Nos seus tempos,
Tom Boonen foi uma autêntica potência nas Clássicas do empedrado, Monumentos incluídos. Além das quatro Paris-Roubaix, figuram no palmarés três troféus da
Volta à Flandres. Apesar de se ter retirado em 2017, o belga continua a seguir de perto o Monumento flamengo e estará na estrada dentro de três semanas como convidado no carro da Soudal - Quick-Step, a equipa onde cumpriu toda a carreira profissional.
Com 122 vitórias como profissional, a carreira de Boonen já seria um enorme sucesso mesmo sem a Volta à Flandres, mas graças à Ronde, a coleção ficou verdadeiramente completa: “Claro que nessa altura também teria ficado satisfeito, mas a Volta é algo especial. São três cerejas muito bonitas num bolo ricamente recheado”, metaforizou Boonen ao
De Zondag.
Uma mistura exigente de muros íngremes e setores de empedrado ao longo de mais de 250 quilómetros, a Volta à Flandres é um verdadeiro teste às qualidades dos corredores. Por isso, vencer uma edição, quanto mais três, raramente se deve à sorte. Ainda mais na era de Mathieu van der Poel e Tadej Pogacar, que repartiram entre si, de forma igual, as quatro edições mais recentes.
“Correr na Flandres é e continua a ser único”, acena Boonen. “Sigo o ciclismo todo o ano e sei perfeitamente quem ganhou onde e como tudo se desenrolou, mas para ‘as nossas’ corridas instalo-me de bom grado no sofá. Para ver na televisão, porque é assim que se tem a melhor visão de conjunto”.
Pelo menos 90 corredores ambicionam vencer a Flandres
Mathieu van der Poel e Tadej Pogacar durante a Volta à Flandres 2025
Apesar do domínio do duo neerlandês-esloveno, a Volta à Flandres continua a atrair aventureiros de todo o pelotão internacional. Todos com a ambição de subir ao topo do pódio em Oudenaarde.
“Dos 180 corredores na partida, 90 acham mesmo que podem ganhar. Ou pelo menos querem ganhar”, avalia Boonen. “A tensão no ar, a eletricidade nos rostos dos ciclistas… Em 2002, quando corri a Volta pela primeira vez como neo-profissional na US Postal, nunca teria ousado pensar que alguma vez a venceria. Quanto mais três vezes. A corrida é maior do que a vida”.
“É muito mais do que uma corrida. Nas últimas três décadas, a prova cresceu imenso, em todos os aspetos. É também o clímax da Semana Ciclista Flamenga, o dia que os adeptos aguardam há meses. Há muitas corridas que atraem muitos fãs, mas durante a Volta não há literalmente um único troço sem público. E muitas vezes estão fileiras e mais fileiras de gente”.
Com o campeão em título Pogacar e o tricampeão Van der Poel alinhados a 5/4, não é preciso ir mais longe à procura de um favorito claro. Boonen concorda, mas ainda assim…
“Não faço prognósticos. Se a lógica mandar, será entre Mathieu van der Poel e Tadej Pogacar. Mas numa corrida, nunca se sabe, certo? Aquele bocadinho de sorte… Sabem a quem desejo mesmo? Ao Wout van Aert. Que finalmente ganhe a sua primeira Volta. Ele merece mesmo”, defende Boonen.
Mas se as duas superestrelas entregarem espetáculo, Boonen não ficará contrariado quer com um Pogacar a igualar, quer com um Van der Poel a superar o seu registo na Volta à Flandres. “Dêem-me só um grande final e muita emoção. Uma solo de 50 quilómetros assim? O ex-atleta em mim acha isso fantástico. Mas, como adepto comum, para que me serve?”, conclui.