Qual será o top 10 final da Volta a Itália? Juntámos a equipa do CiclismoAtual e estas são as nossas apostas

Ciclismo
quinta-feira, 07 maio 2026 a 21:37
Jonas Vingegaard
A Volta a Itália 2026 começa já no próximo dia 8 de maio, na Bulgária, e termina no dia 31 do mesmo mês, já em território transalpino, na capital, Roma. Mas pelo meio destas duas jornadas de sprint, há muita montanha, 42km de contrarrelógio, jornadas planas e de média montanha, a organização esforçou-se para agradar a todos e, à primeira vista, o percurso parece bem desenhado.
Portugal terá 3 ciclistas à partida: Nelson Oliveira, António Morgado e Afonso Eulálio. Como sabemos, João Almeida também devia estar presente, definiu o Giro como o grande objetivo da temporada, mas problemas físicos afastaram-no da corrida onde fez pódio em 2023, na edição vencida por Primoz Roglic. Ainda que percamos, enquanto nação, uma carta para a geral, os três ciclistas lusos oferecem garantias para ganhar etapas... e Eulálio pode surpreender na geral.
Falando na classificação geral, Jonas Vingegaard é o favorito máximo, já o era quando anunciou a sua presença, mais ficou com a ausência do português e de nomes como Mikel Landa ou Richard Carapaz, sem esquecer aqueles que vão estar na Volta a França e nem sequer cogitaram vir à primeira grande volta do ano - Pogacar, Lipowitz, Seixas, Evenepoel, etc.
Se a questão do 1º lugar parece relativamente definida, na teoria, sublinho, as restantes posições do pódio e top 10 estão claramente em aberto, com um leque de candidatos apreciável: Santiago Buitrago, Damiano Caruso, Afonso Eulálio, Felix Gall, Johannes Staune-Mittet, Giulio Ciccone, Derek Gee, Lennert Van Eetvelt, Enric Mas, Juan Pedro López, Einer Rubio, Egan Bernal, Thymen Arensman, Alessandro Pinarello, Chris Harper, Jai Hindley, Giulio Pellizzari, Aleksandr Vlasov, Filippo Zana, Ben O'Connor, Sepp Kuss, Michael Storer, Mathys Rondel, Adam Yates, Jay Vine.
Juntámos a equipa do CiclismoAtual, esfregámos a bola de cristal e mandámos cá para fora as nossas apostas para o top 10, algumas mais previsíveis, outras são verdadeiras surpresas, tiros ao lado ou apostas certeiras? Só descobriremos no final do mês.
Jonas Vingegaard Giro de Italia 2026 2

