Aos 38 anos,
Wout Poels pertence com todo o mérito ao grupo mais prestigiado do pelotão. Carrega quase duas décadas de experiência. Nesse período, o neerlandês venceu duas etapas de Grandes Voltas, um Monumento e viveu de perto a era icónica da Team Sky. Mas,
naquele que aparenta ser o seu último ano como profissional, Poels escolheu uma aventura invulgar na jovem formação franco-neerlandesa ProTeam
Unibet Rose Rockets. Ali, é mais velho do que alguns elementos do staff, mas já se deixou contagiar pelo entusiasmo e pela alegria de pedalar da equipa.
Depois de ter corrido na “Império” Team Sky, numa equipa histórica como a Astana e numa formação WorldTour consolidada como a Bahrain-Victorious e também num projeto francês mais pequeno, a Vacansoleil, nos primeiros anos da carreira, Poels consegue comparar como se estrutura a Rockets face aos seus destinos anteriores.
“É claramente muito maior do que a Vacansoleil, mas também não se pode comparar esta equipa a algumas das equipas WorldTour onde corri”, disse Poels à
IDLProCycling. “Operam com orçamentos completamente diferentes e, automaticamente, isso reflete-se em números de pessoal muito distintos. Mas isso também é óbvio. Se não esperas isso, vais ter uma surpresa desagradável”.
Para além do aspeto desportivo, os Rockets esperam que Poels traga a sua vasta bagagem para partilhar com a nova geração da Unibet Rose Rockets. Muitos corredores são 15 (ou mais) anos mais novos do que Poels e querem absorver tudo do veterano.
Mentor para os jovens
Wout Poels gostaria de subir mais uma vez a um pódio numa Grande Volta
“Há tantos jovens, por isso também é giro que ainda queiram aprender certas coisas contigo”, afirmou Poels. “Como era correr com o Chris Froome, mas também coisas mais pequenas e práticas. Com alguns chego a perguntar-me se alguma vez me viram na televisão com o Froome naquela altura, são tão novos”, observou, a rir.
Ele quer contribuir não só com experiência, mas também deixar o nome bem presente nas folhas de resultados. “Quero simplesmente fazer um bom ano. Normalmente será o meu último, e terminar com uma boa sensação é o mais importante. E espero ainda ganhar uma corrida, porque assim teria vencido com todas as equipas por onde passei. Uma boa estatística, certo?”
Mais um objetivo
Acompanhou de perto a evolução da equipa, de um novo conjunto continental em 2023 para uma formação com ambições realistas de correr (e ter sucesso) na Volta a França? “Sabes como é? Como corredor estás focado em ti”, explicou. “No ano passado estava concentrado em tentar vencer uma etapa no Giro. Vais vendo que aparecem aqui e ali e segues um pouco, mas não é como, sendo corredor noutra equipa, acompanhares ao detalhe tudo o que fazem”.
Na carreira de Poels, há apenas uma caixa por assinalar: essa esquiva etapa da
Volta a Itália. E depois de
a equipa ter falhado o wildcard para a Volta a França, a hipótese de alinhar na Corsa Rosa parece, de repente, mais realista.
“Se corrermos o Giro, então esse sonho volta a existir”, idealizou Poels. “Se for esse o caso, talvez deva forçar mais uma vez, porque aí iria mesmo querer ir ao Giro”.