“Gostaria que estivessem aqui” - Paul Seixas queria medir forças com Pogacar e Vingegaard no Tour Auvergne-Rhône-Alpes

Ciclismo
domingo, 07 junho 2026 a 11:58
Paul Seixas na Liège-Bastogne-Liège 2026
Paul Seixas é, não tenhamos dúvidas, o próximo grande voltista do ciclismo francês e já começa a olhar para a Volta a França, que arranca a 4 de julho, como um objetivo de futuro. No entanto, o jovem corredor da Decathlon CMA CGM tem plena consciência da dimensão do desafio que representa lutar contra nomes como Tadej Pogacar ou Jonas Vingegaard, dominadores das últimas 6 edições. Apesar disso, aos 19 anos, não esconde a ambição de um dia discutir os lugares cimeiros da classificação geral.
A excelente campanha realizada durante a primavera colocou-o definitivamente sob os holofotes. Com a vitória na Volta ao País Basco, à qual acrescentou 3 etapas, a vitória na La Flèche Wallone e os segundos lugares na Strade Bianche e Liege-Bastogne-Liege, atrás de Tadej Pogacar, Seixas consolidou a sua reputação como uma das figuras emergentes do pelotão internacional. Depois de um período de preparação em altitude, na Serra Nevada, regressa agora à competição para disputar o Tour Auvergne-Rhône-Alpes, antigo Critérium du Dauphiné, e uma das 7 major tours - as corridas de uma semana mais prestigiadas do worldtour.
A corrida assume uma importância especial para o jovem talento, não apenas pelo seu prestígio, mas também por se realizar na região onde cresceu. Depois de ter terminado na oitava posição na edição anterior, Seixas apresenta-se desta vez com objetivos mais ambiciosos, alimentados pela evolução demonstrada ao longo dos últimos meses.
Apesar de apontar ao triunfo, o francês encara a prova também como uma oportunidade para se preparar para o ambiente mediático que encontrará quando chegar o momento de participar na Volta a França. O corredor reconhece que o impacto da maior corrida do mundo vai muito além da componente desportiva.
“Há corredores de excelente nível na lista de partida”, antecipou Seixas numa conferência de imprensa.
“É uma das maiores corridas por etapas do ano, muito prestigiante, e ainda mais especial para mim porque decorre na minha região”.
O jovem luso descendente da Decathlon CMA CGM explicou ainda que pretende aproveitar esta competição para se habituar à atenção crescente que tem recebido.
“Sabia que o Dauphiné [Tour Auvergne-Rhône-Alpes] me daria um aperitivo do que será a Volta a França do ponto de vista mediático. Embora ainda não consiga imaginar o que será no Tour, já me disseram que vou ficar deslumbrado. Estou a preparar-me mentalmente e não me incomoda. Faz parte do jogo”.
A ausência dos principais favoritos ao Tour acaba por marcar a lista de participantes. Nem Pogacar nem Vingegaard estarão presentes, optando por programas de preparação diferentes para a Grande Boucle. O esloveno deverá competir na Volta à Suíça, enquanto o dinamarquês, vencedor da Volta a Itália deste ano, só regressará à competição na Volta a França. Também os últimos dois terceiros classificados na Volta a França: Remco Evenepoel e Florian Lipowitz, não estarão à partida. Sem esquecer João Almeida, 2º classificado na Volta a Espanha 2025 e um dos melhores corredores de geral do pelotão, que está presente, mas sem ambições de geral, depois de mais de 2 meses e meio de ausência, devido a um vírus desconhecido.
Ainda assim, Seixas não esconde que preferia medir forças com os maiores nomes da modalidade.
“Gostaria que estivessem aqui”, admitiu Seixas quando questionado sobre a ausência de Pogacar e Vingegaard esta semana.
O francês considera que competir frente aos melhores é uma das formas mais eficazes de evoluir enquanto corredor e ganhar experiência ao mais alto nível.
“Gosto de correr contra eles, embora não tenha competido muitas vezes com o Jonas. Correr contra os melhores é sempre um desafio e uma oportunidade para crescer”.
Apesar da crescente expectativa em torno do seu potencial, com o público e a imprensa franceses a fazerem crescer a pressão, Seixas mantém um discurso prudente quando confrontado com comparações aos atuais dominadores das grandes voltas. O jovem francês não esconde os sonhos que alimenta para o futuro, mas prefere manter os pés bem assentes no chão.
“Sonhar é sempre possível. Mas é preciso ser realista. Tenho muito respeito por ele e mantenho-me humilde. O mesmo se aplica ao Jonas, não o podemos esquecer".
“Eles ocupam os dois primeiros lugares no Tour há cinco anos. Estou aqui para me medir com eles, mas enquanto não chegar a esse nível, não quero fantasiar demasiado”.
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