Avaliação das equipas presentes na Volta a Itália 2026

Ciclismo
terça-feira, 02 junho 2026 a 11:30
Felix Gall, Jonas Vingegaard e Jai Hindley no pódio final da Volta a Itália 2026 em Roma
Três semanas depois de arrancar na Bulgária, a Volta a Itália chegou a Roma, para a conclusão da 109ª edição. Jonas Vingegaard confirmou o favoritismo e sagrou-se campeão, mas houve muitas histórias para contar. Afonso Eulálio viveu um inesperado sonho rosa, com 9 dias de liderança, tivemos nações estreantes a ganhar etapas e um pódio que talvez não fosse a aposta da maioria. 21 etapas, chuva, calor, quedas, vento, raramente tivemos um dia monótono e levamos grandes recordações, agora é hora de avaliar a prestação das equipas presentes.

Alpecin-Premier Tech - 5

0 vitórias, 0 pódios, 5 top 10, Melhor resultado na geral: 25º
O alinhamento não era o mais forte, mas a equipa belga falhou os seus objetivos. Kaden Groves era a grande esperança para os sprints, mas abandonou sem sequer fazer um top 10 nas chegadas rápidas. Jensen Plowright assumiu o papel de sprinter principal, conseguindo um 4º e um 6º lugares, resultados encorajadores para o australiano. Busatto entregou mais 2 top 10, Jonas Geens foi muito ativo nas fugas, mas não teve sucesso. Vergalitto, Bayer e Planckaert mal se viram, já Price-Pejtersen só apareceu no dia do contrarrelógio, onde foi 7º

Bahrain - Victorious - 17

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1 vitória, 5 pódios, 14 top 10, Melhor resultado na geral: 6º, vitória na juventude, 9 dias com a camisola rosa
Dificilmente a Bahrain poderia imaginar um Giro tão proveitoso quando Santiago Buitrago abandonou à 2ª etapa. Afonso Eulálio integrou a fuga no 5º dia, debaixo de um autêntico dilúvio, perdeu a etapa para Arrieta, mas ficou com o prémio maior, vestindo a camisola rosa. Alguns esperavam que a perdesse no Blockhaus, resistiu; outros em Corno alle Scale, resistiu; a maioria, inclusive eu, no contrarrelógio, mas resistiu e só viria a sucumbir diante de Jonas Vingegaard na 14ª etapa, nas montanhas de Aosta.
A partir daí, definiu um novo objetivo, a camisola da juventude e, depois de um dia mais difícil na etapa rainha, atacou na última etapa de montanha, com dupla ascensão a Piancavallo, para selar a branca com uma grande pinta! Por acréscimo, um 6º lugar na geral.
Ao lado de Eulálio, qual pai ou padrinho, esteve o veterano Damiano Caruso. O italiano ajudou o português a defender a rosa e quando este a perdeu, integrou uma fuga para escalar até ao top 10. Por lá se manteve, dando mais um resultado de relevo à equipa.
Não obstante das grandes prestações, a vitória de etapa não surgiu por intermédio de nenhum destes dois, mas sim por Alec Segaert, que arrancou nos últimos quilómetros de uma chegada plana e enganou os sprinters, já o tinha tentado anteriormente e consumou-o na 12ª etapa, que motor! Edoardo Zambanini roçou o triunfo numa das vitórias de Magnier, terminando em 2º. Stannard, Paasschens e Miholjevic cumpriram vários quilómetros de trabalho na frente do pelotão, numa grande demonstração de união coletiva.

Bardiani CSF 7 Saber - 11

0 vitórias, 1 pódio, 6 top 10, Melhor resultado na geral: 82º
Considero um Giro positivo por parte da ProTeam italiana, temos que levar em consideração que é a uma equipa de 2ª divisão, estiveram quase sempre em fugas, Manuele Tarozzi foi o campeão nesse aspeto, ao estar na frente em 7 ocasiões, um terço da corrida. O italiano arrecadou a classificação dos sprints intermédios, Martin Marcellusi deu o único pódio à equipa, na 15ª etapa, quando a fuga enganou o pelotão. Os restantes elementos também foram bastante combativos.

