"Isto não era o que queríamos": Dirigente da Picnic PostNL apela à reforma do sistema de transferências após perda dolorosa de Oscar Onley

Ciclismo
sábado, 10 janeiro 2026 a 11:00
oscar onley
De volta à estaca zero. É assim que os gestores da Team Picnic PostNL devem sentir-se após a saída de Oscar Onley. Não é, de longe, a primeira vez que acontece na história da equipa. É uma história tão antiga quanto o tempo. Um talento cresce dentro da formação neerlandesa e, mal prova o sucesso internacional, abre asas. Marc Hirschi, Ilan Van Wilder e agora Onley saíram antes do que o proprietário da equipa, Iwan Spekenbrink, gostaria.
O escocês tinha contrato com a Picnic PostNL até 2027, mas, após o 4º lugar na Volta a França, a única equipa britânica no WorldTour, a INEOS Grenadiers, deixou de poder ficar à espera enquanto os seus líderes para a geral continuavam entre o oito e o oitenta. Com um orçamento muito maior, a melhor opção para a INEOS foi abrir os cordões à bolsa e reforçar o bloco de montanha, com Onley no centro das atenções.
E como a Picnic PostNL opera com um dos orçamentos mais pequenos do pelotão, uma equipa disposta a pagar até 6–7 milhões de euros para resgatar o contrato de Onley acabaria, inevitavelmente, por ser irrecusável.
“A nível pessoal, quando aconteceu, tive três ou quatro dias a dizer ‘raios’, não era isto que queríamos”, admitiu Spekenbrink, em declarações à Cyclingnews e ao Substack de Daniel Benson, em Calpe.

Despedida dolorosa

Spekenbrink sublinha que não houve azedume na despedida. Ainda que tenha demorado a digerir a perda da estrela formada em casa. “Quando constróis algo, quando tens sucesso e quando existe uma ligação muito forte, é sempre difícil”.
Para lá do rendimento em competição, o jovem de 23 anos estava também a afirmar-se como líder natural do grupo, uma qualidade que tornava o trabalho com Onley muito fluido. E isso reforça o porquê de ser tão difícil substituí-lo. “O Oscar tem integridade; é um tipo honesto, dá tudo pelo trabalho, foi um prazer trabalhar com ele”.
“Mas, deixando isso de lado, quando estás constantemente a construir equipas e olhando ao que fazemos, somos bons a recrutar e a desenvolver ciclistas. Há dois anos, poucos conheciam o Oscar. Temos um método para descobrir talento e investimos muito nisso”, exalta, orgulhoso. “O que aconteceu com o Oscar não é resultado de trabalhar mal; é resultado de trabalhar bem. É a confirmação do trabalho”.
“Quando tens sucesso, muitos ciclistas conseguem render. É como no futebol: quando fazes um bom trabalho, muita gente tem sucesso e tens de fazer escolhas. Foi o que aconteceu com o Oscar e tivemos de colocar, primeiro, o melhor interesse da equipa”.

O sistema tem de mudar

Spekenbrink está convencido de que o ciclismo profissional precisa de novas regras, mais rígidas, para regular negociações e transferências. Deposita confiança na UCI para encontrar uma solução que proteja as formações mais pequenas de superequipas “predatórias”, com orçamento praticamente ilimitado. Caso contrário, Pavel Bittner, Casper van Uden ou Max Poole podem, em breve, entrar no radar de estruturas maiores.
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Dos que ficaram na equipa, Bittner foi o que somou mais pontos UCI
“Precisamos de um sistema de transferências como no futebol”, atirou Spekenbrink, admitindo que, apesar das perdas de Onley e de outros ao longo dos anos, não se opõe a um modelo em que os ciclistas possam ser resgatados dos contratos. Mas as regras têm de ser iguais para todos.
“No futebol, podes mudar de equipa, mas tens de acordar uma taxa de transferência. Agora, jogam-se demasiados jogos no ciclismo, sobretudo por parte de agentes. É caos. Quer gostemos ou não, precisamos de um sistema em que, se tens contrato, exista também uma cláusula definida. Por esse valor, nem é preciso negociar: podes sair. Mas, se a quantia não for paga, o ciclista fica e respeita o contrato”.
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