Após seis dias de corrida, restaram poucas dúvidas sobre quem dominou o
Tirreno-Adriatico. Embora Mathieu van der Poel tenha vencido duas etapas,
Isaac del Toro foi a figura mais forte nos três dias-chave para a geral. Esta tarde, em Camerino, deixou praticamente selada a vitória final.
O corredor da
UAE Team Emirates - XRG saltou para a liderança na 2ª etapa, após brilhar no final em sterrato e terminar em segundo, apesar do muito trabalho que fez no grupo com Mathieu van der Poel e Giulio Pellizzari.
Dois dias depois perdeu a liderança para o italiano ao falhar a temporização do sprint e ver o rival arrecadar segundos de bonificação, mas regressou ao topo da geral no dia seguinte, num final exigente. Entrou relativamente confortável na etapa rainha de hoje, apesar de vários adversários estarem próximos na classificação e poderem pressioná-lo num dia com quase 4000 metros de desnível.
Não foi esse o caso, e Del Toro apenas teve de se concentrar na subida final do dia, onde iria ir a fundo. Aí, porém, Pellizzari atacou por duas vezes para tentar recuperar os 23 segundos que tinha de desvantagem para o mexicano. Era uma tática destinada a falhar num dia regular, sem riscos, e o último ataque acabou por surgir na zona plana da derradeira ascensão.
Del Toro não respondeu de imediato, preferindo seguir rodas atrás, a tempo da rampa final que atingia os 20%. Questionado se estava confiante em anular a movimentação de Pellizzari, Del Toro respondeu: “Não tinha a certeza, porque estava super duro e sei que ele é muito forte, por isso só quis manter em mente que não o podíamos deixar ir muito longe”.
“Tentei apenas trazê-lo de volta, mas foi super, super difícil”. A perseguição resultou e, sem margem para dúvidas, teria sempre sucesso, já que a diferença entre ambos na meta foi de 9 segundos, a favor de Del Toro.
Sentimentos mistos apesar da clara superioridade
O mexicano ainda foi atacado por Matteo Jorgenson nos últimos 500 metros, mas respondeu com tranquilidade e depois sprintou para vencer a etapa. Para Del Toro, é mais uma semana perfeita, com mais uma vitória numa corrida por etapas do WorldTour (duas em duas esta época) e a conquista da camisola azul da prova.
“Estou super feliz, mas também com sentimentos mistos”, admitiu, referindo-se à amizade com Pellizzari e a vontade do italiano ganhar perto de casa. “É um pouco estranho, mas isto é para os colegas e para o staff. Fizeram todo o trabalho e tenho muito orgulho em estar aqui”. A etapa de amanhã, rumo a San Benedetto del Tronto, esconde armadilhas e traz risco de quedas, pelo que não quis ainda celebrar.
“Nos últimos anos em que estive aqui foi assim, portanto vamos ver como corre, mas quero estar atento e selar o trabalho”, concluiu.