Miguel Marques

1° Jonas Vingegaard: Não há dúvidas quanto a isto, o dinamarquês está de regresso ao melhor nível em 2026, dominou um Paris-Nice chuvoso e voltou a dominar uma Volta à Catalunha, que era amplamente considerado o grande teste antes da Corsa Rosa. Penso que vai querer marcar posição cedo, no Blockhaus, e diria que pode chegar ao final da 1ª semana já de rosa, fazendo uma gestão na restante corrida, procurando fazer alguns testes nas subidas mais duras. Não é bonito dizê-lo, mas este Giro servirá de preparação para o Tour e uma oportunidade única para vencer as três grandes voltas, antes de Tadej Pogacar
2° Giulio Pellizzari: Há um ano, ninguém colocaria sequer o jovem italiano nas previsões de top 10, chegava para apoiar Primoz Roglic, que era um dos favoritos na edição anterior. Roglic abandonou, Pellizzari emergiu, trepou até ao 6º lugar final e repetiu a posição na Vuelta. Em 2026, surgiu ainda mais forte, com um 3º lugar na Comunidade Valenciana, onde trabalhou para o vencedor Evenepoel, um 3º lugar no Tirreno-Adriatico e a vitória na Volta aos Alpes, sem espinhas, acredito que será o maior rival de Vingegaard e pode conseguir acompanhá-lo em alguns dias, sendo bastante plausível uma vitória de etapa.
3° Felix Gall: Se as duas primeiras escolhas foram consensuais, o último lugar do pódio não o é. Aposto em Gall, pela forma e pelo fator Paul Seixas. Pela forma porque foi 5º no UAE Tour e 6º na Volta à Catalunha, pelo fator Seixas porque a Decathlon tem um novo líder e o austríaco não quererá perder o estatuto, além disso é uma oportunidade única para fazer pódio numa grande volta pela primeira vez, uma vez que a maioria dos melhores voltistas da atualidade não estão presentes.
4° Egan Bernal: Pode ser uma aposta arriscada, mas penso que o colombiano estará de regresso ao melhor nível, gostei de ver na Volta aos Alpes, ofensivo, foi 2º na geral e dois dias depois foi 5º na Liege-Bastogne-Liege. Apesar de não existirem várias etapas de alta montanha encadeadas como noutros anos, haverá altitude e isso são excelentes notícias para Bernal. Tem uma boa equipa, tem Thymen Arensman ao seu lado e penso que podem formar uma boa dupla, com o neerlandês a sacrificar-se por ele, também não nos podemos esquecer da dinâmica de vitórias da INEOS em 2026.
5° Adam Yates: Caiu-lhe uma oportunidade de liderar no colo, depois da ausência de João Almeida, que era um claro candidato a discutir a vitória final com Vingegaard. Nas últimas 3 grandes voltas ficou fora no top 10 e isso não são bons indicadores, no entanto, a forma recente é animadora, ao vencer o Gran Camiño. Com tantas chegadas em alto, seria descabido não colocar Yates no top 10, até poderia ser candidato ao pódio, mas não vai ter uma equipa unida à sua volta, vai sentir na pele o que João Almeida sentiu diversas vezes, alguém acredita que Soler, Vine ou Christen vão estar 100% para ele e não vão tentar ganhar uma ou duas etapas cada um? Eu não!
Adam Yates na apresentação das equipas da Volta a Itália 2026
Adam Yates inicia o Giro como principal candidato da UAE à Maglia Rosa
6° Michael Storer: O Ruben Silva acredita que Storer fará pódio, parece-me que não chegará tão longe, mas cá estarei no final da corrida para dar o braço a torcer, caso aconteça. Coloco-o em sexto, porque é um ciclista fiável, no ano passado chegava em grande forma e foi 10º, apesar de várias quedas. Este ano programou certamente o pico de forma para a 3ª semana do Giro e foi mais contido na Volta aos Alpes, terminando em 4º, sem azares pode estar na luta pelo top 5 e não tem medo de atacar.
7° Derek Gee: O líder da Lidl-Trek é daqueles ciclistas old school, prepara bem as corridas, é bastante atento, mas também corre por instinto. Não teve uma primeira metade do ano fácil, ainda a sofrer as consequências de estar parado desde junho, devido ao conflito com a anterior equipa. Em 2026, foi 7º no UAE Tour, abandonou na Catalunha e foi 12º na Volta aos Alpes, não é uma forma deslumbrante, mas é experiente e acredito que tem pernas para repetir o top 10 da edição anterior, ainda que num lugar mais baixo.
8° Sepp Kuss: É o único ciclista de equipa repetente que coloco no top 10, Kuss será o braço-direito de Vingegaard e isso benefia-o mais do que se fosse líder a solo, responsabilidade que não gosta de assumir. Ainda na última Volta a Espanha vimos como trabalhou para o líder e foi 7º na geral e havia mais concorrência. No Giro será o último homem da Visma, vai preparar o ataque do líder e não acredito que se desligue totalmente.
9° Afonso Eulálio: Esta é uma aposta essencialmente com o coração, mas também com alguma cabeça. Dentro da Bahrain, Buitrago não me dá garantias, Caruso está em ano de despedida, prefere ganhar uma etapa a fazer top 10 na geral e é neste cenário que vejo o português a emergir. Esteve em altitude, fala da Volta a Itália desde o final de 2025 e está muito motivado, a forma não é de candidato ao top 10 (5º no AlUla Tour, 55º no UAE Tour e 46º na Volta à Catalunha), mas penso que guardou as suas cartas para a 3ª semana. Atenção ao contrarrelógio plano de 42km, que irá prejudicá-lo e será um dia para minimizar perdas.
10° Alessandro Pinarello: A nova geração de italianos convence: Pellizzari, Piganzoli, Pinarello e Finn (mais jovem). Hoje de manhã quando consultei o procyclingstats e para meu espanto, o corredor da NSN era o mais popular, o que tinha mais visualizações do seu perfil no site, mas não foi por isso que o coloquei, convenceu-me no Gran Camiño, onde foi 2º na geral e ganhou uma etapa. Antes disso, já tinha sido 12º na Volta ao Algarve e 10º no Tirreno-Adriatico, conta com a experiência de Jan Hirt e penso que vai ser ele a fechar os 10 melhores.

