanbelleghem resumiu a visão do atual plantel com um desafio simples: “Com esta seleção, deviam esquecer isso.” Esse “isso” era claro. Vencer a Volta.
O risco não é Onley não ser bom o suficiente. O risco é ser colocado numa história onde só um desfecho é considerado sucesso.
O quarto na Volta costumava ser um triunfo. Agora é apresentado como prova de um limite.
Para a INEOS, as próximas épocas vão testar se conseguem construir com paciência à volta de Onley, ou se a pressão para bater Pogacar e Vingegaard de imediato transformará a crença em fardo.
E para o próprio Onley, o desafio não é apenas subir montanhas mais depressa. É sobreviver dentro de um sonho que, nas palavras dos críticos, arrisca tornar-se desilusão se for forçado a chegar demasiado cedo.
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