Stefan Küng é, há vários anos, uma presença regular nas grandes clássicas do calendário. Desde 2022, soma cinco top-10 na Volta à Flandres e na Paris-Roubaix, mas a tão desejada vitória num Monumento continua a escapar-lhe. Em 2025, o suíço de 31 anos quer finalmente tentar dar um passo em frente.
“Para ganhar, é preciso estar disposto a perder. Mas essa mentalidade é, hoje em dia, mais difícil do que nunca no ciclismo profissional”, afirmou o ciclista da Groupama–FDJ numa entrevista ao Write Bike Repeat. Küng apontou para a mudança de mentalidade no pelotão, muito influenciada pela introdução do sistema de promoções e despromoções no World Tour.
“Quando me tornei profissional, ninguém falava de pontos. Havia licenças World Tour suficientes para todas as equipas com orçamento e ambição”, recorda. “Lembro-me que até tiveram de convencer a IAM Cycling a subir de escalão, caso contrário nem havia equipas suficientes. Hoje, são mais de 25 formações a lutar por 18 lugares. A concorrência é feroz.”
Küng explica que a luta por pontos mudou a forma como as equipas gerem os seus objetivos. “A classificação no ranking do World Tour tornou-se uma métrica universal. As equipas definem metas: ficar entre os seis ou oito primeiros, por exemplo. Isso cria uma tensão entre correr para ganhar ou correr de forma segura para somar pontos. Se fizeres oito grandes corridas a arriscares tudo e saíres de mãos a abanar, alguém vai dizer que talvez devesses correr de outra forma. Não é assim tão simples. Talvez nunca tenha sido tão difícil adoptar uma abordagem ofensiva e despreocupada.”
Ainda assim, o helvético mantém a ambição intacta. Depois de anos a disputar finais e a estar entre os melhores nas provas mais exigentes do calendário, sente que está perto de dar o passo decisivo. “O Greg Van Avermaet disse-me uma vez algo que nunca esqueci: ‘Tens de estar sempre nas finais. Quando isso se tornar natural, aí podes começar a pensar em vencer ou subir ao pódio’. É isso que tento fazer. Estar sempre lá. As oportunidades acabarão por aparecer.”