Rúben Silva

1º Jonas Vingegaard: Acredito que Jonas Vingegaard será o vencedor deste Giro. Tudo aponta para isso e, estatisticamente falando, será muito difícil derrotá-lo, a não ser que haja azar envolvido, com quedas ou doenças. A Visma não tem aqui a sua melhor equipa, mas isso não é assim tão importante quando a diferença entre o primeiro e o segundo melhor escalador é muito grande. Creio que é o que temos neste caso. O dinamarquês estará muito motivado para vencer e dois dos seus principais rivais não vão partir na prova. Não é a declaração mais entusiasmante, mas deve ter um controlo bastante seguro da disputa pela camisola cor-de-rosa.
2º Giulio Pellizzari: Não tenho receio de colocar o italiano em segundo lugar neste Giro, acho que faz todo o sentido. Talvez sinta que ainda é um pouco subestimado em relação às suas verdadeiras capacidades, tendo em conta o quanto o discurso gira em torno dele e de Jai Hindley, que partilham a liderança deste Giro pela BORA. Pellizzari é a escolha 100% certa, e a presença de Hindley ajuda a aliviar a pressão sobre ele, digamos assim. No ano passado, na 16ª etapa, foi o melhor trepador; já estaria na luta pelo pódio se não estivesse a atuar como gregário de Primoz Roglic. Um ano mais forte, mais experiente e com mais experiência como líder puro, o vencedor da Volta aos Alpes deu todos os sinais necessários para mostrar que está pronto para o seu primeiro pódio numa Grande Volta.
Giulio Pellizzari com a camisola de líder da classificação geral na Volta aos Alpes 2026
Giulio Pellizzari com a camisola de líder da classificação geral na Volta aos Alpes 2026
3º Michael Storer: O ciclista da Tudor também é muito subvalorizado, mas isso deve-se mais à falta de conhecimento sobre a sua história. Sofreu quatro quedas durante o Giro do ano passado, e é por isso que o seu desempenho foi abaixo do esperado em comparação com a sua incrível Volta aos Alpes, onde subiu como um louco. Depois, conquistou o terceiro lugar na Il Lombardia... Tem todas as qualidades necessárias para brilhar nos Alpes, só precisa de sorte. Mas, com a quantidade de trepadores ausentes nesta prova, é exatamente o tipo de ciclista que pode aproveitar a situação para estar no pódio final, talvez até na disputa pelo segundo lugar, uma vez que parece estar em melhor forma esta primavera.
4º Thymen Arensman: O holandês esteve muito forte na Volta aos Alpes, o que lhe dá mais confiança para começar bem o Giro. Normalmente, o seu problema é a primeira semana de uma Grande Volta, algo pouco comum para os especialistas. Mas nos Alpes pareceu estar em grande forma e, se conseguir evitar contratempos na primeira semana, nas montanhas tem pernas para chegar ao pódio. Especialista em longas subidas e na terceira semana, tem tudo para liderar a INEOS Grenadiers na sua viagem para regressar ao pódio de uma Grande Volta.
5º Felix Gall: O ciclista da Decathlon, na minha opinião, merece plenamente o pódio. É um dos ciclistas que adoro ver, um dos últimos trepadores puros que restam no topo do ciclismo mundial, que ataca e faz a sua equipa atacar, apesar de estar abaixo dos "extraterrestres". Gall chega a este Giro talvez com a oportunidade da sua vida: pode chegar ao pódio. Isto porque apenas Jonas Vingegaard está presente entre os grandes candidatos à classificação geral, e os seus rivais diretos pelo pódio não têm tanta vantagem sobre ele nos contrarrelógios. O austríaco destaca-se nas longas e brutais etapas de montanha, e é isso mesmo que vai encontrar no Giro, o que torna surpreendente que só agora esteja a dar prioridade a esta modalidade.
