A Milão-Sanremo é o primeiro Monumento da época e todos os anos reúne uma startlist de luxo. Porém, há cada vez menos sprinters, já que a corrida se orienta mais para especialistas das clássicas e até trepadores. Alguns corredores, como é o caso de
Arnaud De Lie, nem sequer alinham à partida por não acreditarem na vitória numa prova onde
Tadej Pogacar e
Mathieu van der Poel deverão estar no auge.
O líder da Lotto-Intermarché é também uma ausência de peso, sendo um corredor que, no papel, se adapta perfeitamente à prova. Embora sprinter, os resultados de De Lie aproximam-no do perfil de clássico, muito talhado para as clássicas flamengas e capaz de gerir as subidas mais curtas da costa da Ligúria. Correu a Sanremo apenas em 2023, sem contudo se imiscuir entre os melhores.
De Lie explicou-o em declarações ao
Het Laatste Nieuws: “A menos que o Pogacar e o Van der Poel telefonem a dizer que estão doentes cinco dias antes”, brincou. “Acho que estou a fazer a escolha certa”.
Ainda que hoje seja um corredor mais maduro, capaz de lutar por um grande resultado ou até vencer num cenário como o de 2024 (quando Jasper Philipsen triunfou num sprint reduzido), o belga não acredita nessa possibilidade com a corrida agora a tender a explodir na Cipressa. Tadej Pogacar ainda não venceu a prova, e a penúltima subida do dia é a mais propícia a ataques, como se viu na primavera passada.
Belga quer vitórias, não Top 10
De Lie não teve o início de época ideal, tendo adiado o arranque devido a problemas de saúde;
ainda assim, ao começar na Clássica de Almería, assinou já uma exibição satisfatória nas suas palavras. Vai competir no Fim de Semana de Abertura dentro de uma semana, mas a sua primavera estará centrada nas clássicas do empedrado, não no Monumento italiano.
A razão é simples: “Tenho de ser realista: com eles na linha de partida não tenho hipóteses. Sobem a Cipressa um minuto mais rápido do que os outros. A Milão–Sanremo é um dia perdido para mim. Não faz sentido”. O belga admite que poderia assinar um bom resultado na corrida, mas mantém a mentalidade de sprinter, focado acima de tudo em vencer. “Um top 10 é bonito, mas para além disso não me diz muito”, justifica.
“Neste momento, tiro mais satisfação de uma vitória - por exemplo, dois dias antes no GP Denain. Talvez um dia volte, mas… tudo a seu tempo. E se nunca mais acontecer, não vou perder o sono por isso. Há coisas piores na vida”, concluiu.