Stefan Küng vestirá o preto e vermelho da
Tudor Pro Cycling Team pela
primeira vez esta semana na Challenge Mallorca. Convicto de que a mudança de equipa pode ajudá-lo a dar o passo final, o suíço abre este novo capítulo com a ambição de ombrear com
Tadej Pogacar e
Mathieu van der Poel na luta pela vitória nos Monumentos do empedrado.
O suíço vai aferir a condição nas estradas de Maiorca antes de liderar a nova equipa no contrarrelógio coletivo do Troféu Ses Salines. Aos 32 anos, e após onze épocas no WorldTour, Küng inicia uma nova aventura depois de ter representado apenas a BMC e a Groupama - FDJ, assinando por três anos com a Tudor com um objetivo claro: conquistar finalmente um Monumento.
“No final da temporada de 2024 já sabia que seria o meu último ano na Groupama - FDJ. Não foi uma decisão contra a equipa, mas a necessidade de mudar, de encontrar um novo desafio”, explicou Küng durante o recente estágio da Tudor em Espanha ao
Cyclingnews. O suíço sublinhou o valor de sair da zona de conforto após muitos anos no mesmo ambiente: “Por vezes, algo novo pode tornar-te melhor. Precisas de um contexto que te empurre. Queria pessoas à minha volta a fazer perguntas difíceis e a tentar algo diferente.”
Embora a ida para a Tudor possa parecer lógica pela nacionalidade, Küng deixou claro que isso não foi decisivo. “Ser uma equipa suíça não estava na minha lista de prós e contras. Há nove ciclistas suíços, mas é um conjunto muito internacional e, acima de tudo, muito ambicioso. É jovem, com dinâmica positiva e todos a olhar para cima.”
Base no contrarrelógio
Especialista contra o cronómetro, Küng tem um papel-chave no desenvolvimento técnico da Tudor, trabalhando de perto com patrocinadores como a BMC e a Sportful para otimizar o material de contrarrelógio. A sua experiência no túnel de vento será também crucial para companheiros como Michael Storer, focado na geral da Volta a Itália, e para a equipa em objetivos como o contrarrelógio coletivo de abertura da Volta a França, em Barcelona.
“O objetivo é o processo”, resumiu Küng. “Se fizermos Top 5 no contrarrelógio do Tour, será um grande sucesso. Depois pode apontar-se ao Top 3 e continuar a crescer. Se transformas uma corrida num projeto, o resultado nunca é um fracasso: é o processo que te faz aprender e avançar.”
Küng é o líder que faltava à Tudor para as Clássicas de 2025. Vai partilhar responsabilidades com nomes como Matteo Trentin, o novo reforço Luca Mozzato, Marco Haller e Marius Mayrhofer; permitindo a Julian Alaphilippe e Marc Hirschi focarem-se nas Ardenas.
Embora a Tudor seja uma ProTeam, tem convites automáticos para todos os eventos WorldTour em 2026 e planeia disputar as três Grandes Voltas e as principais Clássicas. Küng regressará à Omloop Het Nieuwsblad no final de fevereiro e, após um estágio em altitude, enfrentará um exigente bloco do empedrado em abril.
O registo recente sustenta essa ambição: seis Top 10 nos Monumentos do empedrado nos últimos quatro anos, incluindo o terceiro lugar em Paris–Roubaix 2022 e mais dois Top 5 no pavé do norte de França.
Stefan Küng é um dos melhores ciclistas de clássicas do mundo
Crença perante as forças dominantes
Apesar da dominância de corredores como Pogacar e Mathieu van der Poel, a convicção de Küng nas suas hipóteses mantém-se intacta. “Em termos de resultados talvez não tenha sido a minha melhor campanha de Clássicas em 2025, mas na Omloop estive mais perto do que nunca e apanharam-me sob a flamme rouge”, recordou.
“As probabilidades estão contra mim: nove em cada dez vezes o Tadej e o Mathieu serão melhores, mas acredito que esse dia, essa vez, pode chegar. Nas Clássicas nunca se sabe como a corrida se vai desenrolar. É isso que as torna tão especiais. Basta uma oportunidade e pode mudar a tua carreira.”
A presença de Pogacar e Van der Poel redefiniu as Clássicas, tal como a aerodinâmica, a performance e a nutrição transformaram o ciclismo. Küng acredita que essa evolução o favorece: “Se olhares para as velocidades médias face a há dez anos, estamos dois ou três quilómetros por hora mais rápidos. É o resultado do material, do nível dos ciclistas, dos estágios em altitude e da nutrição.”
O suíço reflete sobre como mudaram os hábitos: “Quando passei a profissional, os hidratos eram o inimigo. Hoje é o contrário: comes o máximo que conseguires.” Esse avanço endureceu as Clássicas, com a corrida a partir a mais de 150 quilómetros da meta. “Torna-as mais intensas, mas também me favorece quando a corrida é dura de longe e tudo se decide na resistência.”
Enquanto Pogacar e Van der Poel podem desferir golpes decisivos em rampas icónicas como a Oude Kwaremont ou o Carrefour de l’Arbre, Küng confia na capacidade de absorver desgaste antes disso. “Talvez me canse um pouco menos do que outros. Sou melhor quando a corrida é dura de longe. Depois da sétima ou oitava grande aceleração ainda consigo ir. A evolução do ciclismo trabalhou a meu favor”, concluiu.