6º Adam Yates: O ciclista da UAE está a viver aquela que é talvez a sua última oportunidade de liderar uma Grande Volta com a equipa. E não foi algo planeado; está a beneficiar da desistência de João Almeida. Agora, não espere ver a UAE a ditar o ritmo do pelotão ou a tentar fazer o que fazem com Tadej Pogacar. Yates é, no máximo, um candidato ao pódio, mas este seria, ainda assim, um grande resultado para ele. A UAE procurará as vitórias como prioridade e o britânico correrá no seu estilo clássico de escalada constante, onde ter companheiros de equipa geralmente não faz diferença. A sua forma recente e a preparação sugerem, para mim, que podemos ver a melhor versão do veterano.
7º Egan Bernal: Não é algo que se diga muitas vezes, mas Egan Bernal *está* de volta à sua melhor forma. Só que a sua melhor forma é um nível que, em 2021, foi suficiente para vencer um Giro, mas hoje em dia não é suficiente para chegar ao pódio. No ano passado, vimos um Bernal muito bom, agressivo e a brilhar na corrida. Acredito que veremos o mesmo desta vez, tendo em conta o seu recente segundo lugar na Volta aos Alpes. Etapas explosivas, estradas traiçoeiras e altitude podem render-lhe bons resultados; no entanto, em termos de habilidade nas escaladas, está um pouco atrás de alguns dos seus rivais. Ainda assim, o seu papel na INEOS dependerá muito do desempenho de Thymen Arensman, mas Bernal é uma escolha sólida para o Top 10.
8º Santiago Buitrago: Não há vagas no Top 5 para todos. Acredito que Santiago Buitrago se concentrou bastante neste Giro e pode terminar a prova em grande forma. Tem passado despercebido, e o seu apoio na Bahrain não é tão vistoso, mas é muito bom para as ambições da equipa. O colombiano é explosivo, mas nas altas montanhas precisa de mostrar o seu melhor nível para estar na disputa pelo Top 5. Não é impossível, mas precisa de desafiar as probabilidades.
9º Derek Gee: O canadiano terminou em quarto lugar no ano passado, mas desta vez a missão é um pouco mais difícil. A Lidl-Trek é uma equipa completa, mas temos a impressão que as vitórias em etapas serão a sua prioridade. Jonathan Milan procurará a camisola de velocistas e a camisola de pontos, Giulio Ciccone procurará vitórias de etapa nas montanhas e talvez a camisola de Rei da Montanha... Derek Gee esteve doente há alguns meses e não está na sua melhor forma, o que lhe deve custar tempo logo no Blockhaus. Ainda assim, acredito que pode atingir o seu melhor nível, mas não creio que consiga superar as probabilidades para vencer os vários rivais diretos que geralmente escalam a um nível semelhante ao dele. Com a Lidl-Trek a ter tantas cartas na manga para disputar etapas, acredito que ele procurará a classificação geral de uma forma ou de outra, essa é a sua especialidade como ciclista consistente e ele encaixa na parte inferior do Top 10 para mim.
10º Jai Hindley: O australiano fez uma boa Volta a Espanha no ano passado e, no geral, teve um nível muito bom. Raramente encontra a sua melhor forma, por isso é uma incógnita, e não sabemos ao certo como chegará ao Giro. Teoricamente, é um dos líderes, juntamente com Giulio Pellizzari, mas não creio que o vamos ver na estrada durante um bom tempo. Ainda assim, a BORA tem ciclistas capazes de manter esta tática durante um longo período. Hindley tende a melhorar à medida que as Grandes Voltas progridem, e não tenho razões para acreditar que não estará em boa forma. Espero que trabalhe para Pellizzari, mantendo-se próximo dos candidatos ao pódio; um 10º lugar é bastante lógico, a menos que abandone completamente as suas ambições na classificação geral.

