Com
Paul Seixas a manter a ascensão fulgurante, o debate sobre uma potencial estreia na
Volta a França intensificou-se, sobretudo na antecâmara da
Liege-Bastogne-Liege, onde voltará a medir forças com
Tadej Pogacar.
Para
Bernard Hinault, porém, a questão não é de capacidade, mas de timing.
Em declarações recolhidas pela Cyclism’Actu, o pentacampeão da Volta a França deixou claro que não está convencido de que, nesta fase, entrar numa batalha de três semanas seja a decisão certa.
Um caminho diferente antes do Tour
Em vez de acelerar a entrada na maior corrida do calendário, Hinault defende que Seixas ganharia em testar-se noutros palcos primeiro. “Toda a gente diz que ele deve correr o Tour… Não estou convencido. No lugar dele, iria testar-me noutras provas: na Volta a Itália, encontrava Vingegaard e isso dar-me-ia uma ideia da minha capacidade para aguentar vinte e três dias de corrida.”
Esse foco na duração é central ao seu argumento. “Porque a única dúvida que podemos ter é sobre esses vinte e três dias.”
Hinault continua a ser o último francês a vencer a Volta a França
Seixas já mostrou esta primavera, incluindo nas prestações frente a Pogacar e no avanço na Flèche Wallonne, que consegue igualar os melhores em esforços mais curtos. A incerteza, aos olhos de Hinault, está em saber se esse nível é sustentável ao longo de uma Grande Volta completa.
A realidade Pogacar ao longo de três semanas
O desafio adensa-se quando visto pelo prisma de uma Volta a França moldada por Pogacar. “E depois encontrar-se frente a Pogacar durante vinte e três dias… ele não oferece nada. Quando se conhece a sua capacidade e a sua vontade de vencer, e sobretudo este ano, com o objetivo de igualar o recorde de cinco Tours, é preciso ter cuidado.”
É um aviso ancorado no contexto. Pogacar já marcou a época de 2026 em múltiplos terrenos e chega a Liège novamente como a referência clara.
Para Seixas, domingo oferece nova oportunidade de se medir por esse padrão num cenário de um dia. O Tour, como enquadra Hinault, é um teste de natureza totalmente diferente.
Abordagem destemida continua a ser uma arma
Apesar da prudência, Hinault também salientou uma atitude que pode, em última análise, permitir a Seixas chegar a esse patamar.
Recordando a sua própria postura frente a Eddy Merckx, vê semelhanças no jovem francês. “Quando eu chegava à partida, dizia para comigo: ‘Ele é como eu. É feito do mesmo material, tem duas pernas, dois braços, uma cabeça, e usa-os. Eu vou fazer o mesmo que ele.’ E acho que o Paul tem um pouco disso. Ele não diz: ‘O outro é mais forte do que eu.’ Quer enfrentá-lo, e vai fazê-lo.”
Essa mentalidade ficou visível por toda a primavera, período em que Seixas não hesitou em desafiar os maiores nomes do pelotão.
Liège como referência imediata
Para já, o foco mantém-se na Liège-Bastogne-Liège, onde Seixas voltará a medir forças com Pogacar e a elite da modalidade num Monumento de um dia. É o tipo de ambiente onde já provou que pertence.
A Volta a França, como sublinha Hinault, não se resume a pertencer. Trata-se de sustentar esse nível durante três semanas contra o corredor mais completo do pelotão. E, na sua perspetiva, esse passo pode chegar demasiado cedo.