Quase um ano após o acidente de treino em Tenerife, que colocou a sua vida em risco, Lennard Kämna voltou finalmente à competição. O alemão da Lidl-Trek alinhou na Volta à Catalunha, onde, embora ainda longe dos melhores, deu um passo importante rumo à recuperação total - e deixou sinais animadores para o futuro.
“Nas primeiras semanas, o barulho de muitos carros deixava-me desconfortável”, contou Kämna ao The Cycling Podcast. “Na primeira vez que voltei a pedalar, senti-me bastante natural, apenas um pouco mais cauteloso. Agora diria que me sinto completamente normal no trânsito novamente".
Kämna admite que a experiência mudou a sua relação com a estrada e com tudo o que o rodeia durante os treinos:
“Estou muito mais atento aos carros que se aproximam de frente ou que saem de algum lado. Sinto que estou constantemente a olhar para a direita e para a esquerda, a tentar perceber se me viram, se não me viram".
A gravidade do acidente torna o regresso ainda mais notável. Kämna sofreu múltiplas fraturas e ficou com poucas memórias do sucedido.
“No início, nem percebia porque é que estava no hospital. De repente, estava ali e demorei muito tempo a perceber o que se tinha passado, a aceitar que não era um sonho… era mesmo a realidade".
O ciclista da Lidl-Trek descreve com detalhe o impacto físico do acidente:
“Parti 11 ou 12 ossos no total. Sete ou oito costelas, a omoplata, a escápula, um osso da cara...”, recorda. “Não me lembro de nada do acidente. Estava a descer, um carro ultrapassou-me e entrou num lugar de estacionamento ou numa rua - nem sei exatamente onde foi. Entrou à minha frente e eu embati nele".
Kämna admite que foi tudo tão rápido que não teve qualquer hipótese de reação:
“Um carro demora um ou dois segundos a atravessar uma estrada. Foi esse o tempo que eu tive — ou não tive — para fazer alguma coisa. Basicamente, não tive tempo nenhum. Quando penso nisso, percebo que simplesmente tive azar".
O regresso à competição continuará em abril, com a Volta aos Alpes, uma prova onde já venceu etapas em 2022 e 2023 — e que poderá marcar mais um passo importante na recuperação de um ciclista que, aos 28 anos, ainda tem muito para dar ao pelotão internacional.
“No final de tudo, é uma sorte enorme poder estar aqui sentado, de volta ao ciclismo profissional. É simplesmente incrível”, conclui Kämna.
O pelotão celebra o regresso de um talento que viu a sua carreira ameaçada… e que agora volta a pedalar com gratidão e determinação renovadas.