“No dia de Natal, um ciclista quer estar com a família”: Bart Wellens critica novas propostas para o calendário de ciclocrosse

Ciclocrosse
terça-feira, 10 fevereiro 2026 a 7:00
CyclocrossMathieuVanderPoel (3)
O ciclocrosse é uma disciplina muito particular. No ciclismo, é a única de grande projeção cuja época decorre no inverno. Isso, apesar dos pontos positivos, também tem um reverso para corredores como Mathieu van der Poel, Wout van Aert, Thibau Nys e companhia. E é esse o foco do antigo campeão do mundo Bart Wellens nas suas mais recentes declarações.
A proposta de acrescentar uma corrida de ciclocrosse no Dia de Natal dentro do novo calendário de inverno incendiou o debate, e uma das vozes mais críticas tem sido a de Wellens. O bicampeão do mundo, sempre direto na análise, não esconde o desagrado perante uma decisão que, no seu entender, ignora o lado mais humano do desporto.
Numa análise publicada no Het Nieuwsblad, o belga questiona firmemente a marcação de uma corrida a 25/12, data tradicionalmente reservada à família. Para Wellens, não é apenas uma questão logística, mas de respeito pelos corredores: “Esse é um dia em que um ciclista também quer dedicar tempo à família”.
Do seu ponto de vista, o calendário já é suficientemente exigente sem acrescentar mais uma obrigação num dia tão significativo, e teme que estas decisões desgastem ainda mais os protagonistas.
Os organizadores, liderados pela Golazo, têm, no entanto, uma posição diferente. Argumentam que a escolha do Dia de Natal resulta de “investigação exaustiva” e consideram que, sendo a véspera de Natal o verdadeiro momento de intimidade familiar, o dia seguinte pode acolher outros planos. Nesse sentido, defendem que uma grande corrida de Natal pode funcionar desportivamente e junto do público.
Organizadores parecem ajustar-se aos programas das estrelas do ciclocrosse quando deveria ser o contrário
Organizadores parecem ajustar-se aos programas das estrelas do ciclocrosse quando deveria ser o contrário
Esta opção implica também antecipar a tradicional corrida de Heusden-Zolder, habitualmente realizada no Dia de Santo Estêvão (26 de dezembro). Para Wellens, essa mudança evidencia uma tendência preocupante para decisões orientadas pelo lado comercial, com pouca atenção ao bem-estar dos corredores.

Mais problemas de calendário

Para lá da polémica de Natal, o antigo campeão aponta ainda outro problema que considera mais grave: o calendário de ciclocrosse, que antes se estendia de setembro a março, está agora quase exclusivamente concentrado em dezembro e janeiro, com um breve prelúdio sob a forma das primeiras rondas da Taça do Mundo e o Campeonato da Europa já em novembro. “É uma pena que o Superprestige tenha agora também o seu final no início de janeiro. Isto torna o período após os Mundiais cada vez menos relevante”.
Wellens recorda que as corridas mantêm um nível competitivo muito alto precisamente quando existem objetivos em jogo depois dos Mundiais. Como exemplo, aponta este ano em Middelkerke e Lille, onde vimos corridas de topo porque ainda havia verdadeiros incentivos desportivos.
A sua conclusão é clara e preocupante: se também desaparecerem as semanas após os Mundiais, o ciclocrosse poderá ficar com uma época efetiva de pouco mais de quatro meses. Um cenário que, no seu entender, prejudicará sobretudo os puros especialistas. “Temos de continuar a dar aos verdadeiros corredores de ciclocrosse, como Vandeputte ou Michael Vanthourenhout, a oportunidade de mostrar o seu talento”.
Um aviso lançado a partir da experiência de quem viveu o ciclocrosse por dentro e que reabre o debate sobre o rumo que o calendário de inverno deve seguir.
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