Era provavelmente inevitável que um dia acontecesse, mas Tadej Pogacar quebrou finalmente
Mathieu van der Poel na Milan-Sanremo de 2026. Contudo, o duelo ficou fortemente condicionado por uma
queda antes do final da corrida, que deixou Pogacar bastante rasgado e Van der Poel com uma visível lesão na mão esquerda. Embora a descarga de adrenalina tenha levado ambos pela última hora de prova, as consequências desta queda podem arrastar-se para os Monumentos do empedrado.
Pogacar não aparentou tanta limitação no rendimento e até igualou os seus tempos de escalada do ano passado, enquanto Van der Poel cedeu terreno no Poggio. Um mau sinal para o empedrado, onde o neerlandês quer recuperar o trono da Volta à Flandres e procurar o quarto triunfo seguido no Paris-Roubaix.
A lenda do empedrado
Tom Boonen receia que a lesão na mão possa criar problemas na campanha de clássicas que se segue: “…Vi a mão e estava inchada, e temo que seja pior do que pensamos…”, disse no podcast LSRF.
O belga partilhou depois a sua experiência num cenário semelhante: “Caí sobre as mãos uma vez. Nada partido, mas o tendão ficou exposto e tiveram de suturar…”, recorda. “Depois desenvolvi uma infeção por continuar a correr com mau tempo. Cheguei a Roubaix por um triz…”, admitiu, sublinhando como a presença esteve em risco. “As mãos são muito importantes para um ciclista. Espero mesmo que não seja grave”.
Demasiado a perder, pouco a ganhar
O maior adversário de Mathieu van der Poel será Tadej Pogacar. Conseguirá repetir o triunfo em Roubaix pelo quarto ano consecutivo?
Boonen sublinha ainda que, consoante a natureza da lesão, condições meteorológicas adversas podem agravar o estado da mão. E a previsão está longe de apontar a um dia solarengo na
In Flanders Fields - From Middelkerke to Wevelgem e na E3 Saxo Classic. “Preveem-se condições péssimas”.
Chuva e frio são uma coisa, mas as Ardenas Flamengas trazem um elemento único e perigoso, sobretudo na primavera. “As pessoas não percebem que, na Flandres, rolas por cima de estrume molhado. Os agricultores andaram lá com as máquinas e a porcaria fica na estrada”.
Uma ferida aberta torna-se, assim, uma porta aberta a infeções. E lutar contra uma infeção quando o rival é um fenómeno como Tadej Pogacar é o último cenário que qualquer ciclista deseja. Para Boonen, o plano é claro: “Correr à chuva não é de todo aconselhável, sobretudo com feridas. Uma infeção pode instalar-se rapidamente, muitas vezes ao fim de cinco dias”.
Com a Volta à Flandres e Paris–Roubaix no horizonte, valerá a pena o risco para o neerlandês e a sua Alpecin-Premier Tech? Boonen é taxativo: “Isso deve mesmo ser evitado”.
Para o belga, o foco tem de estar totalmente nos Monumentos do calendário. “Eu não teria corrido a Gent-Wevelgem nem a E3. Especialmente com Roubaix e Flandres no programa. Não arriscaria”.
Até porque a Alpecin pode jogar a outra carta, Jasper Philipsen, nas provas de preparação, enquanto Van der Poel poupa munições e acelera a recuperação para chegar no topo dentro de duas semanas. Quando verdadeiramente interessa.