Decathlon CGA CGM - 14

0 vitórias, 7 pódios, 15 top 10, Melhor resultado na geral: 2º
Inegavelmente é um bom Giro da equipa francesa, mas faltou uma vitória de etapa, quer por Andresen, quer por Gall ou por qualquer outro trepador numa fuga. Canalizam os esforços para o austríaco, que fez a sua melhor prestação de sempre numa grande volta, terminando no 2º lugar do pódio, que era o objetivo à partida. Colocaram ainda Gregor Muhlberger em 15º na geral, um resultado acima do esperado, ele que ficou junto do compatriota até bem tarde nas etapas de alta montanha. Andresen tinha um comboio bem oleado, mas tirando o 2º lugar na 1ª etapa, nunca conseguiu um pódio ao sprint, e nas etapas com alguma dureza, ideais para as suas características, ficava para trás mais cedo que alguns puros sprinters.

EF Education - EasyPost - 12

1 vitória, 1 pódio, 10 top 10, Melhor resultado na geral: 35º
Ficaram debilitados dias antes da partida com a ausência de Richard Carapaz e acabou por outro veterano, Michael Valgren, a salvar a prestação da equipa. O dinamarquês venceu a 17ª etapa com uma classe tremenda, rodeado por trepadores e estreou-se a ganhar em grandes voltas. Gostei muito de Jardi Van der Lee, muito ativo na luta pela montanha, chegou a vestir a camisola azul, por empréstimo de Vingegaard, mas viria a ser batido pelo experiente Ciccone. Markel Beloki chegou a andar pelo top 10, mas afundou-se na 14ª etapa, tem 20 aninhos, ainda está cru, apesar de já ser a 2ª grande volta da carreira. Jefferson Cepeda foi uma sombra de si próprio, Madis Mihkels mostrou regularidade nos sprints, com 5 top 10, mas não rompeu.

Groupama - FDJ United - 6

0 vitórias, 2 pódios, 4 top 10, Melhor resultado na geral: 52º
Guardaram as melhores cartas para o Tour, mas esta equipa parece estar parada no tempo. Sem sprinters de topo, sem trepadores de topo, passaram a 1ª metade do Giro sem atacar praticamente. Começaram a acordar no contrarrelógio, com o pódio de Rémi Cavagna, que voltou a tentar na 17ª etapa, atacando na zona plana para ganhar avanço, mas sendo inevitalmente apanhado assim que a estrada empinou. Paul Penhoet garantiu o outro pódio, em Roma, Josh Kench entrou em muitas fugas, foi o protegido na 13ª etapa, quando tinham 3 elementos num grupo de 15, mas teve que se contentar com um 6º lugar. Os restantes pouco se viram...

Lidl-Trek - 15

1 vitória, 9 pódios, 22 top 10, Melhor resultado na geral: 5º, vitória na classificação da montanha, 1 dia com a camisola rosa
Este era um dos balanços mais difíceis de fazer antes da 19ª etapa, mas com a vitória de Giulio Ciccone na montanha e de Jonathan Milan na derradeira jornada, as coisas mudaram para os comandados de Luca Guercilena. Esta foi aliás, a única vitória da equipa em todo o Giro, é pouco, esperava-se mais, sobretudo de Milan. Ciccone vestiu de rosa, esteve várias vezes perto de ganhar uma etapa, discutiu com meio pelotão, mas mostrou toda a sua classe ao selar a vitória na montanha precisamente na etapa rainha.
Derek Gee voltou a entrar numa corrida de 3 semanas em sub-rendimento, fez um grande contrarrelógio e a partir daí foi sempre a subir, terminando em 5º lugar na geral, um posto abaixo de 2025, considero positivo, não se pode exigir um pódio a um ciclista que esteve parado de junho a fevereiro. Os restantes foram elementos de trabalho, cumpriram, destaco particularmente o esforço de Matteo Sobrero no circuito final de Roma.

