Javier Ares é um dos jornalistas de ciclismo mais experientes e respeitados de Espanha. Com uma longa carreira na rádio e na televisão, é atualmente comentador na Eurosport ao lado de Alberto Contador, oferecendo análise ponderada, contexto histórico e uma visão abrangente do pelotão internacional.
Num dos seus mais recentes exames
no seu canal de YouTube, Ares centrou-se na UAE Team Emirates XRG de
Tadej Pogacar, identificando-a claramente como a equipa a bater esta época, detalhando tanto o seu potencial como as nuances que moldarão o rendimento coletivo.
Para Ares, não há dúvidas sobre o estatuto da equipa emirática no ciclismo atual: “É evidente que temos de parar na UAE, porque, além de coincidir com a primeira vitória de
Jay Vine, significa falar da melhor equipa dos últimos dois anos”. Apontou as contagens impressionantes de vitórias - “81 há dois anos, 97 no ano passado” -, mas relativizou o seu real significado: “O número é enganador, no sentido em que não é verdadeiramente o mais importante”. Sublinhou que “a qualidade vale muito mais do que a quantidade”, destacando o controlo das corridas e o peso decisivo das Grandes Voltas.
Um tema central da sua reflexão incide na estrutura desportiva da equipa. Para lá de
Tadej Pogacar, Ares vincou que “o verdadeiramente relevante nesta UAE não é só o domínio esmagador de Pogacar, é o facto de cerca de vinte corredores do plantel serem capazes de ganhar”. Ainda assim, reiterou a necessidade de reforçar o topo: “Há estrelas no cimo, há jovens que precisam de continuar a crescer, mas a ponta da pirâmide necessita de um pouco mais de robustez, não só em torno de Tadej Pogacar, mas também em torno dos outros dois corredores apontados a grandes objetivos”.
Nessa distribuição de liderança, Ares considera que o calendário define claramente a hierarquia. Sobre Pogacar, disse que “tem os seus objetivos absolutamente definidos”, com a principal novidade a ser “a sua presença na Volta à Suiça e na Volta à Romandia”, abrindo espaço e chefia noutras provas WorldTour para Joao Almeida e
Isaac del Toro. Do português, salientou que “já com galões mais do que suficientes”, liderará em eventos de topo como Paris–Nice, Volta à Catalunha, Volta a Itália e Volta a Espanha.
Dedicou também atenção especial a
Isaac del Toro, colocando-o como peça estratégica para o futuro: “Na UAE têm muita clareza de que o del Toro é o homem que deve suceder a Pogacar”. Ares defendeu uma progressão medida para o jovem mexicano e explicou que “ele liderará a equipa em quatro corridas grandes, de alta responsabilidade”, sublinhando o seu papel no UAE Tour e noutras voltas de uma semana antes de assumir desafios maiores.
Jay Vine com a camisola ocre no Tour Down Under 2026
A sua análise não ignorou os pontos fracos da equipa, em particular nas clássicas e no sprint. “Não há puros sprinters na UAE”, admitiu, embora tenha frisado que isso não os impede de serem competitivos, apontando corredores como Tim Wellens, Florian Vermeersch ou Nils Politt como opções sólidas para essas corridas. No geral, o diagnóstico foi claro: “A espinha dorsal da UAE tem um potencial tremendo”, com uma estrutura construída para vencer Grandes Voltas e sustentar o domínio ao longo da temporada.
Por fim, Ares concluiu que a equipa entra na nova campanha com um núcleo altamente consistente e poucas saídas de peso, reforçando o seu estatuto de referência do pelotão: “Uma formação com uma estrutura sólida e excelentemente construída”, novamente apontada para assinar uma época “absolutamente repleta de sucesso”.
UAE em janeiro de 2026
A UAE assinou um janeiro de 2026 muito produtivo, com vitórias de peso em provas por etapas e em corridas de um dia.
Jay Vine abriu o ano com autoridade ao conquistar a geral no Tour Down Under, onde venceu também a 2ª etapa, arrecadando pontos WorldTour de primeira linha. Na Arábia Saudita, o AlUla Tour trouxe outro retorno forte, com Jan Christen a conquistar a geral e a vencer a 5ª etapa, enquanto Igor Arrieta completou o pódio em terceiro e Kevin Vermaerke terminou no top 15 da geral.
O bloco da equipa também brilhou no calendário europeu de janeiro, especialmente nas corridas de Maiorca. António Morgado foi um dos destaques, vencendo o Trofeo Calvia, sendo segundo no Trofeo Serra Tramuntana, quarto no Trofeo Andratx, outro quarto no Trofeo Ses Salines, e oitavo na Clássica Camp de Morvedre.