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Team Visma | Lease a Bike tinha um plano para a primeira etapa de alta montanha da
Volta a Itália e executou-o na perfeição.
Jonas Vingegaard venceu a etapa, muito graças ao trabalho dos seus colegas. Em particular, o esforço inicial de Tim Rex não passou despercebido, com a sua “cara de dor” a liderar o pelotão nas subidas a ser um dos momentos do dia.
“Estou bastante destruído, sim. Na verdade já estava acabado, mas de repente disseram-me que tinha de continuar a puxar”, partilhou Rex em declarações à
Sporza. O belga, na sua primeira época como profissional, vem do circuito continental belga e passou 2025 na equipa de desenvolvimento da Visma. Evoluiu como especialista de clássicas, mas foi integrado como gregário e potencial chefe de estrada em construção. O seu trabalho para Wout Van Aert e Matteo Jorgenson no Tirreno-Adriatico foi notório, e a sua especialidade está nas provas planas e explosivas.
Porém, no Giro, a Visma assumiu a responsabilidade de endurecer a montanha. Por inerência, tanto Timo Kielich como Tim Rex tiveram de sair da zona de conforto para render em terreno pouco familiar. A expressão de sofrimento de Rex na subida a Lin Noir foi marcante. “Vi estrelas e outras coisas que não a estrada. Estou muito feliz por ter resultado”.
Mas nada disto foi ao acaso. Apesar de não ser trepador,
Rex somou uns massivos 31 minutos a 400 watts a impor o ritmo para a equipa. Para um corredor que, segundo se reporta, tem 70 kg e 1,90 metros, é uma demonstração de potência. “É uma das minhas forças: consigo ir até as luzes se apagarem por completo. Estava sobretudo a magoar-me a mim próprio. Quando vi quão pequeno ainda era o grupo, surpreendi-me comigo mesmo”, admitiu.
Victor Campenaerts coloca os holofotes em Rex
Reduzida a sete elementos e obrigada a controlar toda a etapa com nomes como Giulio Ciccone, Einer Rubio e outros na fuga, a façanha da Visma não foi pequena. Victor Campenaerts integrou o trabalho na subida a Pila, mas elogiou de igual modo o que Rex fez mais cedo.
“Também tivemos de nos adaptar. Aquele miúdo consegue ir muito fundo. Às vezes vais sentado atrás de um colega e pensas que vai durar só mais 30 segundos. Com o Tim, com aquela linguagem corporal, sabes que ainda aguenta mais meia hora”, exclamou.
“Tínhamos um plano muito claro e mantivemo-nos calmos o tempo todo. Toda a gente esteve totalmente comprometida. Ninguém teve um mau dia”. Tal como a Team Sky fazia nos anos 2010, e como a UAE Team Emirates - XRG muitas vezes faz por Tadej Pogacar, a equipa usou os seus homens um a um para entregar Vingegaard em posição vencedora e, também, para a camisola rosa.
Este resultado é fruto do trabalho de puros trepadores como Sepp Kuss e Davide Piganzoli, mas também dos especialistas de clássicas que se sacrificam fora do seu terreno preferido. “A porta de trás estava mesmo aberta atrás do pelotão quando o Timo [Kielich] ia a puxar na frente. E não se pode dizer propriamente que seja um trepador. Foi emocionante o dia todo”.