A Milan-Sanremo de Wout van Aert terminou com um lugar no pódio, mas a sua corrida foi moldada pelo mesmo momento que definiu todo o Monumento: a queda a alta velocidade na aproximação à Cipressa.
O belga esteve entre os vários corredores envolvidos no incidente, tal como o vencedor final,
Tadej Pogacar. Numa corrida em que o tempo é tudo, a queda empurrou Van Aert para uma missão imediata de contenção de danos, a perseguir em vez de moldar a fase decisiva.
Apesar do contratempo, conseguiu regressar à luta e garantir um lugar no top 3.
Ainda assim, foi o que aconteceu a seguir que deixou a impressão mais forte. “Vi-o ao meu lado no chão quando caímos e, da próxima vez que o vi, foi na meta”,
disse Van Aert em conversa com a Cycling Pro Net.
Queda transforma a corrida de Van Aert numa missão de recuperação
O incidente perturbou não só o ritmo da corrida, mas também as ambições de Van Aert.
Em vez de estar em posição de responder aos ataques-chave na Cipressa e no Poggio, foi forçado a depender da equipa para o recolocar na corrida. “No final, senti que estive sempre a correr em desvantagem”, explicou. “Só nos últimos dois ou três quilómetros percebi que ainda estávamos a disputar o pódio”.
Essa mudança de mentalidade evidenciou o quanto a queda alterou a sua corrida. De candidato à vitória, Van Aert passou a focar-se em salvar o melhor resultado possível. “As circunstâncias são as que são e, ainda assim, chegámos ao máximo possível. Estou satisfeito com isso”.
Pódio sabe a prémio após final caótico
Mesmo com essa perspetiva, o resultado exigiu um esforço considerável.
Depois de perder terreno e gastar energia preciosa na perseguição, Van Aert ainda tinha o suficiente para discutir o pódio a partir do grupo reduzido atrás dos líderes. “Nunca sabe a vitória quando terminas em terceiro”, clarificou. “Mas foi muito infeliz. Primeiro, a queda, e depois ainda demorou bastante até eu conseguir continuar com uma nova bicicleta”.
Esse atraso foi caro numa corrida em que segundos decidem tudo. “A equipa fez um grande trabalho ao ficar comigo e trazer-me de volta. A única coisa que podia fazer era tentar lutar pelo melhor resultado possível”.
Recuperação de Pogacar deixa rivais sem respostas
Enquanto Van Aert lutava para regressar, Pogacar reescrevia a corrida na frente.
Depois de também ir ao chão na mesma queda, o esloveno conseguiu regressar ao pelotão, atacar na Cipressa e no Poggio e, no fim, vencer num photo finish perante Tom Pidcock.
Para Van Aert, a escala dessa recuperação foi difícil de processar em tempo real. “Não faço ideia do que ele fez pelo meio, mas deve ter sido impressionante”, afirmou. “Foi uma queda bastante dura e o facto de ainda assim ter conseguido chegar à frente daquela forma é forte”.
O contraste entre as suas corridas evidenciou o quão decisivo foi esse momento. Ambos foram ao chão, mas só um conseguiu transformar o revés em vitória.
Wout van Aert foi 3º na Milan-Sanremo 2026
Há sinais positivos apesar da oportunidade perdida
Apesar das circunstâncias, Van Aert conseguiu retirar motivação da sua exibição. “Acho que a confiança já era boa à entrada desta corrida”, disse. “Levo muitos pontos positivos da minha performance, e é bom que as próximas corridas cheguem em breve”.
A
Milan-Sanremo pode não ter trazido o resultado que ambicionava, mas a sua prestação mostrou que a condição está onde precisa de estar para o resto da primavera. Ainda assim, a imagem que define a sua corrida continua a ser aquele momento antes da Cipressa.
De estar deitado ao lado de Pogacar após a queda a vê-lo no lugar mais alto do pódio, Van Aert viveu os dois lados de um Monumento que pode virar num instante.