Damien Touzé foi o segundo corredor da
Cofidis, depois de Nicolas Debeumarché na Volta à Polónia de 2024, a roçar a morte após uma queda durante uma prova. A Volta a Omã de 2026 assombra o ciclista francês, que revelou os seus medos de morrer e as condições horríveis que enfrentou.
A queda ocorreu na quarta etapa e teve como resultado uma fratura do fémur e da tíbia, rutura do baço, vários ligamentos rasgados e um forte traumatismo abdominal. Teve de permanecer em Omã durante um período prolongado devido à gravidade das lesões.
“O médico foi honesto comigo, eu podia não voltar a acordar. Chorei no hospital. Estava em negação”, disse Touzé, numa entrevista franca ao
L'Équipe. “Não queria ligar à Sofia (a mulher, n.d.r.), mas o médico insistiu: ‘Pode nunca mais falar com ela.’ Disse-lhe: ‘Vou morrer, diz ao nosso filho que o amo.’”
“Não podiam fazer mais do que dar-me alguns pontos na coxa. Vi os médicos a correr e percebi que era sério, mas a dor deixou-me desorientado. Estava com medo, num país que não conhecia”, admite. Foi depois transferido para outra unidade no país, mas o processo só piorou. “Estava deitado ao lado do lixo, moscas por todo o lado, alguém a andar com inseticida — era surreal”.
Médicos em Omã falham em resolver os problemas
Talvez a parte mais difícil de compreender seja o que sucedeu após a sua estada em Omã. Demorou, mas acabou por ser
transferido para a Bélgica algumas semanas depois da queda para iniciar a recuperação. Aí, soube que tinha uma perfuração intestinal. “Descobriram que os médicos em Omã não tinham fechado a minha parede abdominal. Os meus órgãos estavam apenas por baixo da pele”, relata.
Como mostrou o meio francês, Touzé exibe uma grande cicatriz no abdómen após nova intervenção. Recupera agora a um ritmo regular, mas as perspetivas de voltar a ser ciclista profissional são reduzidas.
Touzé está em fim de contrato e é certo que não competirá em 2026, o que dificulta um recomeço, mesmo que seja possível, em 2027. “Quero voltar à bicicleta e ver o que é possível. Mas sejamos honestos: um ano sem competir…”