“Ainda têm muito para aprender” - Ex-profissional teme que a Decathlon não consiga apoiar Seixas na La Flèche Wallone

Ciclismo
quarta-feira, 22 abril 2026 a 00:00
Paul Seixas
A La Flèche Wallone regressa com o seu guião habitual: tensão engarrafada durante quase todo o percurso e um desfecho explosivo no Mur de Huy. Na antecâmara, porém, a análise gira não só em torno dos favoritos, mas também da estratégia das equipas. Nesse contexto, o antigo ciclista Bobbie Traksel, em conversa com colegas especialistas da Eurosport, colocou a Decathlon debaixo de lupa.
Ao contrário de outras corridas em 2026, marcadas por ataques de longe e finais antecipados, tudo indica que a clássica da Valónia manterá a sua essência, com Paul Seixas como favorito. Traksel é taxativo no podcast Kop Over Kop: “Podem dar isso como garantido. Aliás, é de esperar que alguns corredores de topo mexam cedo, mas… por que complicar quando pode ser simples?”
Jeroen Vanbelleghem partilha a ideia, com uma ressalva importante: a ausência de Remco Evenepoel. “Estava mesmo com vontade de ver o Evenepoel abrir a corrida de longe e, idealmente, alguns dos melhores irem com ele, para termos uma corrida diferente”, explicou o comentador.
O traçado desta edição também será um desafio. “Mas para os favoritos de quarta-feira será uma corrida dura, com mais desnível do que noutros anos”, nota Vanbelleghem. Ainda assim, o final parece pré-escrito: “Atendendo ao nível do pelotão, é óbvio que todos vão apontar à última subida ao Mur de Huy”.

Seixas no centro do debate

Quanto a nomes em destaque, a análise coloca Paul Seixas como referência principal. Traksel não hesita: “Para mim, sim. Se olharmos para o resto, mas sobretudo para o que ele tem feito ultimamente, apostaria claramente nele”.
Para lá do talento individual do francês, a grande incógnita é a sua equipa. Não falta qualidade, mas há défice face a alguns rivais em termos de experiência, com os jovens Léo Bisiaux, Antoine L'Hôte e Noa Isidore no apoio a Seixas.

Dúvidas sobre a Decathlon

Decathlon CMA CGM Team em ação
Decathlon CMA CGM Team
É aqui que Traksel centra a análise. “Como é que vão correr? Ainda têm muito para aprender”, diz, sugerindo que a gestão tática será decisiva. O neerlandês reconhece o potencial já mostrado, mas vê margem para crescer: “Já vimos isso; geriram bem as provas por etapas ao manterem-se perto dele. Mas, acima de tudo, ele mostrou uma força impressionante”.
As incógnitas são várias: “Como vão encarar a corrida desde início? Vão tentar endurecer desde a partida? Vão ter coragem? Ou vão dar liberdade a outros para também fazerem a diferença?”
Nesse cenário, Traksel vê brechas para os rivais: “Na realidade, têm de garantir que o Seixas fica isolado cedo, para se sentir encurralado. Estou curioso para ver se todos levam isso a sério”.

Perspetiva internacional

Vanbelleghem alarga a lente e aponta força estrangeira: “Isto vai ser uma festa francesa com Skjelmose. Vai ser entusiasmante”.
Mattias Skjelmose perto da vitória na Amstel Gold Race 2026
Mattias Skjelmose ficou perto da vitória na Amstel Gold Race 2026
O belga defende ainda o lugar deste tipo de corrida no calendário: “Nem sempre é preciso ação a 80 quilómetros do fim. Nem a 50 ou a 100. Acho que este género de provas também tem o seu espaço no calendário. Assim, às quartas-feiras, quando as pessoas não têm tempo, sabem: ‘Ok, basta ver os últimos quinze minutos’”.
Com todos os ingredientes em cima da mesa, a La Flèche Wallone promete novamente um final explosivo… e muitas questões táticas por responder.
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