Mathieu van der Poel decidiu a
Taça do Mundo em Benidorm quase antes de começar. Mas a corrida não lhe pertenceu só a ele. Para
Felipe Orts, foi o dia em que a sua
Taça do Mundo “de casa” ganhou estatuto de memória permanente.
“Isto é inacreditável para mim”, descreveu Orts, logo na entrevista pós-corrida.
Já tinha alinhado com essa ideia na cabeça. No capacete, levava a sua terra natal, Villajoyosa, a poucos quilómetros da costa de Benidorm.
Orts conseguiu o primeiro pódio na Taça do Mundo 2025/2026 em Benidorm
“Vêem aqui a minha terra, Villajoyosa”, afirmou. “Esse lugar está sempre na minha cabeça. Quero que toda a gente conheça a minha terra”.
O momento em que Orts escolheu a sua corrida
Enquanto Van der Poel se afastava na frente, a corrida atrás dele nunca estabilizou. Houve ataques, travagens, reagrupamentos e hesitações. Orts recusou deixar que o caos decidisse o seu dia. “Ataquei no momento certo”, sustentou. “Consegui abrir um pequeno espaço, depois o Thibau chegou até mim. Ele puxou fortíssimo. Conseguimos trabalhar juntos, mas nas últimas voltas eu estava completamente no limite”.
Essa decisão partiu a luta pelo pódio. Em vez de ser mais um à espera da iniciativa alheia, Orts passou a ter um papel claro. Trabalhar quando podia. Sobreviver quando era preciso. Segurar o fosso.
Quando Thibau Nys finalmente se isolou na última volta, a corrida de Orts mudou outra vez. Já não se tratava de ganhar uma posição, mas de defender a sua. “O Thibau foi segundo, eu fui terceiro. Estou muito feliz com a minha corrida, com o público e com o meu pódio”.
O que se viu na meta explicou porque o resultado significou tanto. “Estou muito feliz”, confessou Orts. “Havia tanta gente a apoiar-me. Subir ao pódio aqui, em casa, é absolutamente louco. Estou muito feliz”.
Benidorm não é Villajoyosa, mas é suficientemente perto para que as bancadas soem familiares e o barulho pareça pessoal. Num dia dominado pelo campeão do mundo, Orts encontrou a sua forma de tornar a corrida inesquecível, não por bater o maior nome do ciclocrosse, mas por transformar um pódio da
Taça do Mundo num regresso a casa.