Depois de uma época de 2025 de afirmação, c
oroada com a medalha de bronze no Campeonato da Europa atrás de Tadej Pogacar e Remco Evenepoel,
Paul Seixas prepara o salto seguinte. Com apenas 19 anos, o prodígio francês assumiu-se como novo líder da
Decathlon CMA CGM Team e inicia o seu segundo ano como profissional com um objetivo claro: conquistar a primeira vitória da carreira.
Seixas passou as últimas semanas em “exílio” no sul de Espanha, num exigente bloco de treino em altitude pensado para acelerar a sua evolução física. Enquanto os rivais descansam ou competem em climas amenos, o campeão do mundo júnior de contrarrelógio tem vindo a forjar a condição em isolamento, movido pela ambição de desferir um golpe à entrada da temporada.
Trabalho duro na neve
A preparação esteve longe de ser férias. Uma tempestade de neve paralisou recentemente a estância onde está alojado, a 2300 metros de altitude, forçando Seixas a trocar a estrada pelo rolo.
“Não é fácil e não se sentem as sensações reais da bicicleta”, admite Seixas sobre as sessões indoor impostas pela tempestade. O desafio mental é tão duro como o físico. “Não vejo os meus pais nem a minha namorada há dois meses. Mas sabemos porque o fazemos: são sacrifícios feitos em nome da performance”.
Seixas foi terceiro na prova de estrada do Campeonato da Europa 2025, atrás de dois rostos bem conhecidos
Essa prestação no Campeonato da Europa, onde partilhou o pódio com dois dos maiores fenómenos da modalidade, é, naturalmente, o maior destaque da carreira do jovem (para já). “Segui-los, mesmo que apenas uma vez, dá-te muita confiança”, explica Seixas. “Sendo muito mais novo do que eles, digo a mim próprio que, se consegui segui-los no final da última época, significa que, se continuar a melhorar, posso fechar esse fosso”.
A confiança será posta à prova muito em breve. Seixas voltará a colocar dorsal na
Volta ao Algarve (18 a 22/2). Apesar de uma startlist recheada de talento de elite (Almeida, Lipowitz, Ayuso, Gee...), o francês não vai apenas para aprender.
“Vou dar tudo para erguer os braços o mais cedo possível, seja no Algarve ou na Ardèche”, promete. Questionado se vencer é uma obsessão, esclarece: “Não é obsessão, mas um desejo muito forte. Confio em mim, sinto que estou a progredir”.
A Volta a França terá de esperar
Com a ascensão meteórica, é inevitável falar da estreia numa Grande Volta. Porém, sobre uma eventual presença na Volta a França deste verão, Seixas afasta o cenário. “Seria um sonho, claro, mas não é o meu objetivo este ano”, diz, ressalvando que não coloca “limites reais” e não “fecha portas”.
Brinca também com a forma como o seu estatuto crescente de corredor para etapas e voltas por etapas afastou o foco das clássicas que antes idolatrava. “Quando era novo… vá, há um ou dois anos, adorava as corridas do empedrado”, ri-se, reconhecendo que, embora provavelmente não esteja no Paris-Roubaix este ano, espera lá estar num futuro próximo.