"O ciclismo mudou por completo… Agora come-se sem parar o dia todo" - Mads Pedersen diz que o pelotão moderno mal se parece com o desporto que encontrou em 2015

Ciclismo
domingo, 04 janeiro 2026 a 11:13
pedersen
Quando Mads Pedersen se tornou profissional em 2015, o ciclismo já era um desporto exigente e orientado por dados. Uma década depois, o dinamarquês mal reconhece o mundo em que entrou.
Falando no recente media day da Lidl-Trek, Pedersen fez uma avaliação frontal de como a modalidade evoluiu de forma radical, sobretudo na obsessão pelo detalhe, pela nutrição e pelo controlo. O que era uma disciplina assente em treino duro e instinto, defende, tornou-se um ambiente onde quase nada fica ao acaso.
“Mesmo desde que me tornei profissional, o ciclismo mudou completamente”, explicou Pedersen em declarações recolhidas pelo Ekstra Bladet. “Quando querias perder peso naquela altura, ias treinar, levavas um pouco de água na bicicleta, uma barra energética, talvez uma banana e um café a meio, e estava feito. Estavas pronto. Agora comes como o dia todo”.
A frase surgiu com um sorriso, mas a mensagem era séria. Para Pedersen, o pelotão moderno exige um nível de compromisso que poucos fora da modalidade compreendem verdadeiramente.
“O ciclismo é completamente diferente agora”, continuou. “Tens de estar muito focado e muito sério. Nunca esperei isso, sem dúvida. Mas acabas por te adaptar. Aceitas. Se queres continuar no desporto, tens de o fazer. Se não queres, então tens de encontrar outra coisa para fazer”.

Crescer antes da explosão dos dados

A carreira de Pedersen atravessa duas eras. Aprendeu o ofício antes de os planos de nutrição serem cronometrados à grama e antes de cada intervalo de treino, ciclo de sono e posição aerodinâmica serem monitorizados sem tréguas.
Questionado se está contente por não ter crescido no desporto sob as condições hiper-científicas de hoje, o dinamarquês de 30 anos foi mais reflexivo do que nostálgico.
“Para ser honesto, não penso muito nisso”, referiu. “Estou feliz com a situação em que estou agora. Estou satisfeito com as experiências que tive do que soa estranho chamar de ciclismo antigo. Estou contente por ter feito parte dessa viagem”.
Em vez de resistir à mudança, Pedersen vê-se como alguém que se adaptou em paralelo com a modalidade, aprendendo a competir num ambiente cada vez mais controlado, sem perder os instintos desenvolvidos no início da carreira.
“Também estou curioso para ver onde vamos estar antes de eu deixar de correr”, acrescentou. “É entusiasmante ver como tudo evolui. Neste momento, tudo está a mover-se incrivelmente depressa. A tecnologia está a enlouquecer em todas as áreas da vida e, claro, no ciclismo é igual”.
O que Pedersen descreve não é nostalgia nem crítica, é realidade. O desporto em que entrou há pouco mais de uma década já não existe na mesma forma, substituído por um ambiente onde precisão, controlo e optimização constante são inegociáveis.
Para o pelotão atual, essa mudança é apenas a linha de base. Para os corredores que a viveram, a transformação foi total e, como Pedersen deixa claro, continua a acelerar.
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