“Estar tão perto de vencer um Monumento… quatro centímetros” - Tom Pidcock assina exibição que marca a carreira, mas é batido por Tadej Pogacar na Milan-Sanremo

Ciclismo
sábado, 21 março 2026 a 19:30
Photo finish of the 2026 Milano-Sanremo winning sprint between Tadej Pogacar and Tom Pidcock
Tom Pidcock assinou, provavelmente, a melhor prestação da carreira na Milan-Sanremo 2026, mas o britânico teve de digerir a mais curta das derrotas, batido por Tadej Pogacar num emocionante sprint a dois na Via Roma.
Numa corrida marcada pelo caos, quedas e ataques incessantes, Pidcock foi o único capaz de igualar Pogacar tanto na Cipressa como no Poggio. Juntos, os dois isolaram-se e resistiram ao pelotão perseguidor, preparando um duelo direto pelo primeiro Monumento da época.
Tudo decidiu-se por uma margem mínima. “Disseram-me que foram quatro centímetros”, referiu Pidcock após a meta, em conversa com a Cycling Pro Net. “Dói bastante”.

Tão perto do primeiro Monumento

O desfecho foi difícil de aceitar no imediato. “Preciso de algum tempo para refletir”, admitiu. “Agora estou bastante desiludido, porque dói estar tão perto”.
Noutras circunstâncias, o segundo lugar na Milan-Sanremo seria, por si só, um momento de viragem. Mas o contexto desta exibição tornou o resultado mais amargo. “Se tivesse ficado sozinho em segundo, estaria muito feliz, mas estar tão perto de vencer um Monumento… é duro”.
Pidcock não se limitou a estar presente no final. Foi ele quem moldou a corrida.

A responder a Pogacar, movimento por movimento

A fase decisiva desenrolou-se na Cipressa e no Poggio, onde Pogacar desferiu uma série de ataques na tentativa de, finalmente, conquistar a Milan-Sanremo.
Pidcock foi o único a conseguir seguir. “Senti-me incrível”, disse. “No ano passado fiquei muito desiludido porque caí na Cipressa, mas sabia que podia estar na frente. É bom provar este ano que tenho pernas para isso”.
No Poggio, onde tantas corridas se decidem, recusou ceder. “Acho que esteve perto de me largar”, explicou Pidcock. “Mas a forma como ele estava a pedalar até me favoreceu. Atacava durante 30 segundos, aliviava, e voltava a arrancar. Isso permitiu-me recuperar um pouco. Era só entrar na roda e ficar lá”.
Essa resiliência transformou a corrida num duelo a dois.

Aposta ao sprint decidida na Via Roma

No quilómetro final, a dinâmica mudou. Pogacar foi forçado a assumir a dianteira, enquanto Pidcock se resguardava, à espera do momento certo para lançar o sprint. Foi uma aposta calculada, decidida no limite do tempo e dos centímetros.
Pogacar abriu o sprint primeiro. Pidcock emparelhou, mas a linha chegou cedo demais. O foto-finish confirmou a impressão do direto. Segundo lugar, pela menor margem possível.

Orgulho e perspetiva virão depois

Mesmo na deceção, a dimensão da exibição era evidente. “Perdi para o melhor ciclista do mundo, por isso não posso ficar realmente desiludido”, sublinhou Pidcock. “Mas agora não consigo evitar”.
A tensão entre orgulho e frustração resumiu a sua reação. “Acho que o que fiz hoje foi incrível, e tenho orgulho nisso, mas agora ainda é desapontante porque estive tão perto”.
A perspetiva, sugeriu, chegará com o tempo. “Perguntem-me outra vez daqui a uns dias, quando tiver tido tempo para refletir”.
Tom Pidcock, Tadej Pogacar e Wout van Aert no pódio da Milão–Sanremo 2026
Tom Pidcock, Tadej Pogacar e Wout van Aert. O pódio da Milan-Sanremo 2026

Uma exibição definidora apesar do resultado

A Milan-Sanremo raramente oferece conclusões claras, mas esta edição deixou uma para Pidcock. “Quando, no final de um Monumento destes, ficamos só eu e o Tadej, é porque foi uma grande performance”, explanou. “Foi, sem dúvida, um dos meus melhores dias”.
Não terminou com os braços no ar, mas Pidcock saiu de Sanremo com uma prova de enorme significado.
No maior palco, contra o ciclista mais forte do mundo, não foi apenas competitivo. Ficou a quatro centímetros da vitória.
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