“Faltaram-me 500 metros” - Paul Seixas ficou a um triz de seguir Tadej Pogacar na Strade Bianche

Ciclismo
sábado, 07 março 2026 a 18:43
Paul Seixas
O segundo lugar na Strade Bianche poderia, em condições normais, passar para segundo plano face a mais um solo dominante de Tadej Pogacar, mas a corrida de sábado na Toscana assinalou também um momento definidor na ascensão meteórica de Paul Seixas.
O francês de 19 anos rubricou a melhor exibição da jovem carreira para terminar em segundo na Piazza del Campo, emergindo como o único capaz de, por instantes, igualar Pogacar quando o campeão do mundo desferiu o ataque decisivo a mais de 70 quilómetros da meta. No final, a diferença foi curta mas conclusiva, e Seixas saiu de Siena com um resultado de referência e a convicção crescente de que já se pode medir com os melhores do mundo.

Seixas revela quão perto esteve de Pogacar

A jogada vencedora de Pogacar surgiu no setor de Monte Sante Marie, onde o esloveno acelerou em pé, num arranque que partiu a corrida. Seixas foi o único a responder de imediato, tentando segurar a roda do campeão do mundo enquanto a prova explodia nas estradas de terra batida. “Disse para mim mesmo que ia tentar segui-lo”, explicou Seixas depois, em conversa com a Cycling Pro Net.
O jovem francês admitiu que o momento implicava riscos. Com mais de 80 quilómetros por cumprir, comprometer-se totalmente podia sair caro se o ritmo fosse insustentável. “Tinha muito a perder naquele momento. Se eu explodisse ali com 80 quilómetros para o fim, depois podia tornar-se muito difícil”.
A dinâmica tática também pesou no momento-chave. O companheiro de Pogacar, Isaac del Toro, colocou-se entre os dois e impediu repetidamente Seixas de avançar na fase inicial do ataque. “Eu passei-o, e ele voltou a passar-me. Abrandou à minha frente e bloqueou-me”, relatou Seixas sobre a luta na descida.
Quando a estrada voltou a inclinar, a diferença para Pogacar já abrira. “Faltaram-me cerca de 500 metros”, admitiu Seixas.

Injeção de confiança após exibição de afirmação

Apesar de ter cedido a vitória, a travessia de Seixas pela gravilha toscana ofereceu a prova mais clara de que o talento da Decathlon CMA CGM já consegue ombrear com os maiores nomes do pelotão.
O francês apontara discretamente ao pódio antes da corrida, mesmo sendo a sua estreia na Strade Bianche. “Viemos com o objetivo do pódio. Era muito ambicioso porque nunca tinha corrido aqui e mal conhecia os setores”.
Seixas apoiou-se em instintos técnicos formados no início da carreira para ler o terreno exigente. “Tive de confiar um pouco nas minhas capacidades de ciclocrosse. Parei há dois anos, mas ainda consigo manusear bem a bicicleta”.
À chegada a Siena, essas competências permitiram-lhe bater todos os adversários exceto o campeão do mundo em título.
“Bater toda a gente exceto Tadej Pogacar dá-me confiança”, disse Seixas. “Mostra que o trabalho que fiz neste inverno deu frutos e que posso competir com os melhores do mundo”.
Paul Seixas antes da Strade Bianche 2026
Paul Seixas antes da Strade Bianche 2026

Uma exibição coletiva por trás do resultado

Seixas fez questão de creditar o trabalho dos colegas da Decathlon CMA CGM Team por o colocarem, a cada momento, na posição certa. “Cada um tinha um papel específico e todos superaram as expetativas”, afirmou. “Posicionaram-me na perfeição e ajudaram-me o dia todo”.
Esse apoio permitiu a Seixas manter-se na luta quando a corrida fragmentou atrás do solo de Pogacar e, por fim, assegurar o segundo lugar em Siena.
Se a vitória de Pogacar voltou a sublinhar a sua hegemonia numa das clássicas de um dia mais exigentes, a Strade Bianche 2026 poderá também ser lembrada como o dia em que um corredor de 19 anos provou que pertence à elite da modalidade.
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