Há 10 anos,
Arnaud Démare venceu a Milan-Sanremo. Hoje, o primeiro monumento da época é uma corrida bem diferente, onde os sprinters deixaram de ter hipóteses realistas e os classicomans e trepadores assumiram o protagonismo. A lenda francesa elogiou
Tadej Pogacar, vencedor da edição deste ano, apontando-o como possivelmente o melhor que este desporto já viu.
“Acho que é o melhor ciclista que já vimos. Por vezes, parece até que procura algo mais, como se precisasse de um desafio diferente”, disse Démare em declarações à
RCM Sport. Démare argumentou que Pogacar trabalha com objetivos distintos, devido à sua capacidade nas subidas. No fundo, isso dá-lhe a oportunidade de discutir vitórias em quase todas as corridas que inicia; e está perfeitamente dentro do alcance de vencer o
Paris-Roubaix.
Esta diferença de capacidade não se nota apenas na montanha, mas também nos momentos em que não precisa de ir à frente. “Estás no limite, a pensar no posicionamento antes de uma subida, e ele está completamente descontraído. Aí percebes o fosso”, assinala o antigo profissional.
Ainda assim, Démare, agora como adepto e não a partir de dentro do pelotão, entende o argumento de que esta dominância pode retirar algum nervo e suspense a certas corridas. “Há momentos em que já sabes como vai acabar. Isso muda a forma como as pessoas assistem”.
Pogacar e Roubaix
E depois há as corridas que favorecem outros perfis,
onde o fator Pogacar ousa mexer nas dinâmicas. O Paris-Roubaix é o exemplo maior, uma clássica plana e em paralelo, sem uma única subida onde, em teoria, possa fazer a diferença. “Ele vai lá porque é diferente. Porque não é linear, porque não é algo que consiga dominar da mesma forma”.
Neste ponto da carreira do campeão do mundo, isso é um elemento-chave de motivação, algo que não é fácil num desporto que exige tantos sacrifícios só para se estar presente.
“Ele é competitivo em todo o lado. É isso que faz a diferença. Quando está na linha de partida, muitas vezes corre-se pelo segundo lugar”, concluiu.