Apesar do duro desabafo contra o atual presidente da Federação Espanhola de Ciclismo, José Vicioso, por alegadamente lhe ter prometido o cargo de selecionador nacional e depois o ter entregue, pelas suas costas, a Alejandro Valverde,
Óscar Freire não fecha a porta a assumir o cargo no futuro.
“Nunca se devem fechar portas”, explica o tricampeão do mundo, quando questionado sobre ocupar esse posto um dia, em entrevista ao
El Español.
“Para mim, o Mundial foi sempre algo muito especial. Sei o que é correr de bicicleta, o que é ganhar o Mundial e, acima de tudo, era a corrida que melhor preparava durante o ano”, diz. O espanhol vestiu a camisola arco-íris três vezes na carreira e destacou-se por chegar sempre no pico de forma àquela data específica do calendário.
Freire reflete também sobre o processo que acabou por colocar outra pessoa no comando da seleção. No seu entender, a escolha não se resumiu a critérios desportivos. “Fechar o capítulo, não. O que percebi é que isto é mais político do que desportivo e, no fim, não fui nomeado selecionador por causa disso”, aponta o ex-profissional.
Treinar o próprio filho?
Óscar Freire, tricampeão do mundo
Nesse cenário hipotético, Freire admite até uma situação particular: ter de tomar decisões que possam afetar o seu próprio filho, Marcos, que corre atualmente pela UAE Team Emirates Gen-Z.
“Ter de convocar o meu filho… Oxalá, se tiver nível, porque não. Acho que, neste caso, seria para os sub-23, não para o escalão profissional, mas adoraria tornar-me selecionador e convocar o meu filho, claro”, afirma.
Marcos não segue, para já, as pisadas do pai
O antigo sprinter avalia também o futuro desportivo de Marcos Freire e reconhece que a passagem ao profissionalismo não é linear. Na sua perspetiva, a evolução do jovem corredor será determinante para perceber até onde pode chegar.
“Acho que, se melhorar, pode ser um bom ciclista, mas se não melhorar terá de procurar outro desporto ou, quem sabe, talvez precise de dois ou três anos para se adaptar e evoluir”, explica Freire.
O jovem integrou a academia de talentos da melhor equipa do mundo antes da época de 2025, depois de um sólido ano de júnior em que somou 7 vitórias em estradas espanholas, mas a transição para o escalão sub-23 tem sido tudo menos simples. No primeiro ano, o melhor resultado de Marcos foi um 17º lugar numa das etapas ao sprint do Istrian Trophy (2.2), na Croácia.
No resto da temporada, o jovem Freire correu maioritariamente ao serviço dos seus líderes, surgindo muitas vezes um “DNF” ao lado do seu nome na folha de resultados. Um contraste evidente face ao compatriota Adria Pericas, cuja época de estreia na equipa Gen-Z lhe valeu de imediato uma promoção ao WorldTour para 2026.
O pai compara a progressão do filho com a das grandes estrelas do pelotão atual e sublinha que nem todos evoluem ao mesmo ritmo ou com a mesma facilidade. “É muito fácil quando és como o Pogacar, que vai a beber água enquanto os outros sofrem, mas nem todos são o Pogacar”, conclui.