Tadej Pogacar terminou na segunda posição do
Paris-Roubaix pelo segundo ano consecutivo,
desta feita cedendo apenas no mítico Velodrómo diante de Wout van Aert, mas no final não escondeu o desagrado com a forma como decorreu a assistência neutra da Shimano. O esloveno viu-se obrigado a utilizar uma bicicleta de recurso que considerou pouco adequada, chegando mesmo a compará-la a um «carrinho de mão».
O episódio aconteceu ainda a grande distância da meta, quando faltavam cerca de 120 quilómetros para o final, no setor de empedrado entre Quérénaing e Maing. Nessa altura, o campeão do mundo sofreu um furo e, sem o carro da UAE Team Emirates - XRG nas proximidades e com dificuldades de comunicação pelo rádio,
como revelou o colega Mikkel Bjerg, teve de aceitar uma bicicleta fornecida pela assistência neutra da Shimano.
A adaptação ao equipamento alternativo revelou-se complicada e longe do ideal. O corredor descreveu a sensação como «muito desconfortável» e, segundo o jornal HLN,
citado pelo Jornal A Bola, utilizou a expressão eslovena «karjolo», termo que pode ser traduzido como carrinho de mão, para ilustrar a falta de conforto sentida. A imagem do detentor da camisola arco-íris a pedalar numa bicicleta azul sem identificação evidente, semelhante a um modelo Canyon de 2021, contrastava com a habitual Colnago que utiliza em competição.
No rescaldo do incidente, Pogacar apontou vários aspetos técnicos que, na sua opinião, comprometeram o rendimento naquele momento decisivo da corrida. «A altura do selim não estava correta e as rodas também não eram adequadas para o piso empedrado», referiu. A situação levantou algumas dúvidas, sobretudo porque a Shimano garante possuir os dados biométricos dos principais líderes para preparar bicicletas de substituição ajustadas às suas medidas.