Lotto-Intermarché - 7

0 vitórias, 1 pódio, 4 top 10, Melhor resultado na geral: 44º
Mais uma prestação negativa, condicionada pelos 3 abandonos nos 5 primeiros dias. De Lie e Menten vieram doentes, porque os trouxeram? Van Eetvelt entrou bem, ao contrário do que esperava por ter tido algumas dificuldades físicas nas semanas que antecederam a corrida, mas foi perdendo gás, até abandonar na 12ª etapa. Gostei da atitude competitiva de Simone Gualdi, não obstante de não ter conseguido resultados de topo, quem entregou o único pódio à equipa foi o estreante em grandes voltas Toon Aerts, ao ser 2º na vitória de Segaert, poderia ter sido um dia de glória para o belga.

Movistar Team - 8

0 vitórias, 3 pódios, 10 top 10, Melhor resultado na geral: 23º
As avaliações da Movistar são sempre polémicas e nesta Volta a Itália não é exceção. Enric Mas ficou afastado da luta pela geral cedo, Einer Rubio idém, mas com tantos trepadores como é que não ganham uma etapa? Chegaram a colocar 4 homens em fuga, não jogaram bem taticamente e acabavam por encontrar alguém mais forte. Aular não pareceu ao mesmo nível de 2025, esteve perto do triunfo na 4ª etapa, fez tudo bem, mas Narváez foi melhor, nada a apontar. Lorenzo Milesi conseguiu 3 top 10 e nunca o tinha visto andar assim na montanha, o italiano tem margem de crescimento e mais tarde ou mais cedo chegará uma grande vitória. Nelson Oliveira voltou a estar ao serviço da equipa, mais discreto desta vez, mas concluindo a sua 23ª grande volta da carreira. Ivan Cortina... nem se viu.

Netcompany INEOS - 12

1 vitória, 2 pódios, 16 top 10, Melhor resultado na geral: 4º
Não fosse a vitória de Ganna e saíam daqui de mãos a abanar e o mais preocupante é que o outro pódio foi conseguido também no contrarrelógio, por Thymen Arensman. O neerlandês conseguiu o seu melhor resultado de sempre em grandes voltas, mas uma equipa como a INEOS tem pergaminhos de pódio. Egan Bernal cumpriu, apoiou Arensman e terminou no top 10, Magnus Sheffield esteve muito apagado, Ben Turner foi queimado a rebocar Bernal no dia em que tinha mais hipóteses de vencer. Para uma equipa com o orçamento da INEOS, esta corrida foi de serviços mínimos.
Filippo Ganna manteve um ritmo demolidor ao longo dos 42 quilómetros do contrarrelógio individual.
Filippo Ganna manteve um ritmo demolidor ao longo dos 42 quilómetros do contrarrelógio individual.

NSN Cycling Team - 8

0 vitórias, 1 pódio, 8 top 10, Melhor resultado na geral: 12º
Coloquei Alessandro Pinarello no top 10 antes do Giro, esperava muito do italiano, não era o único, mas a sua prestação foi dececionante, termina apenas em 61º e nem foi capaz de lutar por uma etapa, tendo apenas um top 10. O veterano Jan Hirt fez o que pode, dá-se bem no Giro, mas desta vez não chegou para fechar nos 10 melhores, foi 12º. Corbin Strong fez 3 top 10, mas com tantas oportunidades para os puncheurs, esperava-o mais forte. Vernon entregou outros 3 top 10, acabando por abandonar na 3ª semana, esperava que desse um passo em frente, mas ficou aquém.

Pinarello Q36.5 Cycling Team - 7,5

0 vitórias, 0 pódios, 5 top 10, Melhor resultado na geral: 14º
Apesar de não existirem resultados palpáveis, não podendo classificar a prestação da equipa suíça como positiva, houve bons momentos e espírito ofensivo. Matteo Moschetti, a grande esperança de vitória, abandonou logo no 2º dia, depois de cair na jornada inaugural. Os veteranos Chris Harper e David de la Cruz tentaram de tudo para subir ao top 10, integraram fugas, tiveram algum azar e falta de pernas, terminando em 17º e 14º, respetivamente.

