Remco Evenepoel saiu da
Volta à Catalunha com uma sensação conhecida. Não a frustração de um único momento, mas de um padrão repetido ao longo da semana, culminando de novo na etapa final, em Barcelona.
“Havia mais possível? Não estou frustrado, porque houve muitos corredores com hipótese de vencer esta etapa”,
disse à Sporza após terminar em terceiro no circuito de Montjuïc. “O Jonas voltou a correr muito à defesa, como fez toda a semana. Não havia nada que eu pudesse fazer contra isso”.
A tensão não é nova. Evenepoel já questionou a abordagem de
Jonas Vingegaard, sobretudo na Volta a França 2024, quando comentou: “Por vezes também é preciso ter tomates para correr… talvez o Jonas hoje não os tivesse”.
A formulação pode mudar, mas o contraste de base mantém-se.
Agressividade sem abertura
Remco Evenepoel na Volta à Catalunha 2026
A etapa final oferecia a última oportunidade para virar a corrida, e Evenepoel agarrou-a. Atacou repetidamente nas subidas curtas e nas descidas técnicas, tentando quebrar o ritmo de uma prova amplamente controlada.
As condições, porém, jogaram contra. “Havia muito vento contrário no circuito local, por isso não me favorecia enquanto atacante”, explicou, lembrando como até um movimento tardio foi rapidamente anulado. “No fim ainda tinha uma pequena margem, mas o Mas pareceu determinado a fechar, embora não saiba bem porquê. Depois foi preciso mudar o foco de imediato para o sprint”.
A partir daí, a etapa encaminhou-se para um sprint de pelotão reduzido, onde Evenepoel arrancou cedo mas não concretizou. “Também pensei que a meta estivesse um pouco mais perto depois daquela curva, por isso talvez tenha lançado demasiado cedo. Mas quando se arranca, é para ir até ao fim”.
Onde a corrida se decidiu realmente
Para Evenepoel, os momentos decisivos surgiram mais cedo na semana. A etapa inaugural, marcada pelos abanicos, ficou como ponto de reflexão.
“No primeiro dia mostrei logo que estava pronto nessa etapa de vento lateral. Se o Jonas tivesse colaborado connosco ali, a corrida podia ter ficado decidida”.
Em vez disso, a prova manteve-se intacta, permitindo a Vingegaard controlar sem ser forçado ao risco. Foi um cenário que se repetiu com o passar dos dias, com Evenepoel a tentar criar situações e Vingegaard a geri-las.
O custo da queda
Esse equilíbrio ficou ainda mais afetado pela queda que condicionou a corrida de Evenepoel a meio da semana, tanto na condição física como no que podia realisticamente tentar depois.
“Sem essa queda, teria havido certamente mais possível esta semana, creio”, disse. “É uma pena ter acontecido, mas é o que é. Não dá para tirar grandes conclusões da geral”.
As mazelas persistiram. “Sim, essa queda tirou-me muitas hipóteses. Fiquei com grande parte do corpo esfolado. Tive também músculos presos e a lombar rígida, e isso rouba alguns porcentos”.
Um resultado que mantém peso
Ainda assim, o belga sai da Catalunha com um top-5 na geral e um papel central na
Red Bull - BORA - Hansgrohe, incluindo o trabalho em apoio a Florian Lipowitz na montanha.
“O facto de ainda ter terminado quinto na geral, apesar de ontem ter feito muito trabalho na frente, não é mau”, referiu. “Não creio que tenha feito uma má
Volta à Catalunha. Hoje em dia, tem de estar tudo a 100% para ganhar uma corrida destas. Felizmente, consegui terminar e, com o Lipo, alcançámos um bom resultado”.
Com a semana fechada, Evenepoel vira rapidamente a página, em vez de ficar no ‘e se’. “Não, não vamos ajustar o programa. Isso é para o próximo ano”, disse sobre eventuais mudanças de calendário. “Agora vou dois dias à Bélgica e depois sigo para Espanha para preparar com calma as Clássicas das Ardenas. Há mais por que lutar aí”.
O resultado na Catalunha pode não corresponder à ambição, mas a lição é clara. A abordagem não mudou, a intenção mantém-se, e o mesmo contraste táctico com Vingegaard continua a moldar o desfecho.