“O segredo esteve no plano da equipa” A Astana espremeu o melhor de Christian Scaroni

Ciclismo
quinta-feira, 08 janeiro 2026 a 17:00
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Christian Scaroni atingiu talvez o auge da carreira aos 27 anos na última época, com um rendimento notável ao longo do ano e várias vitórias de nível elevado. O italiano admite que jamais esperaria tamanhas prestações, e que tudo foi potenciado pela XDS Astana Team, que arriscou contratá-lo em 2022.
Scaroni vai disputar a Tirreno–Adriático e a Volta ao País Basco antes das clássicas das Ardenas na próxima primavera, provas que deverão ser os seus grandes objetivos da temporada: “No próximo ano, creio que o objetivo mais importante será conseguir o melhor resultado possível nas clássicas das Ardenas”, disse Scaroni ao IDL ProCycling. “Primeiro fazemos País Basco, para chegar na melhor forma às Clássicas. Aqui temos tudo para dar o nosso máximo.”
É uma meta à medida do italiano puncheur, perfil cada vez com menos oportunidades no WorldTour devido às mudanças de traçado e à transformação dos melhores trepadores em clássicos. Ainda assim, continua a brilhar nas corridas de um dia e em calendários mais modestos.
Scaroni terá o apoio de vários compatriotas nas Ardenas, grande objetivo da equipa. “Queremos alcançar o melhor resultado de sempre. Mas na equipa, outros corredores como Bettiol ou Velasco também podem chegar ao mesmo patamar. Mas, sem dúvida, serei um dos líderes. Vamos ver dia a dia, corrida a corrida, quem estará melhor.”

Família na Astana

Em 2022, o italiano passou vários meses sem equipa após o fim da Gazprom - RusVelo. Nessa altura, a Astana arriscou ao contratá-lo — e o investimento compensou em grande. “Sem dúvida, é como uma família. Quando fiquei sem contrato em 2022 — porque a Gazprom fechou — a equipa recebeu-me quando ninguém acreditava em mim. Estou muito feliz por ficar aqui mais dois anos. Tenho evoluído ano após ano e estou muito contente por continuar a minha história com a família que é a XDS Astana.”
Em 2023 e 2024 somou resultados sólidos, ainda que discretos, mas a urgência da equipa em somar pontos UCI este ano — decisiva para evitar a despromoção — obrigou a escolhas de calendário que, por coincidência, trouxeram ao de cima o melhor de Scaroni.
“Mudámos o plano de desempenho. Normalmente, faziam-me correr em voltas por etapas. Mas, a partir deste ano, a equipa precisava somar muitos pontos e tornou-me corredor de clássicas, a pontuar nas corridas de um dia”, explica. “Aí descobri que rendo melhor nas corridas de um dia do que nas provas por etapas. O segredo esteve, claramente, no plano da equipa: acreditaram em mim para as corridas de um dia.”
Scaroni somou lugares de topo em várias provas de um dia no início do ano e venceu a Clássica Var, além de uma etapa e a geral na Volta aos Alpes Marítimos. Uma queda na Strade Bianche travou a primavera, mas a forma que lhe faltou nas Ardenas apareceu na Volta a Itália, onde, com a ajuda do colega e camisola da montanha Lorenzo Fortunato, venceu em San Valentino, uma das etapas de montanha mais duras de toda a corrida.
“A vitória de etapa no Giro foi uma sensação incrível, porque chegámos juntos, eu e o Fortunato. Isso não acontece todos os dias. Mas a última, no Giro della Romagna, senti-me muito bem, fiz os últimos 40 quilómetros sozinho. Ainda assim, a etapa no Giro foi a melhor.”
Christian Scaroni esteve na liderança do ranking UCI em 2025
Christian Scaroni esteve na liderança do ranking UCI em 2025

Veterano compatriota tornou-se mentor

“Sei que este ano foi muito importante para mim e para a equipa, porque tínhamos de salvar a licença. No ano passado estive muito perto de ganhar algumas corridas, mas a vitória não aparecia. Este ano, o meu objetivo era voltar a vencer — e somei cinco. Não esperava uma época tão boa. Terminei como comecei.”
A temporada prolongou-se até meados de outubro, com vários outros resultados fortes, incluindo a vitória no Giro della Romagna e um quarto lugar no Campeonato da Europa, onde esteve perto de acompanhar Tadej Pogacar e Remco Evenepoel ao pódio. Foi uma época de afirmação, coroada por um lugar de destaque no ranking UCI.
Encontrou também um aliado crucial em Diego Ulissi, que chegou da UAE Team Emirates - XRG e orientou Scaroni para a melhor época da carreira. “Em todas as entrevistas falo do Diego, porque acho que ele mudou esta equipa; a mentalidade mudou muito quando chegou. Foi meu colega de quarto no Giro d’Italia. E todas as noites, antes de dormir, explicava-me o que poderíamos ter feito melhor para ganhar a corrida. Com ele, não melhoro só as pernas, mas também a cabeça, a mentalidade. A minha época também se deve a ele.”
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