Red Bull - BORA - Hansgrohe - 13

0 vitórias, 5 pódios, 14 top 10, Melhor resultado na geral: 3º
A Red Bull apresentou-se com um dos blocos mais fortes à partida e, a meu ver, estiveram um pouco abaixo das expectativas. Giulio Pellizzari era apontado como o principal rival de Jonas Vingegaard na geral, entrou mal na corrida, melhorou na 14ª etapa, mas afundar-se-ia na 16ª, condicionado por um vírus. Jai Hindley emergiu e terminou no pódio da geral, tenho que colocar a viola no saco, uma vez que nem o pus no top 10 prévio à corrida, sorry Jai! Um resultado que pode relançar a carreira do australiano e com esta forma, se calhar era bem pensado levá-lo ao Tour.
Aleksandr Vlasov esteve mais ofensivo que o habitual, integrou algumas fugas, mas nunca esteve realmente perto de lutar por uma etapa, Giovanni Aleotti e Ben Zwiehoff estiveram bem na montanha; Nico Denz e Mick Van Dijke cumpriram nos terrenos planos; Gianni Moscon nem se viu.

Soudal - Quick-Step - 18

3 vitórias, 7 pódios, 17 top 10, Melhor resultado na geral: 29º, 1 dia de camisola rosa, vitória na classificação por pontos
A Quick-Step veio para o Giro para ganhar etapas e o objetivo foi cumprido com sucesso. Paul Magnier conseguiu a afirmação que há muito se augurava, dominando ao sprint, somou 3 vitórias, mas poderiam ter sido mais 2, não fossem as quedas ou a desorganização das equipas dos sprinters a deixarem ganhar a fuga. Além disto, o francês leva para casa a maglia ciclamino, que ainda foi posta em risco por Narváez, mas um grande trabalho coletivo trouxe-a para o lado da Wolfpack.
Como disse Patrick Lefevere, um homem absolutamente fulcral neste desfecho foi Jasper Stuyven, que soube colocar sempre o seu sprinter, integrou fugas em dias mais duros para roubar pontos a Narváez, depois de uma campanha de clássicas como há muito não se viu, coroada com o pódio no Paris-Roubaix, e deste Giro, o belga merecia claramente uma vitória, dei por mim a torcer por ele em Roma, quando atacou em conjunto com Ganna e Sobrero. Filippo Zana e Gianmarco Garofoli integraram muitas fugas, no entanto, existiam sempre trepadores mais fortes, ainda têm muita margem de crescimento, especialmente o segundo. Os restantes elementos cumpriram nos terrenos planos, a controlar as fugas ou nos lançamentos, o comboio estava bem afinado!

Team Jayco AlUla - 5

0 vitórias, 0 pódios, 4 top 10, Melhor resultado na geral: 16º
Chegamos a uma das piores equipas deste Giro, na minha opinião. Ben O'Connor chegava com objetivos de top 10, talvez mais face à concorrência, mas a partir da 14ª etapa foi sempre a cair, terminando em 16º. Desde que chegou à Jayco baixou significativamente o seu nível, estará acomodado por não existir outro líder? Os novos métodos de treino não são eficazes? Alguma coisa se passa.
Andrea Vendrame era a grande esperança de vitória e estou convicto que a conseguiria, não fosse ter caído na 2ª etapa e abandonado no dia seguinte, foi aqui que a equipa começou a abanar e nunca mais se levantaram. Ackermann continua a léguas dos melhores tempos, fez apenas 2 top 10 ao sprint, os restantes nem se viram. Normalmente, quando se falha o objetivo da geral, aposta-se tudo na fuga, mas não, a equipa ficou sossegadinha no pelotão em dias que tinham FUGA escrita no perfil desde inicio.

Team Picnic PostNL - 3

0 vitórias, 0 pódios, 2 top 10, Melhor resultado na geral: 57º
É demasiado mau, a Picnic parece estar completamente a navegar à deriva. São a pior equipa do worldtour, ninguém esperava que o Giro mudasse isso, mas esperava-se mais visibilidade numa das maiores montras do ciclismo. Casper Van Uden, vencedor de etapa em 2025, pasme-se, não fez um único top 10 ao sprint, Warren Barguil está mais perto do fim de carreira que outra coisa, ainda conseguiu um top 10. Frank Van den Broek e Gijs Leemreize tentaram remar contra a maré, mas o ambiente está tão pesado que parece aquelas equipas que a meio dos campeonatos de futebol estão praticamente despromovidas e já nem têm forças para lutar.

