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Soudal - Quick-Step continua a poder apoiar-se no experiente sprinter Tim Merlier, mas o seu sucessor
Paul Magnier está a crescer tão depressa que pode eclipsar o colega belga num ápice. Aos 21 anos, somou 19 vitórias profissionais em 2025 e não dá sinais de abrandar na ambição de se tornar o melhor sprinter do mundo. E o francês pensa em grande, já a explorar a possibilidade de se afirmar também nas Clássicas do empedrado.
“Acredito que teremos muitos líderes para as Clássicas,
podemos jogar várias cartas com Dylan van Baarle, Jasper Stuyen, Tim Merlier, eu próprio e até
Laurenz Rex. Temos cinco grandes corredores capazes de ir longe na corrida”, disse Magnier a um pequeno grupo de jornalistas, incluindo a
Cyclingnews.
Este ano poderá ainda não ser o escolhido para os maiores palcos como a Volta a França ou o Paris-Roubaix, mas isso pode mudar rapidamente se brilhar nas provas de preparação. “Se já conseguir render a sério na Omloop [Het Nieuwsblad], Gent-Wevelgem e Dwars door Vlaanderen, vai ser uma época super bonita”, augurou.
E Magnier está certo de que a oportunidade de se mostrar no maior palco chegará. “Não quero queimar etapas e ir a corridas apenas para estar na linha de partida. É como a Volta a França; se um dia for ao Tour, quero estar em condição de render. Acredito que ainda tenho de evoluir e somar mais uma época nas pernas para poder realmente lutar nas maiores corridas”.
Importância de regressar às raízes da Wolfpack
Paul Magnier celebrou à T-rex na Polónia
Ainda esta semana,
Magnier prolongou contrato com a Wolfpack até 2029, num sinal de confiança mútua no projeto a longo prazo. “Acho que foi uma decisão natural para mim depois de uma época tão boa”, explicou Magnier. “A equipa mostrou muita confiança em mim e, com a saída do Remco, querem mesmo reconstruir a equipa para as Clássicas”.
A ideia alinha-se na perfeição com a visão de Magnier: “Para mim, foi uma decisão muito boa. Acho que somos a melhor equipa de sprint. Há muitas equipas que tentam ser as melhores do mundo ganhando corridas de CG. Acredito mesmo que a Wolfpack quer manter o foco nos sprints e nas Clássicas. Não querem gastar todo o dinheiro em corredores de CG e construir uma equipa inteira à volta de um líder de CG. Isso é algo muito importante para mim”.
Dinâmica Merlier-Magnier
Não vai muito longe o tempo em que a
Soudal - Quick-Step precisava de gerir vários sprinters de topo, mas se há equipa que sabe manter vários homens rápidos satisfeitos, é a formação belga.
Para já, a estratégia passa por dar a Magnier e Merlier programas de corrida totalmente distintos: “Acho que as únicas corridas que faremos juntos serão talvez a Gent-Wevelgem”, disse Magnier. E parece estar a resultar. Pelo menos por agora.
“Muita gente pensa que, quando há dois sprinters na mesma equipa, tentam ser rivais e disputar as melhores corridas. Não é o caso com o Tim. Temos programas completamente diferentes. Só queremos ajudar-nos mutuamente a ganhar o máximo de corridas possível, manter a equipa muito motivada e construir as melhores carreiras possíveis”.
Sonho de camisola arco-íris
Os sprinters aguardam uma oportunidade de vestir a camisola arco-íris desde o tricampeonato de Peter Sagan entre 2015-2017. E terão de manter a paciência, já que os próximos dois Campeonatos do Mundo, em Montreal e Alta Saboia, também não parecem oferecer o cenário desejado. Por isso, o olhar aponta a Abu Dhabi dentro de dois anos.
A menos que os organizadores decidam construir uma corrida artificialmente montanhosa...
“Dentro de três anos, os Campeonatos do Mundo de 2028 serão no Dubai e depois na Bélgica e na Dinamarca. Portanto, haverá três grandes oportunidades para ser campeão do mundo. É o maior objetivo da minha carreira”, declarou Magnier com tranquilidade.
“Espero muito não ter lesões, nem doenças, nada. Espero que tudo corra bem e, se tudo correr certo, porque não haver de estar um dia lá, a lutar pela camisola arco-íris?”