Paul Seixas está a agitar o pelotão mundial e prepara-se para desafiar
Tadej Pogacar e
Remco Evenepoel na
Liege-Bastogne-Liege no domingo. Para o ex-profissional David Moncoutié, o sucesso de Seixas não é surpresa. Numa recente entrevista, explicou o que torna Seixas especial e porque o nível que apresenta, aos 19 anos, poderá não ter paralelo no ciclismo moderno.
A destacar-se nas categorias de formação
Moncoutié cruzou-se pela primeira vez com Seixas quando o jovem estava nos sub-17. Mesmo então, era evidente que não era apenas “mais um” miúdo de bicicleta. Enquanto alguns somavam vitórias em sprints planos, Seixas marcava diferenças ao descolar do pelotão nos percursos mais duros.
“A minha primeira memória do Paul Seixas é como corredor nos cadetes sub-17, porque estava no mesmo clube do meu filho, no VC Villefranche Beaujolais”, recordou Moncoutié. “Estava quase convencido de que se tornaria profissional. Desde os cadetes, via-se que era excecional. O que revela o talento de um corredor é fazer a diferença em corridas duras. Notava-se que já era capaz de fazer grandes coisas sozinho durante muitos quilómetros. Assim que havia subida, ele fazia a diferença”, disse Moncoutié à
Eurosport.
Quando passou aos juniores sub-19, o verdadeiro potencial ficou ainda mais claro. As provas júnior são, em regra, mais duras e com mais subida, cenário ideal para Seixas. Começou a vencer grandes eventos em diferentes terrenos, incluindo clássicas de empedrado no norte de França. O grande destaque, para Moncoutié, foi a Classique des Alpes 2023, uma prova júnior notoriamente exigente.
Seixas a celebrar a vitória na Flèche Wallone 2026
“Quando ganhas por quatro minutos e o nível competitivo é alto, isso revela mesmo o potencial do corredor”, afirmou Moncoutié. “Obviamente, quando ele partia para uma corrida, sobretudo as duras, era para ganhar. É um competidor, sente-se que adora vencer.”
Uma serenidade fora do comum
Para lá da capacidade física, Seixas tem chamado a atenção no último ano pela forma descontraída como se apresenta. Apesar da enorme exposição mediática e da pressão de competir contra a elite mundial, parece imperturbável. Segundo Moncoutié, essa força mental já era evidente nos tempos de clube.
“Percebia-se que não ficava stressado com os desafios, mesmo nas camadas jovens. Penso que tinha bastante consciência da sua força”, explicou Moncoutié. “É verdade que transmite a imagem de um corredor completamente desprendido, na sua bolha e imune às expetativas. É bastante impressionante. A par do lado físico, sente-se que está mentalmente pronto e aguenta muito.”
Seixas surpreendeu recentemente os adeptos ao mostrar uma explosividade notável para vencer a Flèche Wallonne. Somando esse triunfo à vitória na Volta ao País Basco, os resultados aos 19 anos são impressionantes. Questionado se esta precocidade é comparável à de Remco Evenepoel ou Tadej Pogacar, Moncoutié não hesitou em colocar o jovem francês um degrau acima nessa idade específica.
“Para mim, quando olhamos ao que ele faz aos 19 anos, é ainda mais forte”, afirmou, perentório, Moncoutié. “Com uma Flèche Wallonne e uma Volta ao País Basco já no palmarés, está à frente de todos os melhores do pelotão em termos de precocidade. Claro que uma carreira não se decide aos 19. Conta a longevidade, a capacidade de progredir e de estar presente todo o ano, durante vários anos. Aí há uma incógnita, mas, pelo nível atual aos 19, para mim, é o mais forte que vi.”