A 87ª edição da
Volta a Portugal em bicicleta deverá apresentar um percurso que abrangerá praticamente todo o território nacional e contará com difusão além-fronteiras, revelou Ezequiel Mosquera, que admitiu ainda a possibilidade de a
UAE Team Emirates - XRG integrar o lote de equipas presentes na corrida, marcada para decorrer entre 5 e 16 de agosto.
"A novidade é que "tocaremos" todo o país. A intenção é que o português médio veja o mapa e diga: isto é a Volta a Portugal. Estamos a trabalhar nisso e também em novidades, sem renunciar aos clássicos", afirmou o novo diretor da principal prova do calendário velocipédico nacional.
Em declarações à agência Lusa e à Antena 1, à margem do
Gran Camiño, do qual é diretor, Mosquera explicou que a nova organização pretende introduzir mudanças graduais, sem quebrar a identidade histórica da corrida.
A Volta a Portugal esteve pela última vez no Algarve em 2023, depois de 5 anos de ausência - João Matias venceu em Loulé
"Também não queremos ser alvo de críticas e que nos digam "este chegou aqui e mudou tudo da noite para a manhã". Na Volta a Portugal, havia muitas coisas que funcionavam bem e era um grande evento. E dentro do que há, queremos começar a contactar outras câmaras, acrescentar outras localidades e outros lugares icónicos de Portugal, que é o principal argumento deste ano", referiu.
Apesar da intenção de inovar, alguns dos locais mais emblemáticos da corrida deverão manter-se no percurso. A subida à Torre e a tradicional chegada à Senhora da Graça deverão continuar presentes, ainda que com eventuais alterações no formato ou posicionamento dentro do percurso.
"Digo sempre que há que ser diferentes, não ser repetitivos, o que muitas vezes implica assumir riscos. É muito importante gerar expectativa e Portugal tem território para isto. Queremos, sobretudo, procurar localidades icónicas portuguesas, que até agora estavam mais fora do radar da Volta a Portugal, conservando algumas etapas, e estar em todo o país", resumiu.
Sem revelar, para já, os pontos de partida e chegada da edição deste ano, o antigo ciclista galego destacou também o reforço da visibilidade internacional da corrida, que deverá ser transmitida através do canal Eurosport.
"É um super evento e os portugueses têm de acreditar nisso. Há corridas com muito orçamento que não chegam nem de longe ao nível que tem a Volta a Portugal. O único que faltava era mostrar a grande produção que faz a RTP ao mundo. Isso é o que sustenta hoje em dia o ciclismo", sublinhou.
A Figueira Champions Classic e a Volta ao Algarve são as únicas corridas portuguesas com transmissão internacional
A empresa EME Sports, liderada por Mosquera, pretende reposicionar a Volta como um produto com maior projeção internacional, deixando de ser encarada apenas como uma competição de âmbito interno e passando a despertar maior interesse fora de portas. A estratégia passa por atrair novas equipas e aumentar a expectativa global em torno da prova, aproximando-a do conceito de uma pequena Volta a França.
Nesse sentido, Mosquera admitiu que é "provável" a presença da UAE Emirates, atualmente a equipa número 1 do ranking mundial, bem como de "mais algumas" formações do WorldTour, o escalão máximo do ciclismo internacional, nas estradas portuguesas durante a edição deste verão. Recorde-se que a última ocasião em que uma equipa wordltour esteve presente na "Grandíssima" foi em 2021, a Movistar, e em 2025 apenas uma equipa ProTeam (2º escalão) marcou presença, sendo as restantes continentais.
Créditos da Foto: Jornal O JOGO