Nairo Quintana voltou a deixar a sua marca nas estradas do norte de Espanha ao selar um terceiro título absoluto na
Volta às Astúrias, uma corrida que se tornou palco de eleição para exibir classe e resistência e que
marcou o seu regresso às vitórias pela primeira vez desde 2022.
Este triunfo não é apenas mais um troféu no vasto palmarés, mas um testemunho da sua longevidade competitiva e inteligência tática no pelotão profissional. No domingo, ao serviço da Movistar, o trepador colombiano teve de dominar um final tenso, com ataques incessantes da UAE desde cedo, desenhados para quebrar a resistência do colombiano.
Ainda assim, Quintana mostrou que a experiência é um escudo robusto contra a impaciência da nova geração, gerindo ritmos e diferenças com a precisão de um veterano que conhece cada centímetro do asfalto asturiano.
A etapa decisiva esteve longe de ser um passeio para o homem de Boyacá. A agressividade dos rivais obrigou a Movistar a manter mão firme na corrida, anulando qualquer movimento que pudesse pôr em risco a camisola de líder.
Depois de cortar a meta e confirmar o sucesso, alicerçado no triunfo da segunda etapa, Quintana deixou claro que a batalha exigiu o máximo e que o desfecho resultou de um plano executado na perfeição pelos seus companheiros.
Quintana em ação no Tirreno-Adriático 2026, no início da temporada
Nairo Quintana mandou como um campeão
O corredor sublinhou a complexidade tática do dia, explicando que “foi espetacular. Trabalhámos bem como equipa, controlámos bem e sabíamos que a UAE vinha com intenções”. Para lá de mais um triunfo individual, o líder da formação navarra mostrou o lado generoso ao tentar orientar os jovens da equipa.
Quintana abraçou o papel de mentor sem perder o instinto competitivo: “Quis reconhecer o trabalho da equipa, o que o Diego Pescador tinha feito, e quis dar-lhe uma mão para chegar ao pódio. A coisa baralhou-se um pouco no final, mas mantivemos o controlo e depois conseguimos pô-lo no pódio também”.
Esta foi a primeira vitória de Quintana desde a Volta aos Alpes Marítimos 2022, antes da suspensão por tramadol e do regresso à Movistar em 2024. Esta é a última temporada de Quintana no pelotão, como anunciou na Volta a Catalunha, e está a fechar a carreira em alta.
Um dos pilares desta última etapa foi Pelayo Sánchez, que resgatou uma ‘Vueltina’ discreta nas rampas de El Padrún. O asturiano, a correr em casa, foi peça-chave a neutralizar as ofensivas rivais e a abrir caminho ao pódio para o seu líder.
Quintana não poupou elogios ao esforço do corredor local, que iniciou aqui a época, valorizando em especial o renascimento pessoal após uma série de problemas físicos nos últimos meses.
Mudança geracional com Diego Pescador?
Para o colombiano, ver um colega brilhar depois da adversidade é tão gratificante como a vitória na geral. Nesse sentido, o vencedor da corrida asturiana assinalou que “a verdade é que ele vinha de lesões, de uma fase má, e ver como correu hoje, o trabalho que fez, vinha motivado nas estradas de casa, e para nós foi brilhante como equi
Esta coesão e o sacrifício coletivo foram as bases sobre as quais Quintana construiu a sua autoridade nesta edição, prova de que o ciclismo continua a ser um desporto de confiança absoluta.
Este triunfo no Principado carrega também um adeus emocional. Com 17 temporadas no topo do ciclismo mundial, Nairo Quintana sabe que algumas das suas presenças em certas corridas começam a ser as últimas da carreira profissional.
O Condor despede-se
Como o percurso da próxima Volta a Espanha não visitará as Astúrias, esta edição da Volta às Astúrias foi a sua última grande data com uma das massas adeptas mais apaixonadas e fiéis do mundo. Fiel à sua humildade, o colombiano aproveitou os holofotes para deixar uma mensagem de profunda gratidão aos fãs que gritaram o seu nome em cada subida.
A sua ligação a esta terra vai além do desporto, como expressou após a corrida: “Vou continuar a pedalar por aqui, vou continuar a vir com amigos. Não sei se voltaremos a correr aqui, mas o meu imenso obrigado por todo o carinho que nos deram, por todo o apoio, por virem para a estrada, por me incentivarem sempre. É um lugar que levarei sempre no coração”.
Quintana sai das Astúrias com a camisola de vencedor e a satisfação de ter honrado a profissão, agradecendo até aos meios de comunicação pelo papel na ligação ao público: “Obrigado a todos, imensamente, também à televisão, que faz um trabalho especial de transmitir tudo o que nós ciclistas fazemos para emocionar as pessoas, para emocionar todos os adeptos”.