Com a Volta a Itália 2025 no horizonte, Primoz Roglic parte como principal favorito à vitória, e não apenas pelo seu currículo impressionante. O esloveno, agora com 35 anos, poderá tornar-se o mais velho vencedor da história da Corsa Rosa, superando o recorde do lendário Fiorenzo Magni. Mas, ao contrário do que a idade possa sugerir, Roglic não dá sinais de abrandamento - como ficou evidente na sua recente vitória na Volta à Catalunha, onde superou um dos talentos mais promissores do pelotão: Juan Ayuso, 13 anos mais novo.
“A minha opinião pessoal é que a maioria dos ciclistas tem 10 a 12 anos de alto rendimento, embora alguns consigam ir além disso”, afirmou Patxi Vila, diretor desportivo da Red Bull – BORA – hansgrohe, em entrevista à Rouleur. “O Primoz terminou bem a época passada, com boas corridas na Vuelta, e nada nos indica que o seu nível esteja a baixar. A idade é o que é, mas não falamos disso. O foco está no trabalho diário.”
A crescente presença de jovens talentos no topo do ciclismo mundial - como Vingegaard, Evenepoel ou Pogacar - obriga os veteranos a provar, ano após ano, que ainda merecem o seu lugar no grupo dos melhores. Roglic, no entanto, continua a fazê-lo com naturalidade.
“O ciclismo está a mudar muito depressa e estes jovens chegam com uma força enorme. O Ayuso teve um início de época brilhante, venceu a Tirreno-Adriatico. Mas acreditamos que o Primoz ainda se vai manter neste grupo de elite por mais tempo”, disse Vila.
E acrescenta: “Cada ano é um novo teste para confirmar o nosso estatuto. No fim da temporada, talvez entremos num novo ‘clube dos cinco ou seis grandes’, porque temos mais do que apenas Roglic. Com Jai Hindley a vencer o Giro em 2022 e Roglic a Vuelta, mostramos que somos uma equipa capaz de ganhar Grandes Voltas, algo que poucas conseguiram nos últimos anos.”
O diretor da equipa, Ralph Denk, reforça a confiança na longevidade competitiva de Roglič e sublinha a resiliência criada ao longo dos desafios da última temporada: “Se temos uma relação verdadeira, precisamos de passar por maus momentos para o provar. E tivemos isso no Tour. Mas regressámos mais fortes, especialmente na Vuelta. Esses contratempos fortaleceram-nos como equipa.”
Quanto à longevidade do campeão esloveno, Denk é optimista: “É um desporto exigente, de resistência. Esperamos que o motor dele ainda tenha combustível por mais tempo. Ninguém pode saber ao certo, mas estamos bastante confiantes”.