Team Polti VisitMalta - 12

0 vitórias, 2 pódios, 10 top 10, Melhor resultado na geral: 27º, 6 dias de liderança na classificação da montanha
Gostei dos comandados de Alberto Contador, trazem sempre muita energia à corrida. Diego Sevilha entrou a todo o gás, liderou a montanha alguns dias e acabou por arrecadar a classificação das fugas no final. Giovanni Lonardi foi um caso curioso, fez top 10 no dia de abertura, nunca mais apareceu nos sprints, até que... no último dia faz 2º, apenas batido por Jonathan Milan.
O outro pódio foi entregue por Mirco Maestri e aqui talvez tinha ficado um amargo de boca, porque o italiano tinha condições para vencer, lançado por Mattia Bais.
Ludovico Crescioli também merece uma nota de destaque, chegou em grande forma depois de ganhar o Giro dell'Appennino, muitas vezes restavam 10/15 unidades no grupo dos favoritos em etapas de montanha e ele estava lá, faz top 20 nas duas últimas etapas de montanha, um sinal que termina forte as 3 semanas, nesta que foi a sua estreia em grandes voltas.

Team Visma | Lease a Bike - 20

6 vitórias, 10 pódios, 18 top 10, Vitória na classificação geral, vitória na classificação por equipas
Penso que não há dúvidas quanto a esta classificação. A Visma é, talvez, a equipa mais metódica do pelotão, tudo é preparado ao pormenor e, quando muitos criticam essa abordagem mais rígida, são resultados como este que a validam. Jonas Vingegaard foi dono e senhor do Giro, ganha 5 etapas, podia ter ganho mais, ganha a geral com mais de 5 minutos de avanço, não deixou qualquer margem para dúvidas, completando a trilogia de vitórias na geral das grandes voltas.
Jonas Vingegaard no pódio final do Giro d'Italia 2026 em Roma
Jonas Vingegaard no pódio final da Volta a Itália 2026 em Roma
Ao lado de um grande líder, está sempre uma grande equipa. Wilco Kelderman abandonou logo na 2ª etapa, mais um azar para o neerlandês, mas não entraram em pânico e ajustaram os papéis. Timo Kielich era o primeiro a entrar ao serviço, no terreno plano e primeiras subidas, Tim Rex foi fabuloso, tornou virais as suas caretas na frente do pelotão, e quando parecia que ia quebrar, levava o toque do Campenaerts e fazia mais 1km.
Por falar em Campenaerts, o belga foi novamente o capitão, não esteve ao nível de 2025 na alta montanha, mas isso foi a exceção e não a regra, cumpriu muito bem, tal como Bart Lemmen, em grande evidência pelo trabalho na 20ª etapa. Sepp Kuss nem precisou de estar ao seu melhor nível, deu para partir o grupo dos favoritos várias vezes e ainda ganhar a etapa rainha, completando a sua coleção nas grandes voltas. Davide Piganzoli elevou o seu nível, foi o último homem de Vingegaard, ainda fez 3º no Corno alle Scale, termina no top 10 da geral, 2º na juventude atrás do nosso Eulálio, a Visma tem aqui um líder para 3 semanas.

Tudor Pro Cycling Team - 12,5

0 vitórias, 2 pódios, 16 top 10, Melhor resultado na geral: 7º
A dupla Storer-Rondel funcionou bem, com o australiano a terminar em 7º e o francês em 11º, na sua estreia em grandes voltas. Começando pelo mais experiente, foi sempre muito regular, andou bem no contrarrelógio, foi ofensivo na etapa rainha, integrando a fuga do dia, mas, honestamente, creio que não podia almejar a mais. Quanto ao mais jovem, ficou perto do top 10, mas é uma excelente indicação para corridas, sem o contrarrelógio, provavelmente estaria entre os 10 melhores.
Stork também foi protagonista, esteve a um passo da rosa, quando perdeu a 2ª etapa para Thomas Silva, tentou nos dias seguintes, com recurso às bonificações, mas não conseguiu, ainda assim fica uma boa imagem, na restante corrida entregou-se ao trabalho para os líderes. Luca Mozzatto estava a jogar em casa, mas não soube aproveitar, fechando apenas 3 vezes no top 10.

