A prestação de
Afonso Eulálio na
Volta a Itália esteve longe de passar despercebida, mas para
João Almeida o desempenho do compatriota não constituiu propriamente uma surpresa. O corredor da
UAE Team Emirates - XRG acompanhou a corrida à distância e mostrou-se satisfeito por ver mais um português a ganhar protagonismo no mais alto nível do ciclismo internacional.
Em conversa com a agência Lusa, Almeida fez um balanço positivo da edição deste ano do Giro, uma corrida que seguiu atentamente apesar de não ter marcado presença, devido a um vírus que o atormentou desde o final da Volta ao Algarve. O português admitiu que assistiu sobretudo às jornadas mais decisivas e reconheceu ter apreciado o desenrolar da prova.
"Foi um Giro fixe de se ver", resumiu.
O vencedor de 2 etapas em Grandes Voltas - no Monte Bondone, na Volta a Itália 2023, e no mítico Angliru, na Volta a Espanha 2025 - acredita até que a luta pela classificação geral poderia ter sido diferente caso tivesse alinhado à partida, já que era apontado como o principal contender de Jonas Vingegaard nos meses prévios à corrida, mas preferiu destacar o percurso realizado por Eulálio ao longo das três semanas de competição.
Seis anos depois de ter surpreendido o mundo ao vestir a camisola rosa durante 15 dias, perdendo-o apenas nas jornadas finais, no Stelvio, cortando a meta acompanhado pela lenda Vincenzo Nibali, João Almeida viu surgir um novo protagonista português na corrida italiana. O ciclista da Bahrain - Victorious liderou a classificação geral durante nove etapas e terminou a prova com a camisola branca de melhor jovem, repetindo um feito que o próprio Almeida alcançou em 2023.
Para o corredor da UAE Team Emirates - XRG, o sucesso de Eulálio resultou da forma inteligente como soube aproveitar as circunstâncias da corrida.
"Foi bom para Portugal ter alguém para acompanhar e tentar meter também o país em destaque. Acho que ele usufruiu muito bem da oportunidade que teve. Aquela fuga [na quinta etapa] com uma vantagem gigante, de sete ou oito minutos, foi quase uma garantia para um resultado na geral. E ele soube aproveitar isso. E depois, a camisa branca também foi muito positivo", destacou.
Apesar da dimensão dos resultados alcançados pelo jovem figueirense, Almeida garante que nunca duvidou das suas capacidades. O atual líder da formação dos Emirados considera que o compatriota já tinha demonstrado qualidade suficiente para acreditar numa evolução deste nível.
O próprio Eulálio tinha elogiado João Almeida durante a conferência de imprensa pós-Giro, realizada online pela sua equipa, recusando comparações entre ambos e classificando-o como um dos maiores ciclistas portugueses de sempre. Palavras que foram recebidas com gratidão pelo corredor de A-dos-Francos.
"Agradeço-lhe pelas palavras e pelo gesto. É tudo uma questão também de evolução, e de irmos passo a passo evoluindo. E certamente ele continuará a evoluir", afirmou Almeida.
Durante vários dias, chegou mesmo a colocar-se a hipótese de Eulálio ultrapassar o recorde português de jornadas consecutivas com a camisola rosa, marca que continua a pertencer a João Almeida. Ainda assim, o vencedor de 3 das mais prestigiadas provas de uma semana do worldtour em 2025: Volta ao País Basco, Volta a Romandia e Volta à Suíça, garante que nunca olhou para essa possibilidade como uma ameaça.
"Acho que se ele batesse o meu recorde, ia disputar a corrida, o pódio. E, neste momento, acho que seria algo bastante difícil de acontecer. Se o meu recorde for batido é bom sinal, é sinal que o país continua a ter bons corredores e continua a estar no mapa. Ficaria feliz", assegurou.
Num país onde, durante largos anos, João Almeida assumiu praticamente sozinho o papel de principal referência do ciclismo internacional português, precedido por Rui Costa e, no inicio do século, José Azevedo, o surgimento de novos nomes é encarado como uma excelente notícia.
"Eu não sou alguém que queira estar no foco dos media, dos jornais, e ser o único que tem sucesso. Acho que é positivo, quanto mais melhor", defendeu.