A terceira etapa da Volta a França 2025 ficará para sempre gravada na memória de Bryan Coquard, mas pelas razões mais amargas possíveis. O francês da Cofidis viu-se no centro de um dos momentos mais dramáticos da edição deste ano, depois de se ter envolvido no sprint intermédio que terminou com Jasper Philipsen, então camisola verde e vencedor da 1ª etapa, no chão e fora da corrida.
O desvio de Coquard para o meio da estrada, depois de ter tentado passar por Laurenz Rex e se ter desiquilibrado, levou à queda do belga e gerou de imediato ondas de choque no pelotão e nas redes sociais, com muitos a apontarem o dedo a Coquard. Visivelmente abalado, o francês enfrentou os jornalistas após a etapa e, num momento de rara vulnerabilidade no desporto de alta competição, assumiu a dor emocional do incidente e dirigiu um pedido de desculpas público à vítima.
"Conseguem imaginar? Ser o único a fazer cair a camisola verde? Não é algo com que nos sintamos bem", começou por dizer, entre lágrimas, em declarações ao Cyclism'Actu. "Vi alguns clips… e honestamente, no momento, não sei mesmo o que aconteceu".
Tentando reconstruir o incidente, Coquard partilhou o que viveu de dentro do grupo. "Tenho a sensação de que… hum… talvez a minha roda dianteira tenha batido no desviador do Jonathan Milan, ou talvez tenha sido o Laurenz Rex a desequilibrar-me... Não sei mesmo o que é que causou isto".
Apesar da incerteza, o francês quis deixar claro que não houve qualquer intenção de causar a queda. "Não estava a tentar correr riscos, estava apenas na roda do Milan. Quando ele lançou o sprint, nem sequer senti que tinha tocado em alguma coisa. Fiquei claramente desequilibrado, perdi o pedal, o sapato... e foi assim".
Ainda a tentar digerir o que tinha acontecido, Coquard não escondeu a sua dor e arrependimento. "Quero pedir desculpa ao Jasper Philipsen e à equipa Alpecin-Deceuninck, mesmo que não tenha sido deliberado. Eu não sou... não sou um ciclista imprudente, mas mesmo assim, nunca é agradável".
Emocionado e com visíveis dificuldades em articular o que sentia, confessou ter ponderado não disputar o sprint final da etapa, tal o estado emocional em que se encontrava. "Sabia que todos vocês estariam aqui, nem sequer tinha a certeza de querer disputar o sprint final… mas recompus-me. Depois, outra queda".
No plano físico, Coquard também saiu tocado, embora o seu estado ainda estivesse a ser avaliado no final do dia. "Quanto a mim, a minha saúde, veremos. Tenho dores em todo o lado, algumas escoriações... temos de esperar para ver".
Miguel Marques é editor e redator do CiclismoAtual, onde cobre o ciclismo profissional internacional com forte foco em análise competitiva, estratégia de corrida e o calendário do UCI WorldTour. Desde que se juntou à plataforma em novembro de 2024, escreveu milhares de artigos, contribuindo com antevisões diárias das corridas, resumos pós-etapa, análises táticas e análises aprofundadas das equipas e ciclistas do pelotão profissional.
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Miguel é licenciado em Ciência e Tecnologia Animal e está atualmente a concluir um mestrado em Engenharia Zootécnica. A sua formação académica em metodologia científica e análise crítica influencia uma abordagem estruturada e baseada em evidências ao jornalismo desportivo, com forte ênfase na verificação de fontes e precisão factual.
O seu envolvimento com o ciclismo começou em 2014, durante a vitória de Vincenzo Nibali no Tour de France, o que despertou um interesse sustentado e profundo pelo desporto. Desde então, tem acompanhado de perto a evolução das equipas, dos ciclistas e dos desenvolvimentos táticos nas competições do WorldTour e de nível de desenvolvimento, construindo uma experiência consistente na dinâmica do ciclismo profissional moderno.
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