Vencedor da
Volta a Portugal em 2013, Alejandro Marque destaca chegada de Ezequiel Mosquera à organização e recorda ligação natural entre Galiza e Portugal.
Alejandro Marque acredita que a
Volta a Portugal entra numa nova fase organizativa com a chegada de Ezequiel Mosquera. O antigo vencedor da principal prova do calendário nacional mostrou confiança no trabalho do galego e considera que a corrida passa a contar com alguém experiente e profundamente ligado ao ciclismo ibérico.
Em declarações à
agência Lusa, Marque sublinhou o conhecimento que tem de longa data sobre Mosquera e não escondeu a admiração pelas suas capacidades fora da bicicleta.
"Eu conheço o Ezequiel desde há muitos anos e sei o profissional que é. A nível organizativo, sei que é muito bom. Na Volta, ganharam um grande organizador. Não é português, mas passou parte da sua carreira ali", vincou o vencedor da edição de 2013.
Retirado da competição desde 2022, o antigo ciclista marcou presença nos últimos dias n’O Gran Camiño, onde conduziu convidados integrados na caravana da prova galega. Curiosamente, essa corrida também é organizada por Ezequiel Mosquera, agora responsável pela realização da próxima Volta a Portugal.
Ao recordar a forte ligação entre corredores galegos e o ciclismo português, Marque reconheceu que competir em Portugal sempre representou uma oportunidade importante para muitos atletas da região vizinha.
"Portugal sempre foi uma boa oportunidade para nós", admitiu.
A conversa contou ainda com a intervenção espontânea de
Gustavo César Veloso, bicampeão da Volta a Portugal e atual diretor desportivo da Tavfer - Ovos Matinados - Mortágua. Ao ouvir o tema, o também galego resumiu a proximidade entre os dois territórios com humor.
"Passas o Minho de um lado para o outro e não sentes a diferença", atirou Gustavo Veloso.
Alejandro Marque sorriu e concordou de imediato, considerando que aquela definição traduzia bem a realidade vivida durante anos entre as duas margens da fronteira.
Apesar do entusiasmo em regressar ao ambiente da Volta a Portugal, o antigo corredor admite que a presença na edição de 2026, marcada entre 5 e 16 de agosto, não será fácil. Atualmente dedicado ao seu negócio, explica que o verão coincide com uma fase particularmente exigente em termos profissionais.
"Gostaria imenso de estar aí, sinceramente. Seria um prazer para mim. Mas é uma altura do ano em que, no meu trabalho atual, é época de muitíssimo trabalho e vai ser difícil. Mas é verdade que estou a dever uma visita e tenho de ir aí para ver ex-colegas e todos", disse.
Hoje Marque é proprietário de uma loja de bicicletas, e reconhece que a rotina empresarial pouco tem a ver com os tempos em que competia ao mais alto nível.
"A vida de empresário é difícil. Antes, podia gerir o tempo de outra maneira. Treinava e ficava com a parte da tarde meio livre. Agora, na loja, sabes quando abres e não quando fechas. É diferente", comparou.
Mesmo com uma vida distinta da que teve no pelotão, garante que a retirada foi encarada com naturalidade e sem o vazio que muitos antigos profissionais sentem quando deixam de competir.
"Pensei que ia encarar a reforma pior. Gosto de ver as provas mas o que sinto mais falta é não ter mais tempo para andar de bicicleta, que é o que a mim me faz feliz. Dei-me conta que isto era um trabalho, mas também é um hobby", continua.
Aos 44 anos, Marque olha para trás com satisfação por uma carreira longa, inteiramente construída em equipas portuguesas. Foram 18 temporadas num pelotão onde deixou marca e onde encontrou realização pessoal e profissional.
"O ciclismo, para mim, é muito gratificante. Pode chegar a ser duro, com os treinos e estágios, mas quando estás em competição tudo é harmonia de gente, apoio, resultados e essa recompensa, às vezes, de todo o trabalho que há por detrás", destaca.
Nem os momentos mais difíceis apagaram essa ligação ao desporto. Pelo contrário, Marque considera que ultrapassar lesões, quedas e contratempos ajudou a reforçar ainda mais o valor da profissão que decidiu abraçar.
"Também é bonito esse caminho de recuperar, desses reveses ou de uma lesão e "voltar a triunfar"."
"Isso também faz parte do desporto e acredito que nos torna ainda mais fortes. Essa é uma faceta que é própria da vida. No final, é levantar-se e seguir em frente", explicou.
Entre memórias, reconhecimento e os novos desafios, Alejandro Marque continua ligado ao ciclismo e a forma como fala da Volta a Portugal mostra que essa ligação ao nosso país está longe de desaparecer.