UAE Team Emirates - XRG - 19

4 vitórias, 4 pódios, 12 top 10, Melhor resultado na geral: 19º, 2 dias de liderança na classificação por pontos
Dificilmente, a UAE poderia ter um pior inicio de corrida, vendo abandonar Jay Vine, Marc Soler e Adam Yates logo ao segundo dia, foi um murro no estômago, ainda na Bulgária, mas o dia de descanso trouxe um reset mental que todos precisavam. Os efeitos ficaram à vista no dia seguinte, com Jhonatan Narváez a vencer a 4ª etapa, num sprint em pelotão reduzido. No dia seguinte, nova alegria, com Igor Arrieta a travar uma luta espetacular com Afonso Eulálio debaixo de chuva, ambos caíram, o espanhol enganou-se, mas viria a ganhar a etapa, como português queria a vitória de Eulálio, mas ficou bem entregue ao espanhol, que ainda fechou top 20 na geral, depois de ter entrado em mais um par de fugas.
No entanto, o Narváez show ainda estava só a começar, ganhou mais 2 etapas e chegou à liderança da classificação por pontos, viria a abandonar a corrida, quando estava novamente em 2º, ainda assim, pode ter assinado a sua renovação com a equipa.
António Morgado e Mikkel Bjerg trabalham muito no terreno plano e média montanha, ajudando a colocar os restantes nas fugas, foi a estreia em grandes voltas do português. Jan Christen, irreverente como sempre, tentou muito, mas tentou mal, ataques sem sentido a certas alturas, se gerisse melhor o esforço e aprimorasse a leitura de corrida, poderia ter levantado os braços.

Unibet Rose Rockets - 9

0 vitórias, 1 pódio, 8 top 10, Melhor resultado na geral: 22º
Foi a estreia dos Rockets em grandes voltas, mas face ao alinhamento que traziam, por ventura o mais forte possível, o balanço não é positivo. Dylan Groenewegen chegava motivado por 4 vitórias e com credenciais ao sprint, com o comboio inteiramente ao seu dispor, conseguiu apenas um pódio e mais 2 top 10, é curto. Lukas Kubis queimou-se a trabalhar para o neerlandês ou a ficar com ele quando este cedia, e não teve oportunidades para brilhar, tinha bastantes etapas ao seu jeito. Niklas Larsen fixou o contrarrelógio como objetivo, terminou em 10º.
Wout Poels era o único trepador, tentou várias fugas, conseguiu um top 10, mas as pernas já pesam e, sem apoio na montanha, fica complicado. Os restantes elementos foram gregários para o terreno plano.

XDS Astana Team - 18

3 vitórias, 7 pódios, 16 top 10, Melhor resultado na geral: 46º, 2 dias de camisola rosa
Em 2025, a Volta a Itália foi um dos pilares da remontada milagrosa da Astana, com uma vitória de etapa e a vitória na classificação da montanha, este ano conseguiram melhorar, somando 3 triunfos, com 3 ciclistas diferentes, o que é ainda mais mais impressionante.
Thomas Silva foi o primeiro, dando o primeiro triunfo ao Uruguai na Volta a Itália e vestindo a camisola rosa, mas não se pense que foi apenas um "fogacho", Silva somou mais 4 top 10 ao longo da corrida, inclusive na 3ª semana.
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Os italianos também estiveram em evidência, curiosamente dois ciclistas que já não ganhavam nos grandes palcos há bastante tempo: Davide Ballerini e Alberto Bettiol - o primeiro, com uma habilidade incrível a evitar quedas em Nápoles, batendo Jasper Stuyven no mano a mano; o segundo, com um ataque numa descida, acrescentando uma boa dose de risco, para vencer em Verbania. Scaroni também estava a ser um dos protagonistas da corrida, com 4 pódios em 14 dias, chegando a estar em 3º na geral, mas foi forçado a abandonar, sem conseguir repetir o triunfo do ano transato, que acredito que chegaria.
Esperava mais de Matteo Malucelli, apenas um top 10 ao sprint, Diego Ulissi foi fiável, como sempre, conseguindo um 3º e um 8º lugares. Harold Martin López esteve apagado nas montanhas e Arjen Lyvins trabalhou muito para os colegas.
Original: Miguel Marques
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