Adrián Quintela Pacho tem um nome que denuncia raízes além-fronteiras, mas o percurso que está a construir no ciclismo faz-se com ambição bem definida e com Portugal sempre presente. Filho de mãe espanhola, nasceu em Andorra, mas cresceu em Braga, cidade onde também criou laços. Tem apenas 19 anos, começou tarde no ciclismo competitivo, mas já soma resultados que mostram que o caminho escolhido pode levá-lo longe.
Antes de se dedicar às bicicletas, foi o futebol que ocupou grande parte do seu tempo. A pandemia acabou por afastá-lo do desporto durante algum tempo e só aos 17 anos decidiu experimentar o ciclismo de forma mais séria. A aposta revelou-se acertada. Em pouco tempo destacou-se com a camisola do CC Barcelos, chegando mesmo ao título de vice-campeão nacional de juniores e conquistando a oportunidade de representar Portugal num
Campeonato da Europa.
Desde a temporada passada, integra a equipa galega Supermercados Froiz, um passo que considera determinante para a evolução enquanto corredor. A decisão de atravessar a fronteira não foi por acaso, foi pensada desde cedo como parte do seu plano. "Sempre quis sair de Portugal, era o meu objetivo desde que entrei no ciclismo",
conta ao Jornal O Jogo.
Para o jovem corredor, a transição do escalão júnior para sub-23 continua a ser um dos maiores desafios para quem quer fazer carreira. A falta de competições específicas em Portugal pesa nas decisões dos atletas que procuram evoluir. "Para se conseguir uma boa adaptação de júnior para sub-23 temos de sair de Portugal. Cá é um salto muito grande, depois de juniores vamos diretamente competir com profissionais. É um problema que temos, poucas corridas do escalão sub-23", explica Pacho.
A escolha pela formação galega acabou por reunir vários fatores positivos: proximidade geográfica, qualidade competitiva e um calendário que permite ganhar experiência em diferentes contextos. "Muito contente por estar numa equipa que é perto de casa, tem um nível alto para o escalão e permite, além de ter algumas corridas em Portugal frente aos profissionais, fazer o calendário espanhol de sub-23", acrescenta.
No plano desportivo, Adrián olha para alguns exemplos dentro do pelotão como referências importantes para o seu crescimento. Um dos nomes que mais o inspira é o poveiro Lucas Lopes, atualmente a representar a Efapel Cycling, de José Azevedo, cuja trajetória acompanha com atenção. "Uma inspiração, porque esteve numa equipa profissional, deu um passo atrás para correr pelos Supermercados Froiz, está agora na Efapel e já tem valor para uma equipa estrangeira de topo", destaca.
Lucas Lopes foi o melhor jovem da última Volta a Portugal
Dentro da estrada, define-se de forma simples, mas com margem para evoluir. Ainda em fase de crescimento físico e competitivo, sabe que o seu perfil pode ganhar novas características com o passar dos anos. "Sou um trepador. Mas sou jovem e ainda posso mudar muito", assume.
Nesta fase da carreira, os objetivos passam por ganhar experiência e afirmar-se gradualmente no pelotão sub-23. A próxima meta já está bem identificada: destacar-se na Volta a Portugal do Futuro, uma corrida que encara como oportunidade para mostrar o que vale.
Já no GP O Jogo, competição que decorre por estes dias, o foco está sobretudo em aprender e ganhar ritmo competitivo, sem pressão excessiva por resultados imediatos.
Apesar da juventude, as ambições estão bem definidas e não escondem a dimensão do sonho que alimenta desde que decidiu apostar no ciclismo. "O meu sonho é chegar ao World Tour, ou a uma equipa ProContinental. Poder fazer uma Grande Volta é outro sonho e neste momento corro com esse objetivo. Não estou a pensar vir para uma equipa portuguesa. Temos de pensar e acreditar em grande para podermos alcançar os objetivos", afirma.
Créditos da foto: Jornal O Jogo