Letícia Martins

1º Jonas Vingegaard: Para mim, não há dúvidas, é o grande favorito para vencer o Giro. É o mais completo, o mais sólido e o que melhor aguenta três semanas. Se não tiver problemas, é muito difícil alguém tirar-lhe a camisola cor-de-rosa.
2º Giulio Pellizzari: Acredito que Pellizzari pode ser o melhor italiano deste Giro. Tem explosão na montanha e traz confiança, para não dizer que nesta temporada venceu a Volta aos Alpes. Não o vejo a bater o Vingegaard, mas vejo-o a fazer uma grande volta a lutar pelo pódio.
3º Adam Yates: O Yates é sempre regular e sólido nas grandes voltas. Aparenta estar em boa forma, tem equipa forte e raramente tem dias maus nas corridas. Acho que é mais seguro para fechar o pódio.
4º Egan Bernal: Mesmo em recuperação pós lesão, entra neste Giro com ritmo, confiança, nesta temporada ficou em 2º lugar na Volta aos Alpes. Não o vejo a terminar no pódio, mas vejo-o claramente acima da maioria dos rivais.
5º Felix Gall: Felix Gall na montanha vai estar sempre entre os melhores, apesar de perder tempo no contrarrelógio, vejo-o a fazer um Giro muito forte e a segurar este top 5, tem tido resultados consistentes em provas por etapas.
6º Enric Mas: Mas é muito regular nas provas, poucas vezes fora do top 10, mantém se consistente ao logo das etapas. Não o vejo a lutar pelo pódio, mas vejo-o claramente dentro do top 10, porque sabe gerir três semanas.
7º Derek Gee: O canadiano merece totalmente estar neste top 10. Já provou que aguenta três semanas como poucos e que evolui todos os anos, no ano passado ficou em 4º lugar. Acho que não se deve subestimar, mesmo não fazendo ataques está sempre no top 10.
8º Thymen Arensman: O neerlandês é forte no contrarrelógio, sobe bem e raramente tem um dia mau. Não o vejo a atacar ou a fazer diferenças sozinho, mas vejo-o a manter um ritmo sólido e a segurar um top 10 com consistência.
9º Ben O’Connor: É um corredor que tanto pode surpreender como desiludir. Quando está num bom dia, sobe ao nível dos melhores e até ameaça o top 5, mas a irregularidade pode abaixar o nível. Mesmo assim, pela experiência e pela capacidade de lutar em montanha, vejo-o com nível para ficar dentro do top 10.
10º Santiago Buitrago: Tal como o Ben O’Connor, é muito irregular nas etapas, tem dias muito fortes, mas também perde tempo nos dias mais desgastantes. Mesmo assim, pela qualidade que tem na montanha, vejo-o a fechar o top 10.

Carlos Silva

1º Jonas Vingegaard
2º Giulio Pellizzari
3º Derek Gee
4º Egan Bernal
5º Adam Yates
6º Felix Gall
7º Michael Storer
8º Aleksandr Vlasov
9º Santiago Buitrago
10º Thymen Arensman
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