O arranque de
Paul Seixas na
Volta ao País Basco 2026 não surgiu do nada. O jovem de 19 anos chegou como um dos ciclistas mais falados da época, mas as exibições consecutivas nas duas primeiras etapas transformaram essa expectativa em algo bem mais sólido, puxando para a linha da frente as comparações com
Tadej Pogacar.
Em declarações à Sporza, o ex-colega de equipa Milan Donie deixou claro que, do seu ponto de vista, este nível já era visível há muito tempo. “Já ao nível júnior era evidente que isto ia acontecer.”
Voltamos ao inverno de 2022-2023, quando Seixas ainda era largamente desconhecido fora do círculo francês, ao integrar pela primeira vez a estrutura júnior da AG2R. Mesmo nesse contexto, Donie recorda que surgiu rapidamente uma hierarquia clara.
“O Leo Bisiaux era o grande nome da equipa na altura, mas mesmo como júnior de primeiro ano, o Paul já apresentava resultados de testes melhores do que o Leo,” explicou. “Mesmo então, era de longe o mais forte em termos de números. Já era claro que isto ia acontecer.”
Exibições no País Basco aceleram a comparação com Pogacar
O que mudou esta semana não foi a existência desse potencial, mas o nível a que ele está a ser expressado. Perante um pelotão com nomes consolidados do WorldTour, Seixas não só competiu, como abriu diferenças decisivas. “Fiquei chocado quando vi o que ele fez ontem no País Basco,” admitiu Donie. “Não são nomes pequenos os que ele está a bater, com Del Toro, Roglic, Lipowitz, Ayuso…”
São esses nomes, e as margens entre eles, que transformaram a comparação com Pogacar de uma projeção a longo prazo para um debate do presente. “Olhem para o primeiro ano do Pogacar como profissional; os resultados são bastante comparáveis,” disse.
Donie vê essa trajetória a crescer depressa. “Acho até que ele já se está a aproximar agora,” acrescentou. “Na Strade Bianche, o Del Toro ainda ficou entre ele e o Pogacar, o que abriu um fosso. Mesmo assim, ele quase voltou.”
Olhando mais à frente, apontou para a progressão natural dos ciclistas deste nível. “Sabes que ele só vai ficar mais forte,” disse Donie. “O Pogacar também ainda teve de se sentar atrás do Roglic em 2020. Acho que ele acabará por chegar muito perto dele.”
Paul Seixas de amarelo na Volta ao País Basco 2026
A mentalidade por detrás da ascensão
Essa trajetória não assenta apenas em números, mas também na abordagem. Mesmo em juniores, Donie destaca uma mentalidade que diferenciava Seixas dos seus pares. “Sempre o achei muito maduro, uma pessoa muito calma,” disse. “Nunca olhou de cima para os outros. Mesmo sendo de longe o melhor, nunca se comportou com arrogância.”
Foi nos anos de júnior que essa mentalidade se traduziu numa mudança decisiva de ambição e compromisso. “Foi aí que ele percebeu: posso vingar como ciclista,” explicou Donie. “A partir daí, deu tudo.”
Esse compromisso vê-se na forma como Seixas treina face aos colegas. “O resultado é que às vezes faz loucuras,” disse. “No Strava, vê-se que ele faz um treino de oito horas fora de época, quando a maioria quer afastar-se da bicicleta. Esse é o Paul.”
Com uma trajetória que já iguala algumas das grandes referências da modalidade e com resultados agora a comprová-lo ao nível WorldTour, a comparação com Pogacar deixou de ser teórica. Está a entrar, em tempo real, na conversa em torno de Seixas, e tende a intensificar-se à medida que a época avança.