Giulio Pellizzari passou no primeiro teste direto frente a
Jonas Vingegaard na
Volta a Itália, mas o italiano recusa usar a 2ª etapa, na Bulgária, como prova do que acontecerá quando a corrida chegar ao primeiro grande embate de montanha.
O ciclista da
Red Bull - BORA - Hansgrohe foi um dos dois únicos capazes de seguir Vingegaard quando o dinamarquês atacou perto do topo do Lyaskovets Monastery Pass, com Lennert Van Eetvelt também a juntar-se ao movimento. O trio chegou a parecer capaz de discutir a etapa antes de ser alcançado no último quilómetro, onde Thomas Silva sprintou para a vitória e vestiu a Maglia Rosa.
Para Pellizzari, foi ainda assim um sinal importante logo de início. Num dia caótico, marcado por uma queda coletiva antes da ascensão final, o italiano manteve-se de pé, respondeu ao principal favorito e terminou em quinto na etapa.
Em declarações ao Cycling Pro Net antes da 3ª etapa, Pellizzari evitou extrapolar o significado do resultado para a luta mais ampla pela geral. “Sim, estou a olhar para mim. Senti-me bastante bem, por isso podemos estar confiantes”, reforçou. “Claro que ontem foi uma subida curta, e será diferente quando tiveres 45 minutos a subir, como no Blockhaus. Mas, por agora, está tudo bem”.
Red Bull mantém-se ao ataque após susto com queda
O bom final de Pellizzari surgiu num dia difícil para o pelotão, com a queda em piso molhado a forçar uma neutralização temporária e a retirar várias figuras de primeiro plano da corrida.
A Red Bull evitou o pior. Aleksandr Vlasov esteve envolvido no incidente, mas Pellizzari assegurou que a equipa saiu sem as consequências vistas noutros lados. “Não foi o melhor com a queda, mas no fim todos estavam seguros”, disse. “Só o Vlasov caiu, mas agora está bem. Estamos contentes e continuamos a lutar”.
Essa última frase enquadra a posição da Red Bull após duas etapas. A equipa ainda não assumiu o controlo do Giro, e Vingegaard continua a ser a referência clara, mas a resposta de Pellizzari ao ataque da Visma mostrou que têm um corredor capaz de reagir quando a corrida aperta.
E aconteceu numa subida curta e explosiva, terreno que favorece a capacidade de arranque de Pellizzari. A grande questão é se o mesmo se repetirá quando o Giro chegar a ascensões mais longas, maior fadiga e o tipo de terreno onde se espera que Vingegaard imponha pressão mais sustentada.
“O teu país é sempre a tua casa”
Antes desses grandes testes, o Giro ainda tem mais uma etapa na Bulgária e um dia de descanso antes da transferência para Itália. Para Pellizzari, esse regresso tem peso extra. “Aqui é bonito, mas o teu país é sempre a tua casa”, disse. “Para nós, italianos, acho que sentimos mais o público em Itália. Mas estamos felizes por estar aqui, agora focados no dia de hoje e depois amanhã é dia de descanso”.
Esse foco é importante. A 2ª etapa deu a Pellizzari um impulso de confiança, mas também evidenciou como o Giro pode mudar num instante. Adam Yates, Jay Vine, Marc Soler e Santiago Buitrago já estão fora após quedas, enquanto outros candidatos ficaram a contas com lesões ou perdas de tempo.
Pellizzari ganhou atenções ao igualar o primeiro ataque de Vingegaard. Agora chega a tarefa mais dura: transformar uma resposta promissora num desafio real de três semanas quando o Giro entrar em estradas italianas.